Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Dona de uma voz suave ao falar, Mônica Marianno é o típico caso de cantora que se transforma no palco: vira uma grande diva assim que sobe nele. Antes de sua primeira apresentação solo na Trash 80’s, ela contou um pouco sobre sua carreira.

Trash 80’s: Você tem um CD gravado, chamado “Demorou”, que é de 2003. Mas quando e onde você começou sua carreira?

Mônica Marianno: Eu tenho 34 anos e comecei com 14, 15. Então são exatamente 20 anos de música e nesse tempo eu já fiz de tudo. Sou praticamente uma operária da música, qualquer tipo de trabalho musical eu já fiz. O disco que você mencionou é autoral, das minhas composições, um disco voz, violão e percussão, de música brasileira, é uma outra praia, minha praia de compositora. Esse trabalho que eu faço hoje aqui na Trash começou nos anos 90. Eu sempre cantei músicas dessa época, sempre tive paixão pelos anos 80. Em 2001, entrei pra uma banda e conheci o Luis Uras, que é o tecladista da banda Massita & Uras e desde essa combinação, a gente tem feito muita coisa, muitos trabalhos juntos.

Trash 80’s: E como é sua relação com Massita & Uras, uma banda tão querida da Trash?

Mônica Marianno: Todas as vezes em que me apresentei aqui, foi com eles. Exatamente há um ano, quando a Trash fez a festa no Tom Brasil, toquei com eles no programa do Serginho Groissman, “Altas Horas”. Era a cantora que os acompanhava. É uma parceria mesmo, de repertório. Tem sempre aquele “timinho” aqui em São Paulo que está sempre junto.

Trash 80’s: Suas influências não são só os anos 80…

Mônica Marianno: Na verdade, brinco que estou presa aos anos 80, estou enclausurada numa cela nos anos 80. Comecei com essa coisa de ser cantora muito cedo por causa da Rita Lee. Ela foi minha maior influência. Depois a Marina Lima. Aí eu caí mesmo de boca nos ingleses lá, Duran Duran – até hoje quando faço faxina em casa, é minha trilha sonora – Soft Cell, Culture Club e tal. E por eu ser mulher e trabalhar muito em banda de baile, nunca tinha a oportunidade de cantar músicas gravadas por homens. Porque é assim em banda de baile. Tinha que cantar música de mulher e o cantor, música de homem. Só que eu tinha paixão por bandas com homens nos vocais. A sorte é que como sou cantora profissional, tenho várias frentes de trabalho. Esse show Trash Divas, bolei há um ano e meio e mandava pro Tonyy toda hora: “Vamos fazer, vamos fazer?” e surgiu esta oportunidade, mas além de trabalho, é o maior lazer pra mim. Então, o que o público vai ver no show são versões dance de clássicos como “Eu Sou Rebelde”, “Lembranças” da Kátia. Brinquei com essa coisa do moderno, mas o que vou fazer aqui não são imitações. Vou prestar algumas homenagens. A Perla, na verdade, é um pouco imitação. A Gretchen também tem um pouco de imitação, mas são as características básicas das cantoras, então, como eu sempre trabalhei muito como backing vocal, sempre fui obrigada a me ajustar aos cantores, por isso consigo conhecer bem as características e fazer as versões.

Trash 80’s: Talvez o trabalho de backing vocal seja mais difícil do que o do próprio cantor, não é? Porque você tem que saber colocar a sua voz, certo?

Mônica Marianno: Dificilmente as pessoas percebem isso, é muito difícil. Sendo uma boa backing, você pode ser versátil. O legal de ser backing é isso, você pega as “cores”, as características das cantoras. Então, eu tenho todo um trabalho de jazz, de música brasileira, mas a minha paixão são as músicas dos anos 80. Na hora do meu divertimento, faço esse show Trash Divas, ele foi criado pra isso. Foi pra eu me acabar!

Trash 80’s: Cada pessoa tem um jeito de compor, de produzir, qual o seu?

Mônica Marianno: Na verdade, depois que comecei a estudar harmonia, compor virou praticamente um jogo de lógica, é como você sentar para resolver uma equação matemática, porque a música é absurdamente lógica e poucas pessoas sabem disso, ficam sempre com aquela coisa da “inspiração”. A inspiração existe quando se trata de uma idéia, mas geralmente eu estou conversando com alguém, ou é um filme que eu vejo, alguma coisa, pinta uma idéia e dessa idéia já nasce alguma célula que vou desenvolver, sentada mesmo, com meu material de estudo porque a música é noventa por cento transpiração e dez por cento inspiração. Ela exige que você conheça muitos padrões. Esse trabalho também é interessante porque ao entender o padrão de uma década, a de 80, você consegue entender os outros padrõezinhos, o padrão do pop inglês, o padrão do rock nacional brasileiro e o padrão meio brega que a gente usava e que era extremamente bem produzido, mesmo que fosse uma música mais comercial, portanto mais descartável.

Trash 80’s: Que não foi tão descartável, tanto que estamos aqui, não é?

Mônica Marianno: Não, não foi. É que, naquela época, a gente tinha muito preconceito…

Trash 80’s: Acho que a Trash surgiu também para brincar com esse preconceito…

Mônica Marianno: Exatamente, por isso é uma benção.

Trash 80’s: Você fala do brega. É complicado dar uma interpretação pessoal?

Mônica Marianno: É absurdamente complicado. Qual foi minha preocupação: transformar os arranjos. Foi mexer nos arranjos, no instrumental, “re-produzir” [no sentido de produzir de novo]. Com exceção da Perla e da Gretchen, porque é irretocável, a Perla tem toda uma estrutura de harpa paraguaia, a Gretchen tem toda uma produção latina feita, no caso do meu show, pelo Uras, ele criou um medley pra mim e é o que uso até hoje. Mas Kátia, Lílian, você não encontra com facilidade esses arranjos. Então, decidi botar a mão na massa e trazer um pouco pra essa coisa vibrante que é a “galera” da Trash, pra fazer as pessoas dançarem mesmo. Eu sei que todo mundo dança com José Augusto, no ritmo que pode ser o mais lento do mundo, as pessoas vibram. Mas preferi uma coisa mais alto astral, com uma carinha dance. Só que realmente não dá para reler divas. Estou tentando trazê-las mesmo e ressaltar o que cada uma tem de peculiar.

Trash 80’s: Que você adora os anos 80, já deu pra perceber. O que você acha desse revival?

Mônica Marianno: Acho isso legal porque o Brasil pela primeira vez perdeu essa frescura de que o que passa, passa. Lá fora, bandas que eram tidas como breguíssimas nos anos 80 estão aí, têm seu público cativo e nunca param de trabalhar. Já cantava esse repertório e fiquei felicíssima de encontrar um lugar como a Trash, que toca tudo o que eu gosto e queria ouvir para me divertir. Este ano, como te falei, faço 35 anos e me sinto com 18 aqui. Não tenho idade. Não posso vir sempre, porque trabalho na noite, mas quando venho, é minha noite de glória, porque volto a me sentir com 18, 15 anos, quando ficava ouvindo meu vinil lá no quarto.

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