Nunca fico satisfeita quando tento escrever sobre a Trash. Releio o texto e sempre tenho a impressão de que faltou algo. Acho que nunca consegui passar para o papel ou para a tela do computador tudo o que sinto pela festa e o que ela significa para mim. Mas mais uma vez vou tentar:

A primeira vez que fui à Trash foi em setembro de 2002. Uma grande amiga, Klô, sabia que eu tinha acabado de terminar um longo namoro e por isso andava meio amuada, em casa, sem querer sair. Ela me convidou para uma “festa anos 80” sobre a qual ela havia lido num blog. Resolvi levantar a cabeça e ir.

Sofás vermelhos, espelhos nas paredes, Careless Whisper e similares no som. Gente de todos os tipos, idades, vestimentas. A cabine dos DJs era uma mesinha no canto, perto da escada. Parecia uma festa na sala de casa. Pouco a pouco as músicas que eu só conhecia por causa dos programas de flashback no rádio (porque nasci em 1982) iam tomando conta do meu corpo, e, quando percebi, já estava no meio da pista, dançando enlouquecida.

Me apaixonei. Daí em diante sempre que podia ia à Trash. Bloggers, Tributo a Mister Sam, Balão Trágico, Polainas… e assim foi até a mudança para o Caravaggio. Fiquei chateada, achava que o clima da festa ia mudar, que não seria a mesma coisa. Resolvi experimentar a “nova Trash” uma vez e saí de lá dizendo que nunca mais voltaria. Passei muito, muito tempo indo à festa só quando algum amigo muito querido era DJ convidado ou algo assim.

Até que um dia recebi um convite inusitado. Uma amiga perguntou se eu poderia substituí-la como hostess de uma nova festa, a Pop Trash. Era um “filhote” da Trash 80′s, e acontecia no Picasso, casa em frente ao Caravaggio. Mais uma vez eu andava numa fase caseira, amuada, e só aceitei o convite para ver se dava uma agitada na minha vida. Deu certo.

Desde então a Trash voltou a ter o espaço merecido no meu coração.

Trabalhando na Pop Trash conheci uma nova leva de freqüentadores, que me acolheram de braços abertos. Fiz muitos amigos – que são amigos dentro e especialmente fora da festa. Hoje em dia é difícil imaginar minha vida sem a Trash 80′s.

Às vezes eu paro para pensar na importância que essa festa tem para mim. Penso em como eram as coisas antes, e como são agora. Quanta gente eu conheci, quanta coisa eu fiz, eu aprendi, eu ensinei. E quando eu olho ao meu redor, vejo que não fui só eu que mudei por causa dessa “festa anos 80”. Quase todo trasher tem uma história de transformação de vida intimamente ligada ao cortiço.

Tem quem não entenda como é que eu consigo ir toda sexta e todo sábado ao mesmo lugar, ouvir música velha e cafona, ver sempre as mesmas pessoas. Eu nem tento explicar. Coitados, eles nunca vão entender.

Para não fugir da tradição, lá vão meus dois cantores preferidos, que estão sempre presentes nas minhas sextas e sábados e duas festas que para mim foram especialíssimas:

Madonna – Não brinco quando digo que para mim ela é deusa. Amo a Madonna, todas as suas fases, todos os seus discos – menos Evita. Quando toca Madonna na Trash, eu posso estar onde estiver que saio correndo para pista ou para o palquinho dançar
enlouquecida. Isso quando não danço e berro no lounge mesmo. Tem muita gente que diz que Madonna não é Trash, mas o passado dela não nega.

George Michael – Está quase no mesmo patamar da Madonna, pra mim. Também gosto de todas as fases, desde quando ele pagava de machão até hoje em dia, depois do “Let’s Go Outside”. Gosto do mais cafona e do mais dançante. E confesso que passo a noite toda esperando pelo clipe de Freedom ’90, e pelo final de noite com a dobradinha Don’t Let the Sun Go Down on Me e Somebody to Love no telão.

Trash Bloggers e Floggers (28/11/03) – Depois de mais de um ano freqüentando assiduamente a festa mais nerd de São Paulo (toda última sexta feira do mês!), fui convidada, junto com meu querido Dan Zero, para comandar um set de 40 minutos. É inexplicável a alegria de ver todo o cortiço dançando a música que você escolheu, ou poder tocar aquela que você sempre torce para que os DJs toquem. E o frio na barriga antes de apertar o play pela primeira vez é delicioso também.

Parada GLBT (13/06/04) – Como explicar a emoção de fazer a curva da Av. Paulista com a Rua da Consolação no carro da Trash? Eu fico com o coração na boca só de lembrar. Sem dúvida um dos dias mais divertidos e emocionantes da minha vida.

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