Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Depois de dois shows na Trash 80’s, estava mais que na hora de Afonso Nigro aparecer numa entrevista por aqui. Muito simpático, ele respondeu a todos as perguntas sem titubear e contou histórias de sua carreira.

Trash: Você era adolescente quando entrou para o Dominó. Foi o primeiro trabalho como profissional?
Afonso: Não, não foi. Comecei como ator, quando tinha 8 anos. Fiz seis novelas antes de fazer parte do Dominó: “Cara a Cara”, “Deusa Vencida”, “Dulcinéia Vai à Guerra”, “Os Imigrantes”, “Maçã do Amor” e “Anarquista Graças a Deus”, onde fiz o filho do Ney Latorraca, inspirada na obra da Zélia Gattai. Também fiz duas peças de teatro: “O Noviço” e “Pinóquio”.

Em “Anarquistas…” eu cantava ópera. Aí, fui convidado para o teste do Dominó. Foi um processo longo, começou quando eu tinha treze anos, com outros 450 garotos. Aí, quando eu já tinha quatorze anos, entrei para o Dominó. Parei com a carreira de ator para me dedicar à banda. Foram oito discos, sete em português e um em espanhol, mais quatro filmes com “Os Trapalhões”, onde tive a oportunidade de voltar a atuar.

Trash: Como você conseguia conciliar a vida profissional e a escola?
Afonso: Até começar o Dominó, ia pra escola normalmente. Quando entrei pra banda, ficou complicado. Fazíamos vinte shows por mês, era corrido. Aí, tivemos que contratar um professor particular, pra terminarmos pelo menos até o terceiro colegial, com 17 anos. Aí, cada um fez uma opção. Não fiz nenhuma faculdade. Fui estudar música, que é o que gosto.

Trash: Há quem compare o Dominó aos Menudos. Como reage à comparação?
Afonso:
Mas isso é uma realidade. O Dominó veio na mesma época que o Menudo e éramos bandas muito semelhantes! Foi o surgimento das bandas de garotos, as boys bands. E isso é cíclico, a cada dez anos surgem bandas novas. Éramos nós, os Menudos, Tremendo, Ciclone. Depois foi a vez do New Kids on the Block e agora, Backstreet Boys e N’Sync. O que une todas estas bandas, apesar de terem trabalhos diferenciados, é o público.


Trash: Como era sua relação com os outros integrantes da banda?
Afonso:
Era normal. Às vezes a gente brigava, até mesmo de tapa, éramos como irmãos. Afinal, éramos garotos! Isso durou até entendermos que a coisa era profissional. Mas sou amigo deles até hoje. O Marcelo e o Marcos eu vejo semanalmente, sempre saímos pra conversar, comer uma pizza. O Nill é o único que nunca mais vi. Faz uns oito anos que não vejo. Acho que ele foi morar fora e virou pastor evangélico, se não me engano.

Trash: O Dominó era do cast da Promoart, do Gugu Liberato. Havia muita pressão sobre vocês por conta disso? O Gugu tinha influência sobre vocês?
Afonso:
Não tínhamos contato direto com o Gugu, a não ser quando íamos assinar contratos (quando normalmente tinha uma festa) ou quando íamos ao programa dele. Quem cuidava da gente, na verdade, eram o Toninho e o Carlinhos. Um deles até é casado com a Aparecida Liberato, irmã do Gugu. Era um regime quase militar mesmo. Mas era preciso, pra conseguir controlar quatro garotos com muita testosterona! A gente chegava a fugir pra ir beijar as meninas… (risos).

Trash: Das músicas que vocês lançaram na década de 80, qual sua preferida? Tem alguma que você não goste ou que não agüente mais cantar?
Afonso:
A que eu mais gosto, que me dá mais orgulho de ter gravado é “P… da Vida”. É uma letra muito boa, que fala de política, de preconceito. Poderia ter sido gravada por qualquer banda de rock, pelos Titãs por exemplo. É um verdadeiro clássico da década.

Das músicas que fizeram sucesso, não tem nenhuma que eu não goste. “Manequim”, “Companheiro”, “Juras de Amor”, “Ela não gosta de mim”, são músicas que adoro cantar.

De cabeça, que eu não goste, tem uma do primeiro disco que chama “Romeu e Julieta” que é bem ruinzinha. (risos) É um retrato de amor adolescente, meio boba.


Trash: E o melhor e o pior da fama…

Afonso: O melhor são as facilidades que a gente têm, ser famosos abre portas. Ser bem tratado em todos os lugares, receber vários convites, ganhar descontos em muitos lugares. Facilita a vida.

O pior… Muitos diriam que é a falta de privacidade. Mas quem trabalha com o público deve entrar na carreira sabendo que não dá pra manter as coisas escondidas muito tempo. Acho o fim o cara que aparece na novela das oito e depois sai na rua de óculos escuros e não quer dar autógrafo… Para mim, o pior da fama são as cobranças. Tipo, se você não aparece todo fim de semana na televisão, sempre vem alguém e pergunta se você parou de cantar. Não meço o sucesso de alguém pelas aparições na TV. Pelo contrário! Quando um artista está muito na TV, é porque provavelmente não está fazendo muitos shows, então está longe do público. Eu prefiro fazer shows a estar na televisão o tempo inteiro. Por isso, odeio este tipo de cobrança!

Trash: Como está sua carreira hoje em dia?
Afonso:
Trabalho como produtor a maior parte do tempo, faço arranjos para a Body System [programa de exercícios que inclui Body Pump, Body Combat, entre outros e é uma verdadeira febre nas academias de ginástica] e nos últimos dois anos, fiz três peças de teatro: “Quem não tem cão, caça com gato”, “Grease”, onde interpretei o papel que foi de John Travolta no cinema, e um musical infantil chamado “H2O”.

Trash: Como foi tocar na Trash 80’s?
Afonso:
Foi muito bom! Pude cantar e lembrar de músicas que não tocava há mais de dez anos. De algumas eu tinha até esquecido a letra. A Trash tem um clima diferente de qualquer outro lugar que eu tenha ido. As pessoas lá não se importam com roupinhas, em estar na moda. Vão lá para se divertir, curtir mesmo. Já estive na Trash 80′s quatro vezes: duas para tocar e duas para me divertir! A primeira vez em que estive na festa, aliás, foi por indicação do Mion [Marcos Mion, apresentador da MTV], quando a Trash ainda estava num hotel. Adoro mesmo a festa!

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Um comentário
  1. Gostaria por favor do contato do Afonso Nigro, pretendemos fazer uma festa com ele! Aguardo retorno.

    Obrigada

    dialog
    Anelise Ferreira comentou em 4 de fevereiro de 2010 às 8:25 Responder

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