Por Georgia Nicolau (Gigi)

O começo do SSS está ligado à história do Generation X. Lembram-se do guitarrista Tony James? Quando o GENX se desfez, Billy Idol seguiu carreira solo nos EUA e Tony continuou persistindo na idéia de formar uma banda “perfeita”. Para tanto, viajou por lugares exóticos atrás de pessoas que tivessem pose de estrela (rock star), mesmo que não soubessem dedilhar uma nota…

Tony encontrou Neal X num anúncio na Melody Maker. X também tocava guitarra e tinha o cabelo oxigenado estilo moicano. Juntos, passaram nove meses procurando por outras estrelas. Igual a cenas de filme, eles freqüentavam bares, cafés, cabeleireiros, lojas de roupa, etc, na tentativa de encontrar alguém que tivesse atitude.

Um dia, no London’s Embassy, Tony James foi falar com o vocalista que estava se apresentando, Andrew Eldritch, e perguntou se ele queria abandonar o Sisters Of Mercy para se unir a um novo conceito musical. Logicamente, a resposta foi não. Mas continuaram em contato e tornaram-se amigos. (em 89, Andrew convidou TJ para se juntar ao Sisters.) Annie Lennox também foi cotada para a vaga, mas Tony James apesar de achar sua voz fantástica, não queria uma garota nos vocais. Mais tarde, uma das músicas que eles criaram numa jam session tornou-se um grande hit do Eurythmics.

Estava na moda de Londres o visual punk a la Cramps. Então, encontraram Martin Degville, dono da loja de roupas YAYA, em Kensington Market. Ele usava saltos altos (e agulha), cabelos espetados e tinha muita atitude. Os três reuniram-se e começaram os ensaios na casa de Magenta Divine – uma apresentadora de televisão de esportes e musa de Tony James. O problema maior era que eles ainda eram um trio… (e mesmo assim, fizeram um show de abertura para o Thunders em um clube de Paris).

Dois bateristas entraram para a banda. Sim, você não leu errado. Eram dois bateristas, igual à banda de Gary Glitter. Ray Mayhew e Chris Cavanaugh, além da tecladista Yana (também dona da loja YAYA) completaram o grupo. Pasmem: Ray não sabia tocar bateria quando entrou para a banda “sem nome” (é, porque até esse momento já se tinha passado uns três anos e eles não tinham a mínima idéia do nome que a banda teria). Nessa época ninguém iria adivinhar que depois ele se tornaria um caso a parte. (Anos depois, mandaram fazer camisetas com as datas em que ele aparecia em tribunais e cortes judiciais, iguais aquelas t-shirts que trazem as datas de turnê).

Tony James leu uma matéria sobre uma gangue de rua em Moscou chamada Sigue Sigue Sputnik (queime, queime, Sputnik), no Herald Tribune. Além do nome ter chamado sua atenção, ele se lembrou que Little Richards não quis mais cantar após o feito do satélite. E ainda, Sputnik é o nome de uma gangue de motoqueiros que quando matam alguém fazem um entalhe no braço do morto. Mais controverso, impossível.

As principais influências do SSS eram Ziggy Stardust, New York Dolls, Elvis Presley, Sex Pistols, filmes como Blade Runner e outros de ficção científica. O conceito que eles criaram para seu som era “futuristic rock’n'roll”. O que conta aqui na verdade, era a autopromoção que Tony James fazia e o visual bem exagerado dos integrantes, além das bizarrices que eles mesmo promoviam em shows e em suas aparições.

Em 85 fizeram seu primeiro show (e foram também a banda de suporte do New Model Army, responsável pela música 51st of America). As letras evocavam sexo e tecnologia e as músicas eram todas muito parecidas umas com as outras. Mesmo assim, chamaram a atenção da gravadora EMI e assinaram um contrato. O primeiro single a ser lançado foi Love Missile F1-11, produzido por Giorgio Moroder (Flashdance, Donna Summer, Blondie). Sucesso na Europa e Japão, rapidamente chegaram ao topo das Paradas.

No ano seguinte, lançaram o primeiro álbum, Flaunt It, também produzido por Moroder. O segundo single vendeu bem, aliás, mais no Brasil do que na Inglaterra. Convidaram o produtor Liminha (Mutantes) para produzir seu segundo álbum: Dressed for Excess.

Abusando do uso de sintetizadores, a novidade já não parecia tão novidade assim. Apesar das vendas serem boas, a gravadora já não dava mais suporte (e $$$) para eles, que além disso, não tinham um empresário de verdade. A verdade é que o público já estava acostumado com eles e o mundo do showbizz precisava de outra coisa que chamasse a atenção dos consumidores.

Dez anos se passaram e em 95, TJ comprou um Macintosh. O SSS estava mais vivo do que nunca, pelo menos no mundo virtual. É criado o site oficial e fãs de todas as partes do mundo escrevem para a banda, que começa a vender seus discos pela Internet. Alguns álbuns foram lançados contendo material antigo remixado e versões…

Em 2000, retornaram como o trio original, fizeram alguns shows, mas não foi a mesma coisa. Aliás, alguém sabe por onde eles andam?

Gostou? Veja também:
Comente no Facebook
Comente