Por Ligia Helena para Trash 80′s

O teatro existe no Brasil desde o século XVI, quando os jesuítas catequizavam os índios com autos de José de Anchieta. A peça era falada três línguas, querendo ensinar ao povo uma fé que não era a deles. Os primeiros textos brasileiros foram escritos em espanhol, o primeiro dramaturgo que se destacou aqui era na verdade português… enfim, não podemos dizer que o teatro começou bem aqui na nossa terrinha.

Já no século XIX a comédia estabeleceu-se como o principal gênero teatral brasileiro. A comédia de costumes, aquela que faz graça com as coisas de nosso dia-a-dia e que nos faz rir por identificação, começou a fazer sucesso e o teatro popularizou-se.

Aí a evolução desta arte no Brasil deu-se de maneira rápida. Nos anos 50, 60 e 70 os temas políticos e sociais passaram a ser constantes nos textos dos dramaturgos brasileiros. Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Renato Borghi e Zé Celso Martinez Correa são alguns dos principais nomes desta fase mais “séria” do teatro brasileiro.

Mas no meio dos anos 70 surgiu um grupo teatral de comediantes que mudou o rumo da história. O “Asdrúbal Trouxe o Trombone” caracterizava-se pelo descompromisso e pela diversão. Os integrantes do grupo eram jovens atores da zona sul do Rio de Janeiro, que dividiam seu tempo entre os palcos e as praias. Regina Case, Luis Fernando Guimarães, Patrícia Travassos e Evandro Mesquita estavam entre os nomes que fizeram parte do “Asdrúbal”.

A maneira do “Asdrúbal” criar as peças que encenavam era bastante peculiar: no início eles partiam de textos clássicos do teatro mundial, como “Ubu Rei” e “Inspetor Geral” e, com improvisações e jogos coletivos transformavam a peça em uma experiência única. Com o tempo, passaram a interpretar textos criados pelos próprios componentes do “Asdrúbal”, como “Trate-me Leão”, um marco do teatro da época, e “Aquela Coisa Toda”. Já nos anos 80, mais exatamente em 1983, a peça “A Farra da Terra” marca o final das atividades do grupo. Os atores seguiram fazendo comédia e até hoje podem ser vistos na telinha.

O descompromisso do “Asdrúbal” inspirou muita gente a seguir seus passos. O teatro dos anos 80 foi marcados pelo besteirol. Miguel Falabella, Mauro Rasi, Vicente Pereira e Marcos Caruso são alguns dos autores que se destacaram neste gênero. Peças como “Trair e Coçar é Só Começar”, de Caruso, “Batalha de Arroz num Ringue para Dois”, de Rasi e “Sereias da Zona Sul”, de Falabella arrastavam hordas de pessoas aos teatros, com o único intuito de rir até perder o ar.

Os anos 90 passaram, estamos em 2004 e até hoje o besteirol dos anos 80 ainda atrai muita gente para o teatro. Considerado por alguns como teatro de menor qualidade, os espetáculos daquela década conquistaram os brasileiros. “Trair e Coçar é Só Começar”, por exemplo, está em cartaz há 18 anos, sem interrupções. Portanto não dá para ignorar o poder do teatro “ruim” na história desta arte no Brasil. O jeito é não se preocupar com o que pensa a crítica especializada e rir assistindo o teatro dos anos 80.

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