Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Muito falante, Sylvinho Blau Blau concedeu uma entrevista exclusiva para o site da Trash 80’s. Falou da carreira, de Absyntho, de “Ursinho Blau Blau” e foi surpreendentemente sincero nas respostas. Confira abaixo:


Como vocês montaram o Absyntho?

Desde pequeno que eu e o Fernando Sá fazemos música juntos. Somos primos, tivemos várias bandas juntos, como Inferno Colorido e Crepe. Numa dessas, saiu o Absyntho. Somo uma família musical. A Tânia Alves, atriz e cantora, é minha tia e sempre deu muita força pra gente. Sem falar na Gabi (Gabriela Alves), que também é ótima.


Quando você era pequeno, você tinha um “Ursinho Blau Blau”? Ou ele é uma metáfora?

Não. É metafórico. Não sou nada chegado em bichos de pelúcia, com todo o respeito aos homens que gostam. Mas eu não curto. Agora, sei do sentido especial que eles têm pras meninas. E, na verdade, “Ursinho Blau Blau” nem era mesmo o nome da música. A gente tinha uma música chamada “Praia da Ilha”, que tocava muito na famosa rádio Fluminense, a Maldita, na mesma época em que tocavam coisas como Paralamas [do Sucesso], Kid Abelha, A Cor do Som. Aí, o Paulo Massadas ouviu e fez “Ursinho Blau Blau” em cima da melodia. No começo a gente nem queria gravar. Mas a gravadora insistiu tanto que fizemos.

Posso dizer que fomos a primeira banda prostituta do Brasil. Porque a gente fazia rock‘n’roll e de repente gravamos o “Blau Blau”. Mais ou menos como o Los Hermanos com “Anna Júlia”: foi a música que os levou ao sucesso, mas hoje eles fazem o que gostam e nem tocam mais “Anna Júlia” no show. Essa mudança de rumo que a gravadora fez foi bom e ruim ao mesmo tempo. Porque se foi legal por termos explodido na mídia, termos feito shows na América Latina inteira e ganhamos muito dinheiro, perdemos nossa identidade, perdemos a rédea de nosso trabalho. Tanto que logo depois, nos obrigaram a gravar “Palavra Mágica”, que muitos conhecem como a música do gênio. Fez muito sucesso, mas nos negamos a tocar nos shows do Absyntho. A banda renegou a música. Só agora voltei a tocá-la, e vou tocar na Trash.

Como é seu relacionamento com as fãs?

Agora é tranqüilo. Mas naquela época era quente, muito intenso. Rolava muita libido, tanto minha quanto das fãs. Sem querer, eu virei um sex-symbol pras meninas. Talvez porque me inspirava muito no Mick Jagger, do Rolling Stones. Até meu cabelo naquela época era parecido com o dele. Então, era uma relação muito libidinosa mesmo.

Você já participou dos maiores programas de música pop do Brasil. Qual mais gostou de fazer? Qual o mais chato?

O melhor, sem dúvida nenhuma, era a “Discoteca do Chacrinha”. Aquilo era um caldeirão maravilhoso! Ia de Roberto Carlos, nosso rei, a Amado Batista passando por Titãs, Paralamas, Absyntho. Incrível. Agora, o mais chato? Difícil dizer. (silêncio por um tempo) Barros de Alencar, Bolinha e Mara Maravilha eu acho. O Barros é lendário, o Bolinha pela espera. A gente ficava horas esperando pra gravar e ele fazia uma mistura tão grande que nunca sabíamos quando ia ser nossa vez. E a Mara que era uma mala. Aliás, ela e a mãe dela, mãe de Miss, eram duas maletas. Hoje é minha grande amiga, mas naquela época, era maleta.

Das outras bandas de rock da época, tinha alguma que você gostava?

Engraçado, mas a gente trocava pouca figurinhas, faltou comunhão, sabe? A gente tocava, se encontrava nos bastidores, mas raramente um ouvia o som do outro, conhecia o trabalho dos outros. Eu gostava muito do Lulu Santos e do Lobão. Gosto até hoje, admiro. Também gostava do Ritchie, que explodiu com “Menina Veneno”, mas ele não era brasileiro, né?


Qual o melhor lado da fama? E o pior?

O melhor é entrar de graça nos lugares. Maracanã, Morumbi, todo mundo te convida, te deixa entrar. Sou fanático por futebol, é muito bom poder entrar em todos os jogos. Facilita com a fila. O pior é a encheção de saco, gente no pé o tempo inteiro. Mas é o de menos. Também gosto muito de ajudar quem está em começo de carreira. Porque quando comecei, não tinha ninguém pra me explicar como funcionava e senti muita falta. Como produtor, tento fazer isso.

Por que o Absyntho acabou em 1987?

Para quem não sabe, Absinto é uma bebida que era muito consumida por artistas e boêmios franceses no começo do século passado, como Toulouse-Lautrec. Pois bem, quando começamos a banda, enchemos a taça de Absyntho. E bebemos até a última gota. Prefiro pensar assim a ficar contando que brigamos, não nos entendíamos mais, essas coisas.


Como está sua carreira hoje?

Bacana, bem bacana. As pessoas redescobriram uma geração. Essas festas temáticas, da qual a Trash é pioneira e maior, trouxeram muita gente boa de volta e essa onda anos 80 varreu o Brasil. Já fiz shows em Recife, Porto Alegre, agora São Paulo. É muito legal porque as músicas daquela época falam por si, e servem até hoje. Esse revival alavancou minha carreira. Agora, estou escolhendo repertório pra entrar em estúdio, muito legal!


O que espera do show na Trash 80’s?

Para mim, shows, principalmente com playback, são sempre como estar nos bastidores de um programa de auditório na televisão, prestes a entrar no palco. Sabe, aquela expectativa de uma gravação de TV? E o show na Trash vai ser assim. Quero fazer algo bom, uma verdadeira TV Trash!

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