Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Se uma drag queen já faz a festa, imagine duas? Assim é com os gêmeos Marcio e Marcelo, que interpretam os mais diferentes tipos como as drags Dolly & Dolly, pioneiro caso de clone-queens. Com o bom humor que é peculiar à dupla, e que faz a alegria dos freqüentadores da Trash todas as vezes em que elas se apresentam na festa, as meninas concederam a seguinte entrevista:

Como surgiu a idéia de dois irmãos gêmeos virarem drags?
Na verdade, tudo começou com uma brincadeira no bar de um amigo nosso. Sempre chamamos a atenção por sermos gêmeos. Aí ele perguntou se nós gostaríamos de fazer um show lá no bar. Na hora, minha irmã (Marcelo), que é mais empolgada, topou. Eu (Marcio) fiquei um pouco envergonhada, mas topei também. No dia seguinte, já éramos notícia, saiu na Follha de São Paulo na seção “Noite Ilustrada” que já havia nascido o primeiro clone drag do país: “Dolly & Dolly”. Desse dia em diante, não paramos mais de trabalhar.

Os pais de vocês sabem que vocês são drags? Como é a relação familiar?
Desde o primeiro dia em que resolvemos fazer shows, já contamos para eles. No começo foi um choque, nossa mãe não parava de chorar e meu pai achava no mínimo divertido ver aqueles dois rapazes experimentando maquiagem dentro de casa. Nosso relacionamento com eles hoje é uma maravilha, eles são super do bem, respeitam nosso trabalho e às vezes vão aos nossos shows. Adoram.

Como vocês escolhem figurinos e produções?
É uma festa aqui em casa, mais parece um galpão de escola de samba, tem tanta coisa que realmente fica difícil escolher roupas. Nesse caso, depende um pouco do motivo da festa. Aí, selecionamos quais as mais adequadas. Mas quando é só pra dar um “close”, ainda assim demora pelo menos uma hora pra escolher o modelão.

Como conheceram a festa Trash 80’s?
Foi pelo DJ Wander Yukio. Um dia ele nos convidou pra conhecer a festa Trash. Fomos de curiosas, vestidas de menino. Na hora que chegamos, a Paula já nos reconheceu. Ficamos deslumbradas. Ao entrar, estava tocando Sidney Magal e o povo todo dançando. Foi mágico, dançamos a noite toda feito duas crianças de 12 anos.

Qual a relação de vocês com a festa? Como vêem o revival dos anos 80?
Acho que drag queen sempre combina, o visual conta muito. Drag queen é sempre muito exagerada, assim como nos anos 80, em que todos abusavam do visual. Como dissemos, na primeira vez que entramos na Trash ficamos deslumbradas com tudo que encontramos lá. Achamos que este revival dos anos 80 nos faz voltar no tempo e relembrar grandes momentos de nossas vidas.

Vocês também fazem festas particulares, como telegramas animados, chá de bebês, chá de cozinha. Qual a reação das pessoas quando vocês se apresentam em eventos assim?
É divertidíssimo, usamos outros personagens também. Normalmente, nos telegramas animados são os amigos ou os esposos que nos contratam para sacanear os aniversariantes. Eles ficam apavorados! Imagina na sua casa, chegando, uma freira com quase 2 metros de altura. No caso de chá de cozinha, chá bar e chá de bebê, além de tudo, levamos uma maletinha de castigos, caso a noiva (o) ou a futura mamãe errar o presente. Castigo neles!

Dos números que apresentam, qual o preferido? E o mais difícil?
É difícil falar um show que mais gostamos, pois é como um filho: sempre gostamos de todos. Mas agora montamos um que achei muito engraçado, que é o show “Monga, a mulher gorila”, achamos divertidíssimo. O que mais achamos difícil de montar foi o show “Priscilla, a Rainha do Deserto”, pois ficamos 3 meses montando tudo, fazendo as produções e ensaiando horrores. Mas o melhor, de todos os shows, é receber o carinho do publico, que a cada dia aumenta mais. Ficamos muito felizes em fazer parte dessa festa que a cada dia é uma surpresa diferente. Amamos.

www.dollydolly.com.br

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