Arquivo do mês: novembro 2004

“Preconceito não entra aqui, nós respeitamos a diversidade sexual”. Está lá, estampado em letras garrafais na porta da Trash, e é desde sempre um dos lemas da festa: além da garantia de diversão, a diversidade sempre foi valorizada. O mês de novembro destaca exatamente este lado da festa, com uma programação recheada de performances, DJs convidados e shows celebrando a diversidade. Vamos lá, encarar a vida sem preconceitos?

1/11 – Especial Orkontro Trash 80’s

DJs convidados: Annelise Sampaulo e Antonio Montano
Com mais de 3 mil membros, a comunidade da Trash no Orkut é um importante canal de discussão sobre a festa. Pelo Orkut a Trash recebe elogios, críticas, sugestões e reúne amigos. Nada mais justo, portanto, que uma a festa dedique uma noite por mês a esta turma. Nesta edição, os DJs orkuteiros convidados são Annelise Sampaulo e Antonio Montano, que tomam conta da cabine por uma hora.

4/11 – Pop Trash – Tantã Festival
Ahhh…Eu ‘tou maluco com esses “causadores”!
Uma noite de host: Nando Champss
Performance: Datcho & Rafinha
DJ convidada: Ana Claudia
A Pop Trash já conquistou todo mundo. Karaokê, performances, hosts e DJs convidados transformaram as noites de quinta feira em ocasiões perfeitas para dançar, beber, se divertir e “causar” muito. Na porta o querido trasher Nando Champss recebe o povo, Datcho & Rafinha causam no palco e Ana Claudia é a DJ convidada.

5/11 – Trash Abusada
Performances: Evandro Locomia e Dolly & Dolly
A programação dedicada à diversidade começa com a Trash Abusada. As performances da dupla Dolly & Dolly, que já faz sucesso na Pop Trash e de Evandro “Locomia”, que foi a sensação da última Trash Benê prometem deixar os trashers atônitos. Não dá pra perder!

6/11 – Trash Rainha do Frango Assado
Tributo a Alex Vallauri
DJ Convidado: Danilo Dario D’Aguiar
Performance: Cris Mariposinha

Alex Vallauri foi um artista plástico que trabalhava com street art nos anos 80, em São Paulo. Perseguido pelo prefeito Jânio Quadros, Vallauri realizava intervenções urbanas nos muros da cidade. Um dos personagens mais presentes em suas obras era a divertida “Rainha do Frango Assado” que virou peça de teatro em 86. Em 87 o artista faleceu, vítima do HIV. Nesta noite a Trash presta homenagem a Alex e sua obra.
O maquiador das estrelas Danilo Dario D’Aguiar é DJ por uma hora, e Cris Mariposinha apronta mais uma no palquinho.

7/11 – Matinê Trash 90’s
DJ convidado: Eduardo Prado
Vídeos no telão
Estamos em 2004, ou seja, já dá até pra sentir um pouco de saudade dos anos 90, não? Do “poperô” que animava as matinês ao rock que fazia a alegria dos meninos, a década de 90 tem muita história musical para contar.
Então se você sente vontade de ouvir algumas coisas 90’s na Trash 80’s, essa é a sua chance! O DJ convidado Eduardo Prado promete matar a saudade de todo mundo.

11/11 – Pop Trash – Noite do CuraAtivo
Distribuição de adesivos para “ativar” a todos
Uma noite de Host: Antonio Montano
Performance: Danny Dee
DJ convidada: Analu Soave
Trabalhar no dia seguinte não é desculpa! As quintas-feiras tem sido muito animadas sob o comando do DJ Wander Yukio e do VJ Rafinha Bastos. Karaokê, performances e muita farra são as marcas registradas da Pop Trash. Nesta noite quem recebe os convidados é o host Antônio Montano. No palquinho, Danny Dee faz performance, e a DJ convidada da vez é a “menudete” Analu Soave.

12/11 – Trash Força na Peruca
DJ convidado: George M
Concurso “O mais belo transformista trasher”
Força na peruca! O DJ convidado George M, do projeto Las Bibas from Viscaya vem diretamente da Espanha para a Trash tocar seus maiores sucessos. Já ouviu na pista da Trash uma maluquice que mistura “Mr. Vain” com vocais que dizem “Toda Cagada”? Pois então, isso é Las Bibas from Viscaya! Pra completar a bagunça, um dos concursos da Trash: desta vez a eleição é para o “mais belo transformista trasher”. Não vá perder!

13/11 – ElectroTrash Ao Vivo
DJ convidada: Nany People
Show com a banda Kitsch.Net
A banda Kitsch.Net fez o maior sucesso quando tocou na Matinê, e tanto pediram que aí está: a banda vai apresentar seu “electrotrash” no sábado! Gabriela Alves, Gabi Rossi, Ricardo Severo, André de Abreu e Jorge Acuña garantem um show completo, com as mais divertidas versões para os sucessos cafonas que todo trasher conhece bem. Na cabine por uma hora, a bárbara Nany People declara todo seu amor pela festa.

14/11 – Especial Trash Divas
Verônica Pires canta Madonna, Kylie Minogue, Gloria Gaynor e outras divas do pop
É domingo, mas não vai ter matinê! É porque é véspera de feriado… a Trash vai até de manhã com um show especial da cantora Verônica Pires! As divas dos anos 80, como Madonna, Kylie Minogue, Gloria Gaynor, Cindy Lauper estarão no repertório.

15/11 – Matinê Flash
Trash house e muitos “passinhos”
DJ convidado: Luy
Technotronic, Kon Kan, Marrs, Bomb the Bass… esta festa será um prato cheio para os fãs de Flash House. O DJ convidado Luy vai fazer você lembrar de todos os “passinhos” que fazia com os amigos nos anos 80.

18/11 Trocando as Bolas
Muitas bolinhas, bolas e bolões para “troca-troca”
Uma noite de host: Cleiton
Performance: Nauê
DJ convidada: Eva
Quinta é dia de se acabar de dançar na pista da Pop Trash! Depois do karaokê caricato comandado pelo VJ Rafinha, que vai até a meia-noite, a pista é aberta, e todo mundo cai na dança. Quem recebe o povo é Cleiton, a performance é de Nauê, e a DJ convidada é a trasher Eva.

19/11 – Trash Beardance
Host convidado: Rogério Munhoz
DJ convidado: Juliano Pagotto
Performance: Ursinhos Carinhosos
Os ursos invadem a Trash pela terceira vez! A turma animada, gorducha e peluda faz uma edição da festa Beardance dentro da Trash. Os trashers podem esperar muita animação por parte dos garotos. Nesta noite a brega queen Janeyde dá a vez para Rogério Munhoz receber o público. Nas pick-ups por uma hora, Juliano Pagotto, e no palquinho, Ursinhos Carinhosos muito fofinhos fazem a festa.

20/11 – Trash-O-rama Mix Brasil
DJ convidado: Paco Llistó
Performance: Claudia Cuba
Curtas do festival no telão
Desde 2002 a Trash 80’s faz parte do calendário oficial do Festival Mix Brasil, com a festa Trash-o-rama. Desta vez, além da tradicional exibição de curtas-metragens do Festival no telão, a cabine será ocupada durante uma hora por Paco Llistó, do Mix Brasil, e o palquinho recebe a performer Cláudia Cuba encarnando uma Pombagira muito sofisticada.

21/11 – Matinê Blonde Ambition
Concurso de Madonnas
Performances: “Erótica” e “Material Girl”
Videografia no telão
Madonna é musa dos anos 80, certo? Nada mais adequado, portanto, que dedicar uma noite da Trash a ela. A Matinê Blonde Ambition vai satisfazer os desejos de todos os Madonna Maníacos. Além de um sensacional concurso de Madonnas trashers, performances de Erotica e Material Girl e toda a videografia da deusa no telão completam a noite.

25/11 – It’s Raining…
Traga a sua capa de chuva e participe do concurso
Uma noite de Host: Cris Mariposinha
Performance: Maria Duavon
DJ convidada: Vanessa Blue
Chuvas de verão… dispense o guarda-chuva e vista sua melhor capa para o concurso que vai divertir a Pop Trash. Quem fica na porta recebendo o público é o muso trasher Cris Mariposinha. Maria Duavon faz a performance da noite, e a DJ convidada é Vanessa Blue.

26/11 – Trash Bloggers & Floggers
DJs convidados: Jotta & André Gagliardo
É a noite nerd da Trash! Bloggers e Floggers deixam o computador de lado e correm para a festa toda última sexta do mês, dançar até cansar. Em novembro os nerds escolhidos para cuidar da pista durante uma hora foram Jotta e André Gagliardo. Solte o mouse e vá se divertir!

27/11 – SuperDiscoTrash
A Trash cai uma década para celebrar a Disco Fever
Performances inspiradas em Boney M, Baccara, Village People entre outros.
A pista da Trash ferve quando os DJs dão uma escorregadinha para os anos 70 e tocam os grandes sucessos daquela década. Então por que não fazer uma festa especial com o melhor da Disco Fever e muitas performances? Tire as meias de lurex do armário, calce sua plataforma e vá para a Trash!

28/11 – Matinê Trash Benê
Todos juntos por uma boa causa
Staff completo de DJs
Performances e surpresas
Excepcionalmente nesta matinê não haverá “Mamata*”
Como acontece todo mês, os trashers abrem o coração e fazem uma festa em benefício de alguma entidade assistencial. Shows, performances, staff completo de DJs e muitas surpresas são a marca da Benê. Você pode ajudar comparecendo à festa, comprando camisetas, fazendo doações… fique ligado em www.trash80s.com.br/trashbene

Trash: Como surgiu a banda?

Gabriela Alves: O guitarrista André de Abreu e a cantora Gabi Rossi há tempos queriam fazer um show com música brega. Quando eu comecei a namorar o André, nós começamos a ensaiar umas músicas, de brincadeira. Eu curti tanto que propus ao André chamar a Gabi e montarmos um show que, além das canções, tivesse encenações engraçadas, para inserir um pouco de teatro.

Ricardo Severo: Daí o André assistiu a um evento que dirigi, onde produzi toda a trilha sonora com instrumentos eletrônicos. Inclusive a Gabriela Alves participou cantando…

Gabriela Alves: Aí ele teve a idéia de misturar brega com música eletrônica. Como já havíamos decidido também chamar o Ricardo Severo, que além de meu amigo, é meu sócio em outros projetos, para tocar teclados e fazer a direção musical, foi perfeito, pois o Ricardo tem o maior know-how nisso.

Ricardo Severo: Obrigado… (risos)

Trash: O que é ser kitsch?

Gabriela Alves: Ser kitsch, pra mim, é uma mistura de irreverência, bom-humor, descomprometimento e sentimentos explícitos.

Ricardo Severo: Tudo o que é colocado fora de seu contexto original propositalmente, é kitsch. Como construir um pagode japonês no meio de uma vila africana. Ou a redundância excessiva de uma barraquinha de cachorro-quente que tem a forma de um cachorro-quente. Nessa idéia, eu insiro meu trabalho com música… o que eu mais curto quando sou chamado para produzir um trabalho musical é desvirtuar os arranjos originais de uma canção e colocá-la em um contexto absolutamente novo, irreverente e chocante.

Trash: Por que trabalhar com música kitsch?

Gabriela Alves: Pelas razões que já expliquei. Todo mundo tem um lado brega. Acredito que o sucesso da Trash 80’s tem muito a ver com isso. Aliás, a Regina Case já falava: “o amor é brega! Mas é lindo…” E sua beleza está na capacidade de nos expressarmos livremente. As letras bregas são uma prova disso. É um amor sem pudor nem vergonha de se despir. Já temos questões muito sérias na vida e o romantismo não tem tido muito espaço. Por isso, nós rimos muito fazendo o Kitsch.Net. Queremos nos divertir juntamente com o público.

Trash: Como definir o show do Kitsch.Net? Há algum trabalho que se aproxime do trabalho de vocês, alguma fonte de inspiração?

Gabriela Alves: O show é alegre! É uma homenagem a todas as expressões do amor, e dos intérpretes que se eternizaram emocionando a todos com letras simples, porém cheias de sentimentos. Não nos inspiramos em ninguém em particular. Na verdade, quisemos fazer uma coisa bem diferente da banda Vexame, que pessoalmente gosto muito. Nossa intenção foi apenas montar um show com qualidade musical e cantar essas canções de forma bem-humorada, misturando música e teatro.

Trash: Quais os grandes ícones kitsch para a banda?

Gabriela Alves: São tantos… mas acho que os inquestionáveis e inesquecíveis são Perla, Sidney Magal e Rosana.

Ricardo Severo: Não podemos esquecer dos “esquecíveis”, aqueles de quem a maioria não lembra, mas que são ótimos também, e quando a gente cita, falam: “ah, é”, ou “nossa…”: Julia Graciela, Harmony Cats e Elisângela. Temos ainda para ensaiar canções de Márcio José, Diana e Celso Ricardi.

Gabriela Alves: Das músicas, podemos citar “Domingo Feliz”, do Ângelo Máximo (que realmente é o máximo), que tem sido nosso carro-chefe.

Ricardo Severo: É impressionante como todos que já viram o Kitsch.Net se envolvem com essa música! Cantam junto, fazem as nossas coreografias…

Trash: Se a banda fosse trabalhar também com versões para sucessos cafonas dos anos 90 e 00, quem seriam as “vítimas”?

Ricardo Severo: Bom, a Rosana é quase 90, “O Amor E O Poder” é de 88. Mas não existe um brega “autêntico” depois dos anos 80, as bandas new wave e os grupos infantis já estavam quase acabando. Só se pegarmos os “sobreviventes” das boy-bands. Acho que não dá pra enquadrar Reginaldo Rossi, Mamonas Assassinas e Falcão junto com Vanusa, The Fevers e Wanderley Cardoso, por exemplo, pois os primeiros assumem que são bregas, já os outros não.
Mas temos alguns sucessos dos anos 60 também, quase todos os cantores da jovem-guarda são ótimos, principalmente a ternurinha Wanderléa… “Essa é uma prova de fogo, você vai dizer se gosta de mim…” Estamos ensaiando “Pobre Menina”, de Leno & Lílian, para as próximas apresentações.

Trash: Quem é o supra sumo do kitsch na opinião de vocês? Citem uma música e um artista.

Gabriela Alves: Sidney Magal, todas as suas músicas.

Ricardo Severo: Gretchen, é claro, e todas as suas músicas também. Esses dois não podem faltar numa coletânea brega.

Minha paixão pela Trash começou no exato momento em que ouvi o saudoso “la la la la lala” do Show de Calouros. Era a SBTrash e o Rico Suave, vestido de Sílvio Santos, chamava seu corpo de jurados. Enquanto Pedro de Lara, Mara Maravilha, Sarah do Cavalo de Fogo e até a Aracy de Almeida iam subindo no palquinho, eu, que minutos antes pensava “maldita hora em que vim parar nesse lugar de malucos”, gritava e tinha ataques de riso a cada personalidade lembrada pelo Patrão. Nessa noite eu me joguei na pista, entrei em dúzias de trenzinhos de desconhecidos que passavam por mim, chorei de rir com todas as músicas maravilhosas que há tanto tempo eu não ouvia e relutei muito em ir embora. Queria mais, muito mais!

No entanto, isso tudo ainda não tinha sido suficiente pra me fazer perceber que era ali, no calor quase que insuportável do Caravaggio, que eu deveria estar todos os sábados. A ficha só foi cair no dia 16 de maio, 1 ano de Trash 80′s, show de Brazilian Genghis Khan. É impossível tentar traduzir em palavras a sensação que tive ao ver um bando de gente pulando e gritando “Comer comer, comer comer, é o melhor para poder crescer”. Inesquecível!

A partir de então, percebi que já estava no caminho sem volta. Comecei a conhecer os estranhos que faziam toda a mágica da festa. Não demorou muito e passei a sentir falta dessa gente esquisita durante a semana. E aí eram telefonemas, intermináveis conversas por MSN, visitas diárias aos fotologs e blogs, churrascos, terças-feiras no Charm, bombeirinhos no Ben-Hur, French Kiss no palquinho, tequila no mezzanino, funk no domingo de manhã na pista vazia…

Enfim, não existe slogan mais perfeito do que “diversão garantida”. É a melhor definição para a festa que mudou meu modo de pensar e que me fez conhecer tantos amigos maravilhosos em tão pouco tempo.

Alguns dos meus artistas preferidos:

Xuxa – Sou daquelas que se ver a Xuxa na rua grita: “Xuxa eu te amooooo!” Uma das melhores recordações que tenho da minha infância foi quando minha mãe me levou no show dela no Olímpia. Ela entrou cantando “Lua de Cristal” e eu mal conseguia enxergar a rainha, de tanto que chorava!

Magal – Não tem como ouvir “Meu Sangue Ferve Por Você” e não sair dançando, com direito a muitas caras e bocas, tentando imitar todo o charme latino do galã.

Madonna – Ela é perfeita! “Vogue” é a cara da Trash.