Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Depois de se apresentar no primeiro aniversário da festa, o Brazilian Genghis Khan volta ao palco da Trash quando a festa comemora três anos. Antes do tão aguardado show do grupo, o vocalista Jorge Danel conversou com a equipe da Trash e contou sobre as expectativas da apresentação e o longo caminho que percorreram até aqui.

Trash: Quando e como surgiu o Brazilian Genghis Khan?
Jorge: O Brazilian Genghis Khan surgiu em setembro de 1979. Até então, não existia um grupo que dançasse, cantasse, se caracterizasse, trabalhasse com teatro, criasse personagens, enfim. Como eu sempre fui ligado a teatro, fiz Escola de Belas Artes e tudo, resolvi criar um grupo que fizesse algo mais teatral, que se preocupasse com a criação de uma mise-en-scène.

Trash: De quando é a esta formação que fará show na Trash 80’s?
Jorge: Esta formação é de 1999. Estamos juntos há bastante tempo já. Sempre formo o grupo para durar. Por isso, tem que existir muita cumplicidade, uma meta em comum, confiança mesmo.

Trash: Na década de 80 vocês fizeram jus ao nome do conquistador que usam e chegaram a ser intérpretes da 64ª música mais executada no mundo. Como foi essa época?
Jorge: Foi uma maluquice. Não sei se hoje faria o que fiz naquela época! O Brazilian Genghis Khan estourou logo na primeira música! Tinha planejado um trabalho para dar frutos com três, quatro anos de dedicação. E logo de cara, com “Genghis Khan” foi aquele estouro todo! Fiquei assustado e me senti desestruturado por um tempo. Durante cinco anos seguidos, emplacamos músicas como “Roma”, “Apolo 50” e “Comer, Comer”. Não tínhamos tempo nem de respirar! Pra se ter uma idéia, avião de linha não adiantava pra gente. Tinha sempre um táxi aéreo esperando a gente! Era uma bola de neve!
Um exemplo da loucura: fomos os primeiros artistas a tocar no Projeto Jari, no meio do Amazonas. Era uma fábrica de celulose. Tocamos primeiro pro chefe da fábrica e depois pro “povão” de lá. Eram só palafitas e tivemos que andar por corredores delas, fantasiados para o show! Era divertido! Era cansativo, mas tínhamos uma meta. Chegamos a descer na Transamazônica, para tocar na Hidrelétrica de Balbina. Até pra garimpeiros tocamos e, ao contrário do que muitos podem imaginar, eles respeitaram muito a gente, principalmente as meninas. Até porque elas não têm a vulgaridade das dançarinas de hoje em dia. Elas cantam e dançam mesmo. Os garimpeiros chegaram a oferecer pepitas de ouro pra agradecer o show!
Sempre lembro também que fomos os primeiros a ter dançarinas, a loira e a morena. O É o Tchan só veio no fim dos anos 90. Nós somos de 1979!

Trash: Por que a banda parou na década de 90?
Jorge: Dois integrantes da primeira formação faleceram e tive muitos problemas pessoais que me impediram de continuar também. Como fui forçado a parar por todos esse fatores, tinha vontade de voltar com o conjunto. Aí, quando tive oportunidade, voltei.

Trash: O que vocês faziam antes do BGK?
Jorge: Eu era bailarino, fui primeiro bailarino na Lido de Paris e dancei até no Municipal. Morei em todos os países do mundo, acho que só faltou a Austrália. Tenho carteira da ordem dos músicos desde 1964 e sempre trabalhei com teatro e arte. Todos os outros já tinham trabalhado comigo antes. Eu os observava, ficava de olho no comportamento deles. Não queria ninguém que não pudesse se comprometer de verdade com o grupo. Então, queria pessoas que não tivessem vícios, que fossem concentrados e dedicados. E que não se deslumbrassem facilmente. Porque quero qualidade no trabalho, não necessariamente estar em todas as emissoras de TV. Se fosse pelo dinheiro, talvez existissem profissões em que pudessem ganhar mais. Mas eu amo o que fazemos, não é só financeiro. Aparecer não significa nada. Sempre tive destaque em tudo o que fiz, sem ter que fazer força. Tive muito os holofotes sobre mim. Fui modelo, desfilei pra Rhodia, Levis, Yves Saint Larent, Pierre Cardim. E nunca me deslumbrei. Queria pessoas que fossem como eu. E a Claudia, a Marisa e a Diva são.

Trash: De onde veio a idéia de “Comer, Comer”?
Jorge: É uma versão. Quando começamos o grupo, a RGE [gravadora] queria que gravássemos em inglês. Todo mundo fazia isso: o Christian [da dupla Christian & Ralf], o Fábio Júnior… Aí, gravamos também. Mas como tínhamos cara de estrangeiro, as pessoas acharam mesmo que éramos de fora. Pra não corrermos riscos de sermos descobertos, não dávamos entrevistas! Aí, ficou impossível continuar assim e resolvi dar entrevista em italiano. Só que eu conhecia muita gente e as pessoas sabiam que eu era daqui mesmo, então, todo mundo achava estranho. Daí, resolvemos assumir que éramos do Brasil e virar tudo de cabeça pra baixo. Até ali, cantávamos músicas fortes, violentas mesmo. Do nada, pra estrearmos a gravação em português, gravamos uma música infantil! No começo, tanto a imprensa quanto o público não gostaram da mudança. Afinal, de roupas de guerreiros, passamos a entrar vestidos de cozinheiros, com barrigão (risos). Depois, perceberam que era quase um grupo teatral, camaleônico e que podíamos mudar o estilo que, ainda assim, a qualidade seria preservada. Que fazíamos personagens e que, por ser assim, podíamos gravar aquilo. Aí, virou sucesso! Hoje, “Comer, Comer” e “Parabéns a Você” são os únicos clássicos da música infantil que provaram que vieram pra ficar.

Trash: Além dos shows, como são distribuídas as tarefas dentro da banda fora do palco?
Jorge: Eu dirijo tudo. Mas todos têm voz ativa nas decisões do grupo. Não há empregados no grupo. É aquela história: voz ativa, dinheiro ativo. Todos têm suas porcentagens no lucro. Todo mundo tem poder. Eu mantenho as coisas assim porque, se um dia tiver que sair e só dirigir, quero que continuem com a mesma qualidade de trabalho. Não somos um grupo de adolescentes. Somos adultos e temos preocupações adultas, como com a estética do conjunto. E isso tem que ser de todos!

Trash: O figurino do BGK é bastante diferente. Como vocês o definem?
Jorge: O figurino faz parte do show. Pensamos sempre nas músicas para montá-lo. Vai desde um uniforme, com cores que combinam, até roupas com cores contrastantes. É teatral mesmo.

Trash: Há alguma música de outros cantores ou bandas que vocês queiram gravar?
Jorge: Até seria possível gravar música de outros artistas, muitos são bons. Mas o estilo de música que fazemos é diferente, mais personalizado.

Trash: E o CD de vocês?
Jorge: Chama-se Brazilian Genghis Khan também. Regravamos “Genghis Khan” em português e estamos trabalhando uma música chamada “Toda Criança Precisa”, que é uma crítica à fome no mundo.

Trash: Como foi tocar na festa de um ano da Trash?
Jorge: Eu não conhecia a Trash. E… Acho que não devia dizer isso, mas tinha um pé atrás. Falei com o Tonyy [DJ e um dos sócios da festa] e fui conhecer a festa. Fiquei arrepiado com a mistura de pessoas. Uma verdadeira maravilha! Jovens, velhos, de classe alta e baixa, todas se divertindo juntos! E o comportamento das pessoas também é ótimo! Chegamos lá sem seguranças e todos nos trataram com respeito, como pessoas normais. Aí, quando chegamos para o show no aniversário, tinha polícia na porta e as portas estavam fechadas! Assustamos! Era muita gente! Foi ótimo, apesar do espaço ser pouco no palquinho, né? (risos)

Trash: E as expectativas para o show do mês de aniversário de três anos da festa?
Jorge: Acho que vai ser um sucesso! Estou com as unhas de fora, já. Será superior ao show de primeiro ano. Tenho grande carinho pelo Tonyy. Não quero decepcioná-lo. Ele é uma figura, muito bom como pessoa. E é como eu: homem de uma palavra só. Então, vou fazer o melhor show possível!

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6 comentários
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