Por Ligia Helena para Trash 80′s

Azul era cor de menino, rosa, de menina. Eles colecionavam carrinhos de ferro, elas, papel de carta. Na cabeça das pequenas, tiara. Na deles, boné. Na hora de brincar com bonecos, não era diferente: toda menina tinha que ter pelo menos uma Barbie e várias Fofoletes. E todo menino tinha que brincar com o Falcon ou com os Comandos em Ação.

Enquanto elas viviam o glamour do mundo cor de rosa da boneca loira, eles viravam soldados por algumas horas em trincheiras imaginárias, lutavam contra inimigos e animais poderosos, usavam armas de altíssimo calibre. Dirigindo o jipe de guerra, muitas vezes destruíam a casa dos sonhos da Barbie das irmãs com requintes de crueldade. Faziam das Fofoletes reféns, entre outras barbaridades que só os bonecos de ação eram capazes de fazer.

O Falcon é uma espécie de irmão mais velho, maior e mais bonito dos Comandos em Ação. Foi lançado pela Estrela, em 1978. Os primeiros bonecos tinham temática militar, roupas camufladas e armas de guerra, mas rapidamente novos modelos foram criados, e o Falcon tornou-se herói num sentido amplo. Pouco importava se a aventura era subaquática, terrestre ou aérea – ele encarava, com seu rosto barbado, cabelos sintéticos e roupas incríveis. Não à toa, este brinquedo virou ícone de masculinidade nos anos 80 e, ao mesmo tempo (ou até por isso mesmo), passou a ser cultuado pela comunidade gay.

Quando o Falcon deixou de ser fabricado, em 1984, os meninos ficaram órfãos. Não havia outros bonecos para que eles brincassem, e o Bob – namorado da Barbie, que depois foi trocado pelo Ken – não era exatamente o brinquedo ideal: não tinha armas, não matava ninguém, não era aventureiro, e sempre acabava fazendo as vontades da loira.
A Estrela tratou então de lançar em 1984 mesmo os sucessores do herói barbudo: uma equipe de soldados que combatia inimigos terríveis. Os bons eram Comandos em Ação. Os maus eram Os Cobras. Estes bonecos eram menores que o Falcon, mas tinham o diferencial de serem todos articulados, permitindo movimentos com a cabeça, braços, mãos, pernas e pés, o que possibilitava diversas posições para o combate. Por outro lado, os Comandos em Ação não tinham tantos detalhes como seu antecessor. As “roupas” eram pintadas no plástico, bem como os bigodes e cabelos. Ainda assim o brinquedo fez sucesso entre os pequenos da época.

As crianças crescem. Algumas meninas resolvem seguir o modelo da mulher conhecida e admirada na infância, e passam a vida tentando ser loiras, peitudas, magras e ricas como a Barbie. Nem sempre é fácil.

Já os meninos… bem, se tantos não fugissem apavorados do serviço militar obrigatório, poderiam viver as aventuras de Comandos em Ação e Falcon na vida real. Bastaria querer. (Será que longe de nossos olhos, os soldados de plástico passavam a noite engraxando coturnos?)

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