Por Roberta Ribeiro para Trash 80′s

A constatação de que as novelas não só dos anos 80, mas no geral, são extremamente repetitivas, já foi demonstrada aqui mesmo, no Cultura Trash. Denis Klein, com vários exemplos comprovou o que Roland Barthes já havia dito: existem apenas doze temas possíveis para que se desenvolvam narrativas.

Agora, mesmo com toda a repetição, quem consegue desligar a televisão depois de começar a ver um novo capítulo? E no fim do ano, normalmente em outubro ou novembro, é quase tradição: entra no ar mais uma trama que remete o telespectador ao calor, ao verão.

Na década que inspira a Trash, não era diferente. “Sol de Verão” (1982), “De Quina pra Lua” (1985) e “Top Model” (1989) são apenas alguns exemplos de histórias desenvolvidas à beira mar.

Uma das marcas registradas das novelas de verão nos anos 80 era as capas dos LPs de suas trilhas sonoras. Geralmente uma foto retratava sol, praia e mulheres de biquíni. Outra característica marcante é a forma de tratamento dado aos roteiros. As histórias são leves, com belos cenários e diminui-se um pouco a complexidade do enredo.

As novelas, não só as de verão, mas também elas, ditaram a moda que esteve nas praias do Brasil. Como esquecer do batom Boka Loka, de “Vereda Tropical”? E os modelos de biquíni que foram popularizados ns telinhas, como o asa-delta? É, várias “febres” de consumo foram originadas nestas novelas. Até que outro programa lançasse algo que se sobrepusesse a ele, obviamente.

Agora, se você pensa em novelas de verão e logo imagina uma vila de pescadores, pode esquecer: na década de 80 elas tinham um clima mais urbano, com raras tentativas de núcleos caiçaras, por exemplo. E, com exceções como “Tieta” (1989), a maior parte das novelas acontecem na orla carioca (por “coincidência”, terra natal da Rede Globo…).

Histórias leves, iluminadas pelo astro rei e um litoral povoado por gente bonita. Certamente uma boa forma de passar o verão!

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