Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

“E ontem, o que eu encontrei me deixou mais triste / Um pedacinho dela que existe / Um fio de cabelo no meu paletó…” ou “Ainda ontem chorei de saudade / Relendo a carta, sentindo o perfume…”. Quem nunca ouviu uma dessas pérolas que atire a primeira viola! E não adianta negar: por mais que não se goste, é praticamente impossível não decorar pelo menos o refrão logo na primeira vez que se ouve. E até mesmo a Trash 80’s vez por outra se rende às letras melosas e ao “erre” dito caipira, tão comum no interior do Brasil.

Todo fã de sertanejo sabe: o que mostram nas novelas por aí nada tem a ver com as canções que realmente são trilha sonora nos rincões brasileiros. Para começar, muito do que as pessoas ouvem é uma mistura de música pop com o country norte-americano, quer dizer, música que já sofreu influência do exterior, além de ter um pé na cidade. O ultra-romantismo, que muitos chamam de dor de corno, é outro diferencial. Logicamente que no sertanejo “de raiz” também há canções amorosas. Mas a terra, o interior e seus costumes têm seu espaço garantido em primeiro lugar.

Daí, percebe-se que é possível separar “sertanejo” de “caipira de raiz”. Mas onde entram os anos 80 nisso? Obviamente a música sertaneja tem toda uma história anterior à “década perdida”, mas nos anos 80 o “cancioneiro violado” atingiu níveis de popularidade nunca antes vistos! Nem que fosse só para atirar pedras, a crítica foi obrigada a prestar atenção pela primeira vez e trouxe à tona duplas como Milionário e José Rico, Pena Branca e Xavantinho e até mesmo Chitãozinho e Xororó, que pouca gente sabe, mas tem discos lançados desde a década de 70.

Boa ou ruim? Não há como julgar. A música caipira deve ser respeitada por ser uma manifestação cultural realmente brasileira, cuja origem está longe dos grandes centros e megalópoles do país. É difícil pensar num repertório brasileiro sem mencionar a importância deste estilo.

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