Por Ligia Helena para Trash 80′s

É chato remexer no passado, quando ele é inglório, não é? Mas vamos lá, gente, coragem. Afinal de contas de 82 pra cá nós já vencemos muitas vezes. Está na hora de olhar pra trás e conferir os fracassos, sem traumas.

Porque não há como negar: a década de 80 não foi nada boa para o futebol brasileiro. A seleção disputou três Copas do Mundo, e nas três não conseguiu chegar nem na semifinal. Em 1982, a culpa caiu nas costas de Telê Santana. Em 1986, Zico que sofreu com as críticas. Em 1990, o “burro” foi Lazaroni. Para cada fracasso, um culpado. Vamos relembrar?

1982: Copa da Espanha. O Brasil tinha o time dos sonhos de qualquer torcedor: Junior, Falcão, Sócrates, Toninho Cerezo e Zico estavam entre os jogadores. Telê Santana comandava o time com maestria. Era época do chamado futebol-arte.

A seleção brasileira era a favorita ao título e parecia claramente superior aos adversários, mas sucumbiu na quinta partida. Já havia derrotado as seleções da União Soviética, Escócia, Nova Zelândia e Argentina, mas não resistiu à Itália, logo na segunda fase. O futebol-força venceu o futebol-arte numa partida emocionante, que só foi decidida aos 29 minutos do segundo tempo, com o placar de 3 x 2. E a seleção canarinho só precisava de um empate…
A tristeza no Brasil era aplacada com a frase “fomos campões morais”. Mas campeão moral não leva a taça, nem as medalhas, não sobe no pódio…

1986: Copa do México. Ué, mas a Copa do México não foi em 1970, com o Brasil campeão? Pois é, em 1986 a Copa ia acontecer na Colômbia, mas o clima de faroeste do país fez com que o campeonato fosse transferido pro México. E foi assim, numa Copa que já começou meio torta, que o Brasil tentou se recuperar do vexame de 1982.
O time? Uma maravilha! Tínhamos Zico, Junior, Falcão e Sócrates novamente. E ainda Muller, Casagrande… muitos craques! Era seleção para ser campeã!
Parecia uma reprise da Copa de 1982. Um a um, fomos derrotando os adversários: Espanha, Argélia, Irlanda do Norte, Polônia. Até que, nas quartas de final, a seleção brasileira encontra a seleção francesa. Os 90 minutos terminam em empate, 1 x 1. Na prorrogação, sofrida, 0 x 0. A decisão teria de ser nos pênaltis.
A França venceu, com o placar de 4 x 3. Mais uma vez a seleção é eliminada nas quartas de final. E dessa vez o Brasil todo tinha em quem pôr a culpa: se o Zico não tivesse errado aquele pênalti no segundo tempo, tudo seria diferente… foram 4 anos de muita mágoa e rancor, até 1990.

1990: É, 1990 é 80’s sim! Afinal de contas a década de 90 só começa em 1991. Isto posto, vamos aos fatos: esta Copa foi um fiasco.
Sem Telê Santana, a direção do time ficou a cargo de Sebastião Lazaroni, numa tentativa desesperada de modificar o futebol jogado pela seleção até então. Ao invés de dribles espetaculares, jogadas de extrema beleza plástica, muita técnica e habilidade, a seleção deveria adotar um estilo de jogo mais veloz e com mais aplicação tática, seja lá o que isso queira dizer.
Os jogadores não eram grandes estrelas: Taffarel, Mauro Galvão, Dunga e Branco eram alguns dos nomes mais conhecidos.
O Brasil foi eliminado – vergonha – nas oitavas de final, por sua maior rival – vergonha – a Argentina, numa partida que terminou em 1 x 0. A pior performance da seleção brasileira em Copas do Mundo.
Dá até pra fazer um mea culpa: o Brasil foi mal, mas a Copa toda foi terrível. Menor média de gols por partida da história da competição, jogos com muita pancadaria e pouco brilho e a vitória de um país que logo depois deixou de existir: a Alemanha Ocidental foi campeã mundial no ano em que caiu o mundo de Berlim. Curioso, não?

Gostou? Veja também:
Comente no Facebook
Comente