Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Um dos mais queridos apresentadores da década de 80, Sergio Mallandro tem como principal característica a alegria, perceptível até mesmo em sua voz. Na véspera de estrear sua noite na Trash 80’s Vila Olímpia, Mallandro falou para o site! Confira!

Trash 80′s: Você iniciou sua carreira como jurado de Sílvio Santos. Como é trabalhar com um ícone da televisão como ele? O que aprendeu de mais importante?

Sergio Mallandro: O Silvio é um gênio! Comecei com ele, com o “Povo na TV” e como jurado. Ele é o melhor apresentador do Brasil! E é muito bom em tudo o que faz. Ele inventa programas e eles sempre dão certo, mesmo quando todo mundo acha que vai dar tudo errado. É certeza, tudo o que ele faz, cria programas, mexa na programação, põe programa pra cá, põe outro pra lá, quando vê, bum! Deu certo. Foi a melhor faculdade que fiz na vida, trabalhar com o Silvio Santos. Aprendi tudo com ele.

Como apresentador, já trabalhou com dois públicos: crianças e adultos. Qual prefere?

Eu gosto muito de trabalhar com crianças. Atualmente trabalho com todos os públicos, mas primeira trabalhei com crianças. Depois mexi um pouco com adolescentes e, aí, comecei a ter um programa para adultos. Hoje em dia, tenho um programa das 18h30 às 19h na Gazeta e, por causa do horário, a censura é livre. Então, todo mundo pode assistir, criança, adolescente, adulto, mães, vovós. Mas eu gosto mesmo é de trabalhar com crianças. Até lancei dois palhaços, o Mallandrão e o Mallandreco, que fazem shows para crianças. Faço uns shows com eles pra ficar perto delas.

Sua imagem é sempre vinculada a de um homem que não cresceu, que continuou menino pela vida afora. Nunca quis mudar isso?

Não. Porque eu ainda me sinto um meninão. Se um dia me sentir velhinho, vou passar a andar que nem um velhinho. Mas enquanto isso não acontece, vou continuar do jeito que sou. Sempre fui desse jeito.


Outras emissoras veiculavam – e até hoje veiculam – as famosas pegadinhas, mas um dos programas mais questionados por exibi-las foi o seu. Como encara este fato?

Sempre falavam das minhas pegadinhas porque elas eram as melhores que tinha na televisão. Enquanto elas estavam no ar, eram campeãs de audiência! Dava dezenove pontos no Ibope contra cinco da Rede Globo e quatro do SBT. Fico muito feliz de ter feito as pegadinhas. Claro, não fui eu que inventei. Só comecei com esse negócio porque meu filho voltava da escola correndo só pra ver um quadro de pegadinhas que tinha num outro programa. Aí, pensei que eu também podia fazer aquilo, que ia dar certo. E deu!

Se pudesse montar um programa de TV só com o que gosta, como ele seria?

Eu estou montando um, na verdade. Quero começar coisas novas. Queria fazer um programa diferente, que fosse uma mistura de “Altas Horas” com “Perdidos na Noite” e com o “Sem Censura”, da Cultura, quando o Serginho Groisman comandava o programa. Queria mais debate, muita irreverência, umas pitadas de “Pânico”, também. Ou, quem sabe, fazer um sitcom. Até tenho texto pra isso, mas é difícil manter a estrutura de um sitcom trabalhando com produtora independente. Porque meus programas são sempre independentes: tenho meus patrocinadores. Quando tem uma emissora por trás, algumas coisas ficam mais fáceis. Mas prefiro continuar com a produtora, comprar meu espaço, porque aí faço as coisas do meu jeito.


Qual o melhor e o pior lado de ser famoso?

A melhor parte é o carinho das pessoas. É sair na rua, ser reconhecido, abraçado e dar autógrafos. Ir a um restaurante e, mesmo que tenha fila, o garçom te arrumar uma mesa, porque ele fica feliz em te atender. Ou ir a uma boate e não pegar fila, porque eles querem você lá dentro. Eu sempre tive sorte. Quando era moleque, surfista, lutava jiu-jitsu, sempre que começava a contar uma história, juntava uns quinze em volta de mim. A fama meio que caiu na minha cabeça, eu não esperava por ela. Mas já que ela veio… Agora, o lado ruim é que, sempre que acontece alguma coisa, é culpa do famoso. Deu briga na boate? É culpa do famoso. Mesmo que o cara esteja do outro lado do lugar, que não tenha nada a ver, é culpa dele. A menina está grávida? É do famoso. Ele nunca viu, mas é dele. Lembra do Ayrton Senna? Ele morreu sem saber se era dele ou não! Ainda bem que tem o lado do carinho também. E só por isso já vale a pena.


Você tem como marca registrada o bom-humor. O que tira Sergio Mallandro do sério?

Tristezas, injustiças, mentiras, traição de amigos, gente com duas caras, tanta coisa. No meu programa, faço um quadro chamado “Hoje É Seu Dia”. Pego uma criança de rua, ou de família pobre, ponho no carro e levo no Playcenter, dou roupa, comida. E fico muito triste quando vejo o estado em que elas vivem. Outro dia, fui à casa de uma família e ela estava sendo despejada. Quatorze filhos na rua. Isso me entristece. Pô, eu tenho três filhos. É muito duro pensar em como vai ser daqui pra frente com as coisas desse jeito. E quem pode fazer alguma coisa não faz. Ficam jogando a culpa uns nos outros. Aí você vê essas CPIs, toda essa corrupção e percebe que ninguém se preocupa com o futuro. Eu faço minha parte, mantenho até uma instituição de crianças, o Instituto Santo Expedito, em Guarulhos. Mas não é suficiente. Precisava ter mais coisas assim.

Como será a Noite do Mallandro na Trash 80’s? Como é seu relacionamento com a festa?

Vai ter muitas brincadeiras, vamos distribuir muitos prêmios, vou brincar com o público, abrir a Porta dos Desesperados. Todas as quintas-feiras no Spazio a gente vai se divertir muito. E a Trash 80’s é em grande parte responsável por essa onda de anos 80 que a gente vê por aí, né? Acho muito legal isso de reviver coisas boas, das pessoas ouvirem o que era legal. Outro dia fiz um show no Rio na Fundição Progresso, onde fazem shows dos Paralamas também, shows grandes. Foi muito legal ouvir seis mil pessoas gritando meu nome. E foi a Trash quem começou isso. Então, eu acho que trabalhar com a festa vai ser muito legal mesmo.

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