Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Cinema no Brasil na década de 80 não era fácil. “O Cineasta da Selva” pode ter sido feito em 1997, mas seu título serve bem à década anterior. Os únicos filmes nacionais que davam boas bilheterias eram aqueles dos Trapalhões. A razão é bastante simples: eles eram astros televisivos, conhecidos do público e lidavam com um gênero de fácil aceitação, a comédia.

Ao contrário do que muitos pensam, o cinema nacional à época produziu vários títulos. E nem todos de pornochanchada, como alguns podem imaginar. No entanto, nada comparável ao cinema atual.

A Embrafilme e o Concine davam fomento à produção e títulos como “O Homem que Virou Suco” (1981), “Asa Branca, Um Sonho Brasileiro” (1982) e o curta-metragem “Ilha das Flores” (1989) viraram temas de estudos acadêmicos por sua qualidade intelectual. As películas eram vistas não como mera diversão, mas como meio de fazer o público pensar. O que fazia com que grande parte do que era visto fosse extremamente sonolento e, por vezes, ininteligível. Com teorias marxistas ainda em voga nas universidades brasileiras, que formavam boa parte dos cineastas, cinema comercial “capitalista” não era muito bem visto. Mesmo que isso não deixasse o público lá muito contente…

Boas exceções, que levaram muita gente à sala de exibição mais próxima foram “Bete Balanço” (1981), “Rock Estrela” (1986) e “A Menina do Lado” (1987). Os dois primeiros aproveitavam o recente “estouro” do rock nacional e usavam bandas como chamarizes para o público. Era a geração dourada de Ipanema invadindo as telas com todo o seu gingado e beleza. Obviamente, esses não chegavam nem perto de ganhar prêmios como o do Festival de Gramado, ao contrário do que acontecia com os mais intelectuais.

Diretores como Ugo Giorgetti e Jorge Furtado iniciaram suas carreiras neste período e mantêm-se nas telonas até hoje. Furtado, aliás, também está nas telinhas, como diretor da Rede Globo, onde fez trabalhos como “A invenção do Brasil” (série que depois virou longa), “Comédias da Vida Privada” e “Agosto”.

Contudo, no fim da década, com uma maioria de filmes que não traziam muito lucro, a situação ficou feia para o cinema nacional. Com a decisão de Fernando Collor de fechar a Embrafilme e o Concine ainda em 1990, gravar o que quer que fosse tornou-se caro demais. E uma geração de cinema acabou no Brasil.

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