Por Guss de Luca

O Chaves sem sombra de dúvida foi o programa mais assistido da televisão brasileira. E sabe o que mais me intriga nisso tudo? A gente não cansa de ver esta merda, pelo contrário, a cada ano ovacionamos mais o talento destes ícones mexicanos imortais.

E ninguém está livre deste mal: o programa não discrimina cor, credo, classe social e tampouco idade. Acredite se quiser, mas a minha avó namora um senhor de 73 anos chamado Enes cujo passatempo preferido é assistir o Chaves!

As crianças de hoje irão rir da sua cara se você lhes mostrar um jogo de Atari ou tentar fazê-las assistir a um desenho clássico da Hanna Barbera, mas nem mesmo elas estão vacinadas contra o Chaves e sua turma.

É espantoso, mas elas conhecem as falas tão bem quanto as pessoas da minha geração, o que por si só é espantoso. Mas qual é o segredo? O que aqueles latinos do norte colocaram na película daquele seriado pra provocar este efeito maléfico?

Bom, isso não importa, afinal, já fomos infectados e não tem mais volta. Agora é relaxar e rir das trapalhadas repetitivas da trupe do senhor Bolaños.

É que me escapuliu…

Um pouco de história não faz mal a ninguém, por isso vamos voltar no tempo para o final da década de 60, quando o engenheiro Roberto Gómes Bolaños, que até então havia se dedicado ao futebol e boxe amador, ganhou em espaço no Canal 8 da TV mexicana.

Em pouco tempo ele estreou as séries “El Ciudadano Gómez” e “Los Supergenios de la Mesa Cuadrada”, que deram origem a diversas sketches humorísticas, entre elas uma denominada “El Chavo del 8”.

O quadro fez tanto sucesso que em pouco tempo ganhou um programa próprio, proporcionando ao senhor Bolaños a possibilidade de aumentar seu elenco, que contava com poucos personagens.

Vale lembrar que nos primeiros episódios da série a Dona Florinda não usava bobes nos cabelos, o Kiko usava uma grande medalha no pescoço e o Sr. Barriga não era o dono da vila, mas sim um funcionário pago para ir até lá cobrar os aluguéis.

Venha, Tesouro. E não se misture com essa gentalha!!!

Chaves (Roberto Gómes Bolaños)
Protagonista máximo da série, é inocente, distraído e vive num barril. É órfão e costuma ficar empolgado quando consegue comida. É amigo de todas as crianças da vila.
Mote: “Foi sem querer querendo…”

Chiquinha (Maria Antonieta de las Nieves)
Mimada pelo pai, o Seu Madruga, Chiquinha é uma menina por diversas vezes malandra e interesseira. Amiga de Chaves e Kiko, costuma espernear quando leva broncas.
Mote: “Pois é, pois é, pois é, pois é…”

Kiko (Carlos Villagran Eslava)
Muuuito mimado pela mãe, Kiko é o garoto da vila que consegue tudo o que quer com facilidade. Como é um tanto bobo, acaba sendo ludibriado pela malandra Chiquinha.
Mote: “Cale-se! Cale-se! Cale-se! Você me deixa Looouco!”

Seu Madruga (Ramón Gómez Valdez Castillo)
Desempregado por profissão, seu Madruga é o típico preguiçoso que tenta arranjar um jeitinho pra se manter na mesma. E isso incluí fugir do cobrador de aluguel, sr. Barriga.
Mote: “Com licencinha que o Madruguinha vai tomar um cafezinho.”

Dona Florinda (Florinda Meza García)
Mãe do Kiko, é durona e não pensa duas vezes antes de defender o filho, estando esse certo ou não. É apaixonada pelo prof. Girafales, a quem serve incontáveis xícaras de café.
Mote: “Vamos, tesouro. E não se misture com essa gentalha!”

Sr. Barriga (Edgar Vivar)
Dono das casas da vila, faz questão de cobrar os aluguéis pessoalmente, apesar de sempre ser agredido pelo Chaves ao chegar no local. É bondoso e por isso nunca conseguiu tirar nada do seu Madruga.
Mote: “Mas tinha que ser o Chaves de novo!”

Dona Clotilde (Angelines Fernández Abad)
Conhecida pela alcunha de Bruxa do 71, é temida por todas as crianças do bairro. Vale lembrar que ela é perdidamente apaixonada pelo seu Madruga.
Mote: “O que disse!?”

Prof. Girafales (Rubén Aquirre Funetes)
Professor da escola frequentada pelas crianças do bairro, usa um chapéu ridículo e fuma longos charutos. Tenta sempre explicar tudo e é apaixonado pela dona Florinda.
Mote: “Tá, tá, tá, tá, TÁ!”

Jaiminho (Raul Padilla Garcia)
Carteiro do bairro, percorre as ruas empurrando sua bicicleta e se nega veementemente a procurar pelas cartas das pessoas em sua bolsa de couro.
Mote: “Eu quero evitar a fadiga”

Nhonho (Edgar Vivar)
Filho do sr. Barriga, é o menino mais rico do bairro, e por isso mesmo não mora na vila. Costuma presentear o professor Girafales com uma melancia.
Mote: “Olha ele! Olha ele! Olha ele!”

Dona Neves (Maria Antonieta de las Nieves)
Bisavó de Chiquinha, costuma tentar ensinar algo paras crianças mas acaba se exaltando e perdendo a paciência. É apenas outra aposentada que não tem mais o que fazer da vida.
Mote: “Isso, isso, isso, isso, isso…”

Pópis (Florinda Meza García)
Sobrinha da dona Florinda, é cheia de não me toques e obedece as regras dos mais velhos à risca. Costuma se dar muito bem com o Chaves e sempre está com sua boneca Serafina.
Mote: “Ah, conta tudo pra sua mãe!”

Godinez (Horacio Gómes Bolaños)
Personagem meio apagado da série, costuma ter um sorriso catatônico no rosto e não é muito inteligente em suas colocações.
Mote: “??”

Não contavam com minha astúcia!!!
Sim, eu não poderia deixar de falar no Chapolin, o outro personagem famoso de Roberto Bolaños. O bacana das histórias dele é que ao contrário das do Chaves, que raramente mudavam a ação de lugar, elas sempre aconteciam em locais e épocas diferentes.

O Chapolin já atuou no velho oeste (lembra do Racha Cuca e do Quase Nada?), no antigo Egito (lembra do jacaré parente da Cleópatra?), no espaço (lembra das pedras que falam, voam ou crescem?), na selva (lembra da cobra que era um alfinete?), num museu (lembra da múmia amarrada nos pés dos caras?) e até num galpão cheio de meteoritos (ou melhor, “aerolitos!!!!”).

Além disso, eventualmente eram exibidos quadros que não faziam parte do mundo do Chaves. Alguém se recorda do Dr. Chapatin (“Insinua que sou velho?”) ou da infame versão dos sete anões que os xicanos fizeram (ah, qualé, não lembra da canção Churi Churin Fun Flais?

Pois é, isso prova que a trupe do señor Bolaños era muuuuiito versátil.

OBS: Guss de Luca é um maluco muito do gente boa que tinha uma coluna chama “Trash” no site MTV (vejam só, ele é alma gêmea da Trash 80’s!). Em troca de um VIP, ele me deixou usar seu texto aqui, um cara legal, não?

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