Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

“Vem Dançar Mambolê” , música lançada em 1982, foi o primeiro grande sucesso do Trio Los Anggeles, predecessores de grupos como “É o Tchan”. Em entrevista, Márcio Mendes, vocalista e mentor do trio, fala sobre sucesso e sobre o retorno aos palcos, com a Trash 80’s na agenda ainda em julho.

Trash: Como surgiu o Trio Los Anggeles?
Márcio Mendes:
No final dos anos 70, eu já cantava com meu irmão, Roque. Aí, em 1982, a RCA pediu pra que gravasse um disco com mais duas meninas, manequins da minha escola. Daí, nasceu o Trio Los Anggeles, com a Ana, minha irmã, e Cléo Ferreira.

Trash: Na década de 80, vocês eram ídolos nacionais. Como lidavam com a fama?
Márcio Mendes:
Quando lançamos “Vem Dançar Mambolê”, ainda em 1982, realmente ficamos famosos. E isso aumentou ainda mais com a música na novela “Transas e Caretas”, em 1984. Sucesso é resultado de trabalho. Todo artista quer isso. Eu adoro receber o carinho das pessoas. Mostra que gostam do que faço, que faço bem. Então, sempre foi tranqüilo lidar com a fama. Fico feliz quando as pessoas demonstram carinho por mim!

Trash: Há quem diga que vocês foram precursores de grupos como “É o Tchan”. Incomoda a comparação? Quais as semelhanças e quais as diferenças?
Márcio Mendes:
Sem desmerecer o “É o Tchan”, acho que fomos bem mais que eles. Primeiro, porque hoje, com a Internet, fazer divulgação é muito mais fácil. Depois, porque vendemos muito e você sabe que LP era uma coisa bem mais cara que o CD é hoje. Além disso, o “É o Tchan” nunca fez moda. Sempre tive muita preocupação com isso. Sempre gostei de criar roupas glamourosas para nossas apresentações. Acho que figurinos também são importantes, tanto que, ainda na década de 80, criei a Márcio Mendes Confecções. O “É o Tchan” não tem glamour. É sempre uma sainha, uma miniblusa e tênis. Nunca ninguém viu uma das Sheilas ou qualquer dançarina de lá usando salto alto! As coreografias do Trio Los Anggeles também tinham mais classe. As músicas são parecidas, mas as nossas eram mais ingênuas, a gente falava de carinho…

Trash: De um amor mais puro…?
Márcio Mendes:
É, você disse bem, de um amor mais puro. A gente fazia um figurino pra cada programa a que íamos. Até então, a imprensa de moda nunca tinha olhado pros figurinos dos artistas. Passou a olhar. E nisso também somos diferentes do É o Tchan: o Trio mexia com sensualidade. O “É o Tchan” mexe com sexualidade. Tanto que até hoje dou palestras de moda pelo país. Porque trouxe, por exemplo, a moda de usar flores na cabeça quando Lacroix, estilista francês, lançou isso em Paris. A Ana e a Cléo usavam. Elas mesmas foram minhas alunas de passarela. E tenho orgulho em dizer isso porque elas tinham muita classe! E era essa classe que nos dava credibilidade com o público, que fazia com que fôssemos, e ainda sejamos, tratados com tanto carinho.

Trash: Por que o grupo parou no fim da década?
Márcio Mendes:
Ah, o Brasil é um país sem memória, você sabe… E também, a Ana casou e teve filhos, a Cléo também e o marido da Cléo não gostava muito da exposição. E eu também montei a confecção. Mas sempre quis voltar. E festas como a Trash 80’s ajudaram muito as TVs e a imprensa a perceberem que os anos 80 têm muitas coisas boas, que são sucesso até hoje. Aí, acabou acontecendo, voltamos! Passei um ano no Nordeste e foi um tremendo sucesso! Estive em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e no Rio Grande do Norte e fui muito bem recebido. Aí decidi gravar um CD com músicas inéditas e um DVD com as antigas, com a Ana e, talvez, a Cléo. Mas quero gravar em São Paulo, aqui é meu lugar! E vou convidar mais cinco artistas pro DVD.

Trash: O melhor e o pior da carreira artística.
Márcio Mendes:
O melhor é o glamour, o carinho que a gente recebe das pessoas. O pior é saber que é a imprensa quem determina o que vai tocar. É não haver reconhecimento de trabalhos bem feitos. Tem muita gente que faz um trabalho de qualquer jeito e está na mídia. Felizmente, eu estou bem. Aliás, um furo pra vocês, a partir deste mês, vou apresentar um programa na Big TV de Guarulhos, chamado Chá da Tarde, onde vou receber atores, cantores, políticos… Já apresentei um programa antes, na TV Comunitária, no canal 14. E estou feliz também porque estou de volta aos palcos, onde sou mais feliz. E ainda tenho minha família, meu empresário, pessoas que amo, que me apóiam muito e estão sempre comigo!

Trash: De quando é a formação atual do Trio?
Márcio Mendes:
É de 2003 e agora somos Raquel, Amanda e eu. A Ana ficou até 1996 e a Cléo até 1992.

Trash: Houve um tempo em que as duas meninas que estavam com você eram loiras. E agora?
Márcio Mendes:
São morenas. Na verdade, duas meninas com quem trabalhei pintaram o cabelo uma vez. Mas não gostei e disse pra elas: “A mulher brasileira é morena.” Quando fui fazer show em Miami, uma vez, os americanos quase enlouqueceram com as meninas.

Trash: Como será a apresentação na Trash 80’s? Quais as expectativas do Trio?
Márcio Mendes:
Vamos tocar todos os nossos sucessos, com certeza! “Vem Dançar Mambolê”, “Transas e Caretas” e até uma versão de “Mambo Number 5”, que gravei recentemente. Estou muito feliz em conhecer a Trash. Não vejo a hora de tocar!

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