Por Ligia Helena para Trash 80′s

A videoarte surgiu no Brasil em 1974, quando um grupo de artistas foi convidado para participar de uma mostra na Filadélfia. O artista Jom Tob Azulay providenciou o equipamento necessário para que seus colegas cariocas pudessem produzir o material para expor.

Em São Paulo, a videoarte teve início em 1976, no Museu de Arte Contemporânea da USP. Os artistas que produziam videoarte nesta época queriam, em sua maioria, romper com os padrões estéticos da arte e pintura “de cavalete”. Eles faziam parte do mesmo grupo de pessoas que resolveu sair às ruas e produzir intervenções na paisagem urbana, ou então performances em que o próprio corpo era o suporte para a arte.

No início dos anos 80, a videoarte brasileira já estava “amadurecida”, e então os jovens recém-saídos das universidades começaram a se dedicar ao vídeo independente. A videoarte não era mais produzida para ser exibida nos museus e galerias de arte, e sim na televisão, para milhares de pessoas ao mesmo tempo. Os festivais, como o Videobrasil, de São Paulo, também serviam como incentivo para a produção das obras magnéticas. Foi então que surgiram duas das produtoras mais inventivas e importantes da história da videoarte brasileira: a TVDO e a Olhar Eletrônico.

A TVDO (lê-se TV Tudo) foi criada por estudantes de televisão da ECA, Escola de Comunicação e Arte da USP, e participava ativamente do cenário artístico e cultural da época. Além dos vídeos “avulsos” que produziam, a TVDO desenvolveu um trabalho junto a banda Gang 90 & Absurdettes. A banda fazia o som, e a produtora fazia a parte visual dos espetáculos, numa prévia do trabalho feito pelos VJs hoje em dia. O grande nome da TVDO é Tadeu Jungle, e as obras mais marcantes são “Nom Plus Ultra”, de 1985, e Duelo dos Deuses, de 1988.

A Olhar Eletrônico surgiu em 1981, criada por estudantes da FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Realizava documentários e programas jornalísticos, e tinha como carro chefe o personagem Ernesto Varella, interpretado por Marcelo Tas. As obras da Olhar Eletrônico eram questionadoras de uma forma divertida. Ernesto Varella era ingênuo, e por isso fazia entrevistas divertidíssimas. Certa vez, entrevistando o então candidato oficial da ditadura militar à presidência da república, Paulo Maluf, lhe perguntou, sem enrolação: “É verdade, Sr. Maluf, que o senhor é um ladrão?”. Só Ernesto Varella era capaz de uma coisa dessas. Da Olhar Eletrônico, além de Marcelo Tas, outro nome importante é Fernando Meirelles, que depois dirigiu “Cidade de Deus”.

Atualmente os videoartistas concentram-se mais na produção de videoclipes e na atividade de VJ. Uma boa amostra do trabalho destes profissionais esteve presente no festival de música eletrônica Sónarsound, em que o line-up de VJs teve quase tanta importância quanto o line-up de DJs. Como se vê, a videoarte chegou no Brasil em 1974 e não deve morrer tão cedo.

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