Por Ligia Helena para Trash 80′s

Jane e Herondy, refinados e populares.

Desde a década de 70 nas paradas de sucesso brasileiras, Jane e Herondy começaram a carreira apadrinhados pelos apresentadores de TV Airton e Lolita Rodrigues, dos programas “Almoço com as Estrelas” e “Clube dos Artistas”.

O que pouca gente sabe é que antes da dupla, Jane fazia parte do trio de bossa nova “Os Três Morais”, que chegou a gravar com Chico Buarque. Herondy produziu discos de bossa e MPB de Jane, que assina seus trabalhos solo como Jane Morais.

Então por que será que Jane e Herondy são tachados de cafonas? A resposta são eles mesmos que dão: o sucesso popular de “Não se Vá”, que alcançou o topo das paradas de sucesso brasileiras e internacionais e é até hoje um dos maiores hits das rádios AM, fez com que eles fossem rotulados assim.

Jane é fã de Chet Baker e Elis Regina. Herondy gosta de James Brown, Duke Ellington, Quincy Jones, Herbie Hancock. Mas quando decidiram trabalhar em dupla, sabiam que não adiantaria insistir em algo refinado. “Até Tom Jobim, quando gravou com a Miúcha, teve de fazer algo mais adequado ao gosto popular. Duplas são assim, então nós optamos por um trabalho popular”, explica Jane.

O maior sucesso da dupla, “Não se Vá”, ao contrário do que muita gente pensa, não surgiu depois de uma briga entre o casal. O que motivou os versos amargurados foi a tristeza de uma empregada doméstica, sobrinha de uma funcionária deles. Jane conta: “A menina chegou à nossa casa chorando, pedindo abrigo, pois havia brigado com o marido. Nós deixamos ela morar com a gente, mas dias depois o marido apareceu, de Kombi, e ela voltou com ele. Depois de um tempo, apareceu chorando novamente. E a Kombi foi buscá-la. Isto aconteceu várias vezes, e baseada no que ela me dizia, eu escrevi a letra”.

Os anos 80 trazem lembranças um pouco turbulentas para Jane e Herondy. Em 1985 eles sofreram um acidente de carro que deixou os dois hospitalizados em estado grave. A tristeza causada pelo acidente foi aplacada pelo carinho extraordinário dos fãs, que fizeram vigílias, homenagens e só ficaram tranqüilos quando os dois estavam a salvo. “Nem o acidente gravíssimo que sofremos conseguiu abalar nossa fé e nossa alegria. Encaramos tudo como um grande aprendizado, não guardamos mágoa de nada”.

Jane lembra com carinho que foi nos anos 80 que conheceu seu grande ídolo, Chet Baker. Mas foi também nos anos 80 que o mercado foi invadido por duplas sertanejas, o que resultou no afastamento de Jane e Herondy da mídia. Herondy voltou a trabalhar com produção musical, e Jane montou projetos de bossa nova e MPB. O casal separou-se, mas continuou trabalhando com a parceria de sucesso.

Nos últimos tempos, Jane e Herondy viraram cult. O motivo, nem eles sabem muito bem: “Fomos ao programa do Jô Soares sem saber muito bem o porquê do convite. Demos a entrevista, e o Jô pediu que a Jane desse uma palhinha de alguma música. Para nossa surpresa, todo o público, formado por jovens em sua maioria, cantou junto. Quando cantamos ‘Não se Vá’ foi lindo, os homens cantando comigo, as mulheres com a Jane. Eles sabiam as músicas, aplaudiram de pé… é bom ver que ainda estamos no coração da moçada”, diz Herondy.

Nesta sexta, 3/9, Jane e Herondy se apresentam no palco da Trash 80’s. Prometem tocar todos seus sucessos, como “Não se Vá” e “Coisinha Estúpida”, músicas de outros artistas e surpresas. Garantem que a apresentação será muito animada, e do público só esperam alegria e vibração. Vai perder?

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