Fui na Trash 80’s pela primeira vez a convite de um amigo, em novembro de 2002. Tive medo, claro – meus pais sempre foram abertos e conversávamos muito sobre tudo. Prometi a mim mesma que seria só essa noite, para experimentar. Sabia dos riscos mas, ao mesmo tempo, não conseguia resistir à tentação do novo, proibido… Imaginava a cara dos meus amigos quando soubessem que eu tinha ido a uma festa no centrão em que só se ouve o pior dos anos 80! Podia ver o olhar de reprovação e choque em seus rostos, mas já não me importava.

Fomos. Algumas pessoas dizem que não se sente nada na primeira vez, mas eu surtei de cara. Deixei o pudor e a timidez do lado de fora e me joguei naquele ambiente decadente do Cambridge, dançando a noite toda ao som de Dominó, Tremendo, Yahoo, Balão Mágico e outras pérolas. Descontrole total. Eu não tinha limites: enquanto meu amigo me chamava para ir embora, eu mentia: “Só mais uma, é a última! Depois a gente vai embora, prometo!”. Saí de lá com o dia amanhecendo: louca, acabada, suada (o ar condicionado ainda não era lá essas coisas) e feliz. Muito feliz.

Depois dessa primeira noite, comecei a freqüentar regularmente. No começo, uma ou duas vezes por mês apenas. Depois, todo sábado. E logo às sextas também. Dominó, Tremendo e Balão Mágico já não me satisfaziam, e não demorou muito para que eu começasse a procurar coisas mais pesadas: eu queria Perla, Trem da Alegria, Rosana, Sidney Magal, Mara Maravilha e Luan & Vanessa! Passei a querer durante a semana também, e atormentava o Tonyy e o Rico no Soulseek buscando sempre mais e mais. Já não conseguia freqüentar outros lugares e nada mais parecia ter graça.

Vários amigos tentaram me alertar, mas eu os ignorei: “Trasher, eu? Imagina. É só uma festa, e posso parar de freqüentar quando eu quiser. Tenho tudo sob controle.” Cega pelo vício, não percebia que até funk eu já estava curtindo. E dançando, meu Deus!

Passei a andar quase exclusivamente com Trashers, gente estranha por natureza: indies, funkeiros, atores, fãs de eletrônica, mães de família (essas são as piores!), jornalistas, estudantes, advogados, marketeiros e publicitários, funcionários públicos (Deus tenha piedade), ex-seminaristas, analistas de sistemas, designers, pedreiros e faxineiras, gays, heteros e X-sexuais, posers… tem até argentino, imagine!

Mas hoje, finalmente, estou pronta para assumir, para mim mesma e para o mundo: eu sou Trasher. Sou viciada na Trash 80’s e na “fauna” que encontrei por lá. Sou viciada nas músicas, nas festas temáticas, nas “deformances”, no Karaokê, no palquinho, nas gargalhadas e surtos coletivos, nas noites de faxina em que “passamos o rodo”, no French Kiss, nas incontáveis listas de discussão, nos blogs e flogs, nos esquentas no Charm, no Ben Hur ou na Adega, no pastel de feira domingo de manhã, enfim… não é só a Trash 80’s, mas tudo o que a cerca: a “Terra do Nunca” que se formou, de maneira despretensiosa e espontânea, em torno de uma festa.

Sim, eu assumo, eu sou Trasher. Viciada e dependente da Trash 80’s. Se vou procurar ajuda? Nem morta.

Artistas Trashes favoritos:

Perla, sempre! ARRASA!

Todas as infantis: Trem da Alegria, Xuxa, Turma do Balão Mágico, Mara Maravilha, Angélica e similares.

Boy Bands: Dominó, Menudo, Tremendo, Polegar etc.

Marrom Glacê, do Ronaldo Resedá, que é a cara da festa: “Toda essa gente louca, alegre em sedas a se desnudar, a festa nunca vai acabar…”

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