Por Ligia Helena para Trash 80′s

Richard David Court, ou Ritchie, nasceu em março de 1952 em um condado no sul da Inglaterra. Passou a infância e adolescência mudando de casa, de cidade e de país, pois seu pai, militar, viajava muito.

Aos 20 anos, largou os estudos e resolveu viver de música. Tocava flauta em uma banda iniciante em Londres. Ele conta: “quando eu gravava o disco da banda Everyone Involved, conheci um grupo de brasileiros: os integrantes da banda Mutantes e outros que falaram para eu ‘pintar lá em casa’. Foi exatamente o que eu fiz”. No final do mesmo ano, Ritchie preparou as malas e veio para o Brasil.

Em São Paulo, formou a banda Scaladácida, que conquistou um público razoável, mas só durou até o final de 1973. Aí, já casado com uma arquiteta e estilista carioca, Ritchie mudou-se para a “cidade maravilhosa”.

Versátil, Ritchie dava aulas de inglês e fez parte de bandas de jazz, como o Soma, e de rock, como A Barca do Sol, nas quais era flautista. Quando se atreveu a largar a flauta e cantar, na A Barca do Sol, foi dispensado pelos companheiros. Aí foi convidado a cantar e tocar flauta no Vímana, banda de rock progressivo.

Nesta banda, Ritchie tinha como companheiros os músicos Lulu Santos e Lobão, além do baixista Fernando Gama e do tecladista Luiz Simas. O Vímana conquistou um público fiel no Rio de Janeiro e lançou um compacto chamado Zebra, em 1983. A banda acabou pouco depois da saída de Lulu Santos, que partiu em carreira solo. Ritchie então voltou a dar aulas de inglês, até que foi procurado por Jim Capaldi para trabalhar com música.

Em 1980, o cantor juntou-se a Bernardo Vilhena para compor as músicas de seu primeiro disco solo. Em 1983 o compacto “Menina Veneno” foi lançado e tornou-se um dos maiores fenômenos da música brasileira daquela década. Em poucas semanas vendeu meio milhão de cópias e estava na boca do povo. Ritchie conta: “Menina Veneno é até hoje meu cartão de visitas. Graças a ela eu posso viver de música”.

O LP foi lançado no mesmo ano, com sucesso. Cinco músicas atingiram o primeiro lugar das paradas de sucesso: Menina Veneno, Casanova, Pelo Interfone, A Vida Tem Dessas Coisas e Vôo de Coração.

A década de 80, para Ritchie, é recheada de boas lembranças: “Eu fazia muitos shows, tinha uma banda maravilhosa. Encontrávamos estádios lotados, o publico animado, que fazia muita gritaria. A alegria era imensa por ver o rock nacional finalmente encontrar seu caminho. Havia o programa do Chacrinha, tudo era realmente muito bom”. O show de Ritchie passou por mais de 140 cidades brasileiras, e o LP ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos.

Ritchie lançou outros seis discos solo, e suas músicas serviram de trilha sonora para muitas novelas. Hoje em dia trabalha como websound designer, mas nunca deixou a música de lado. “Quem ouviu meu disco mais recente, “Auto-Fidelidade”, gostou muito. Muita gente o considera meu melhor trabalho. Mas tivemos problemas sérios de distribuição, por conta do selo pequeno pelo qual ele foi lançado, e a venda não foi tão expressiva o quanto gostaria. Mas hoje a indústria toda está assim. O importante é estar vivo fazendo ainda o que eu mais gosto de fazer… música”.

Neste sábado a Trash 80’s Vila Olímpia recebe o cantor para um show imperdível: “Os retornos a São Paulo são sempre uma alegria para mim porque a cidade é meu berço musical brasileiro. Fiz a minha primeira banda brasileira aí. E para o show, os trashers podem esperar something old, something new, something gold, something blue… e uma banda sensacional”.

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