Por Trash 80´s

Talentosa e de uma beleza incontestavelmente exótica, Rosana Fiengo nasceu no bairro paulistano do Brás, em 7 de março de 1962. Cresceu ouvindo músicas sobre grande influência do pai, que tinha um grupo de rock. Seus estilos preferidos eram blues, jazz e rock.

Precoce, começou a tocar teclado ao seis anos de idade incentivada pela tia Eda, que tocava piano. Aos nove anos iniciou a expansão seus dotes musicais aprendendo outros instrumentos, como violão clássico e guitarra. “Toco todos os instrumentos de corda, teclado, piano, faço bases de gravações, gosto muito de poder eu mesma tocar os instrumentos nas músicas que canto. Entender de música além dos vocais dá um toque a mais. Você pode ir além porque sabe que um violão pode chegar até certo tom, isso complementa a beleza da voz”.

Com apenas 13 anos começou a cantar profissionalmente na banda de seu pai, Aldo Fiengo, a “Casanova’s”. A partir de então começaram as viagens com shows e animação de bailes em cidades do interior da capital. “Tive muita influência de meu pai no início porque ele já era músico. Me ensinou a apreciar estilos poucos populares como jazz e blues, mas acabei me tornando uma fascinada por MPB também. Considero como o melhor dos estágios esta minha fase de animação de bailes viajando pelo país. Aprendi demais, foi a base para a cantora que eu estava para ser e não tinha nem idéia”.

Seguiu a carreira fazendo diversos jingles publicitários e backing vocals para cantores renomados. “Gravei com muita gente conhecida. Adorava ver de perto pessoas que eu admirava tanto. Às vezes simplesmente não acreditava que estava fazendo vocais para os cantores que eu via na televisão e ouvia no rádio. A única pessoa com quem sinto não ter gravado foi com meu ídolo maior, Elis Regina. Minha carreira tem muito de inspiração dela”. Rosana teve contato com Elis quando comemorou aniversário de uns 12 anos, ela lembra: “minha mãe, dona Zenaide conseguiu me levar a um ensaio da artista. Foi maravilhoso! Não sabia o que dizer a ela então me agarrei a suas pernas e disse que também era cantora” – se diverte.

Rosana teve participações em vários festivais de MPB, sempre se classificando como melhor intérprete e deixando o público boquiaberto com sua capacidade vocal. Mesmo assim foi rotulada como uma cantora de estilo elitista por cantar ritmos como r&b, jazz e blues e não fez muito sucesso. Em 1981 classificou-se o Festival MPB Shell da TV Globo e, no ano seguinte, assinou contrato com a RCA, mas acabou não lançando nenhum disco. “Eu sempre tive muita autocrítica. As músicas que eu escolhia eram aquelas que eu gostava e eram fora do circuito popular, aquele que vende discos”.

Com o caminho de sua carreira seguindo diferente daquilo que esperava, Rosana ficou em dúvida entre seguir como cantora ou estudar: “Tinha 18 anos e tinha passado no vestibular para psicologia da Gama Filho e era uma coisa que eu queria muito. Aliás, até hoje eu adoro saber sobre coisas relacionadas à psicologia. Tive que optar pelo estudo ou pela música e fiquei muito indecisa, mas acabei escolhendo o que todo o Brasil sabe” – explica.

Mesmo assim, depois de algum tempo tentando fazer decolar a carreira, decidiu se mudar para os Estados Unidos para trabalhar por lá com um grupo de “heavy metal-rock” que havia montado: “Queria ir embora e ver se alguma coisa acontecia lá fora, porque aqui parecia que nunca iria dar em nada. E mais uma coisa: eu estava atravessando uma fase muito confusa. Ecletismo de estilos era o que não me faltava. Por bondade de Deus, minha voz sempre se encaixou em qualquer que fosse o gênero. Amava Janis Joplin e Elis e me julgava capaz de cantar tão bem quando ambas”.

Neste intervalo de preparativos para a ida ao exterior, o sucesso parece ter batido à sua porta por interferência do destino. Por obra do acaso, uma fita demo foi parar na TV Globo com a música “Nem Um Toque”, e foi incluída na trilha sonora de uma novela no horário de maior audiência. A novela era a “Roda de Fogo”, das 20h, e a música tornou-se uma das mais executadas nas rádios daquele ano (1986). Era o lançamento de Rosana como cantora romântica. “Eu nem lembrava que eu tinha gravado a música, acredita? O Max Pierre da Som Livre que me conhecia desde a época dos jingles e backings, acreditava mais em meu sucesso do que eu mesma e me fez gravar “Nem um Toque” em estúdio. Na verdade, a música estava escalada para outra cantora, mas quem gravou fui eu, sem a menor pretensão de nada mesmo”. A canção era tema da personagem interpretada pela atriz Mayara Magri, que era apenas uma das coadjuvantes da história. Apesar disso, ganhou um destaque enorme pelo interesse imediato do público.

Na época Rosana morava em São Paulo com a mãe e o seu pai morava no Rio de Janeiro. “Estava mesmo de partida para o exterior quando o meu pai ligou dizendo que a música estava estourada nas rádios do Rio. Ele me disse para ficar que aquele seria o momento de começar definitivamente minha carreira. Ouvi e fiquei, ele estava certo”.

A busca do sucesso em terras estrangeiras ficou para trás naquele momento. Rosana ficou no Brasil e se tornou em pouco tempo uma das mais aclamadas cantoras pop da década de 80. “Cair do anonimato direto para um dos hits mais executados em rádios foi muito pra mim. Eu não sabia como agir, não sabia o certo que rumo estava tomando a minha vida, mas só sei dizer que eu estava adorando tudo aquilo”.

O título de grande cantora se confirmou aos 25 anos com o sucesso seguinte: “O Amor e o Poder”. A música foi mais uma trilha de novela em horário nobre, desta vez era tema dos personagens principais, Vera Fischer e Nuno Leal Maia, na novela Mandala de 1987. O verso “como uma deusa” foi cantado pelos quatro cantos do país. Virou a música mais tocada em todas as rádios e Rosana passou a participar de todos os programas de auditório, aclamada pelo público que cantava junto com ela cada palavra da canção. “Toda vez era uma emoção única, nunca pensei em sucesso queria apenas cantar porque era a minha verdadeira paixão”.

A “deusa” de “O amor e o Poder” é associada até hoje à figura de Rosana. Era assim que o grande público a chamava e a chama até hoje. Basta lembrar da potente e inigualável voz de Rosana Fiengo, facilmente adequada a qualquer timbre, ritmo e estilo, que mesmo afastada da mídia retorna à memória dos brasileiros automaticamente.

Foram 10 discos, 14 trilhas de novela, dezenas de prêmios, viagens e turnês por vários países. “Eu saí da mídia, mas nunca parei com os shows. Viajei bastante, amadureci muito, tive um filho! Como a vida muda depois da maternidade! Hoje o David tem 6 anos e me acompanha pra onde vou. A carreira de cantora que estava 3 dias por semana no programa da Xuxa ficou pra trás”. Sente falta do assédio do público? “Sinto. Aliás, é uma das poucas coisas que sinto falta. Fui eu que optei por me manter mais distante dos holofotes mesmo continuando minha carreira com shows até mesmo fora do país. Sabe, na época que o sucesso está acontecendo a gente nem se dá conta! Não aproveita nada, não vê o tempo passar, simplesmente acontece”.

Atualmente os projetos são muitos: “Em primeira mão, hein? Tenho um projeto de programa na televisão. Só não posso revelar em qual emissora ainda. Vou fazer um programa de artes plásticas. Ninguém iria acreditar, né? A Rosana suja de tinta ensinando a pintar!” – brinca a cantora. “Também vou participar de um festival de música internacional em Barcelona, estou ansiosa e feliz”.

“Na Trash 80’s? Queria fazer uma grande brincadeira na minha apresentação! Imagina que legal se enquanto eu cantasse tivesse uma drag fazendo uma performance bem exagerada junto comigo? Nossa, seria expetacular!” – se diverte.

OBS: Se Rosana mudou com o passar do tempo foi para melhor. A qualidade da voz da artista até assusta, pois flui com uma naturalidade absurda. Sai firme, forte, perfeita. Durante o ensaio para o show que fez em um bar no bairro de Higienópolis, em São Paulo, a cantora deu um espetáculo. Tentar fotografá-la foi algo quase impossível. Metódica, não parava um segundo quieta enquanto o som não estivesse totalmente da maneira que desejava. David, o filhinho de 6 anos, canta do começo ao fim todas as músicas da mãe e sente orgulho. Ver de perto a “deusa” foi algo que esperava há tempos, desde os inesquecíveis “Globos de Ouro” e prêmios Sharp, que venceu por tantas vezes.

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2 comentários
  1. Ela nasceu em 1956, isso sim! Eu nasci em 1963 e sei que ele é bem mais velha do que eu, eis que me lembro de sua carreira desde 1976.

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  2. rosana te desejo sucesso total e o Davi e um anjo que Deus lhe deu seja muito feliz beijos do seu fã Roberto Lucena

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    roberto lucena comentou em 9 de setembro de 2010 às 18:29 Responder

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