Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Pra falar de Rê Bordosa, é bom falar de Angeli. E vice-versa. O cartunista que deu vida à personagem vê na profissão uma forma de diálogo com o público. Por isso mesmo, prefere falar sobre sexo, drogas e rock’n’roll do que sobre assuntos que podem ser considerados polêmicos, mas que não o interessam particularmente.

Rê, por exemplo, é uma mulher paulistana dos anos 80, período em que foi criada. Aquela que bebia demais, fazia as piores misturas, usava as drogas mais pesadas, fazia sexo casual sempre e depois sentia culpa e se curava, de ressaca, numa banheira. Aquela que até queria levar uma vida “normal”, mas que não resistia às tentações junkies que apareciam durante o percurso.

Em entrevista para a revista eletrônica Top Magazine, Angeli conta dois fatos curiosos que o ajudaram a compor o personagem. Primeiro, ao entrar num banheiro masculino às quatro da manhã, dar de cara com uma moça usando o mictório e ficar pasmo, afirma tê-la ouvido dizer que, àquela hora da madrugada, era capaz de coisas que até Deus duvidava. Depois, em um bar com o amigo Mario Prata, assistiu duas moças e um rapaz se atracarem, enquanto o filho de uma delas dormia, tranqüilamente, em duas cadeiras. Rê Bordosa é a essência superlativa das duas cenas. Da mulher que tem atitude, mas tenta se explicar por isso.

Com tiras que contavam uma história completa por dia, Rê foi o personagem que elevou Angeli ao Olimpo dos cartunistas brasileiros. Se Chiclete com Banana, Wood & Stock e Bob Cuspe, entre tantas outras criações do cartunista, fizeram sucesso, Rê Bordosa foi aquela que o tornou conhecido por todo o país. Os homens gostam dela por não se preocupar tanto com sua feminilidade. E as mulheres a amam por fazer questionamentos que, ainda hoje, toda mulher faz um dia, mas não em público!

Aliás, tudo o que se refere à Rê deveria ser dito no passado, já que ela morreu de tédio há um bom tempo. Ainda assim, é tão popular que, vez ou outra, Angeli a faz aparecer (como lembrança ou fantasma). No fundo, a personagem que retrata tão bem uma geração, tornou-se um mito que nem a morte, imposta por seu criador, conseguiu apagar.

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