Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Provavelmente as mulheres nunca serão capazes de entender o fascínio que esportes violentos como o boxe causam nos homens. A graça de ver dois sujeitos se surrando sem piedade é algo que não é compreensível para o sexo “frágil” e de estômago sensível. Mas não dá pra ignorar o quanto o ringue atraía público para a frente da televisão, no Brasil da década de 80.

Um dos motivos mais fortes para tanta popularidade residia no fato de o país ter visto Éder Jofre sagrar-se campeão ainda na década de 60 e, logo no começo dos 80, surgir aquele que seria um dos mais representativos boxeadores do país em todos os tempos: Adilson Rodrigues, o Maguila.

Sergipano de Aracaju, o pugilista veio de uma família muito pobre e seu pai já mostrava uma característica que também o filho carregaria: ser um atrapalhado. Tanto que, ao invés de registrar cada um dos vinte filhos quando estes nasciam, esperava juntar uma “boa quantidade” e só então ia ao cartório. Claro que ele se confundia com as datas e os filhos: Adilson acabou por ser registrado como se tivesse nascido em junho de 1958, quando nasceu mesmo em julho. Ainda jovem, iniciou-se em outra profissão: a de pedreiro. Mas não tinha jeito, seu lugar era mesmo em cima dos ringues.

Logo no início da década de 80, a TV Bandeirantes, por meio de seu diretor de esportes, Luciano do Valle, decidiu investir pesado para transformar o boxe em espetáculo. Apesar de já ter um público interessado, só o que se viam eram lutadores de categorias como peso pena e peso galo. Na categoria mais famosa, havia pouquíssimos representantes brasileiros. Maguila era um deles.

Com 1.86 m, cem quilos, uma direita demolidora e muita valentia, não era de surpreender que rapidamente ele se tornasse um ídolo do esporte no Brasil. E ele correspondeu! Afinal, chegou a ser o segundo no ranking da Associação Mundial de Boxe e lutou com grandes nomes da época, menos um: o temido Mike Tyson. Tudo porque, em lutas que poderiam garantir a disputa posterior com Tyson, Maguila acabou por perder. Foi derrotado por Evander Holyfield e por George Foreman. Depois disso, a mídia o deixou de lado (a essa altura, a Rede Globo havia comprado os direitos de transmissão das lutas), e ele foi obrigado a dar outro rumo à vida.

Mesmo não sendo considerado o melhor lutador brasileiro de todos os tempos (título que pertence, merecidamente, a Eder Jofre), Maguila é uma marco do pugilismo no país. E um exemplo de brasileiro que optou por mudar sua vida, indo atrás do sonho de ser boxeador. Mais que adotar o esporte como profissão, Adilson Maguila Rodrigues escolheu combater a pobreza com os punhos cerrados.

Literalmente.

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