Por Denis Klein para Trash 80´s

Outubro é mês das crianças. Infância é aquela época feliz da vida da gente em que passamos a tarde nos sujando na rua ou aprendendo as coisas valorosas que a TV tem para nos ensinar.

Infância não é bem uma coisa exclusiva dos anos 80. Estudos comprovam que, em outras décadas, existiram crianças. Algumas delas, inclusive, viveram nos anos 80 sob a forma de adultos. É típico de toda e qualquer criança ser fissurada por doces. Todo mundo que está lendo isso aqui já infernizou os pais por causa de balas e chocolates, o que fez deles pessoas mais infelizes, mas fez feliz a indústria alimentícia e os dentistas.

Há algumas outras coisas típicas da infância que não são exclusividade dos anos 80, como “lave as mãos”, “não mastigue de boca aberta”, “diga obrigado ao moço” e, principalmente, o “fique longe das drogas”.

Pensando nesta relação entre o mundo das drogas (mais especificamente das drogas legais) e dos doces (que são igualmente legais) e a infância sob a perspectiva dos anos 80, que resolvi fazer uma pesquisa meia boca e escrever algo sobre o doce mais politicamente incorreto daqueles anos.

Os Cigarrinhos de Chocolate Pan foram um ícone dos doces típicos que povoaram a infância de muitos aqui. Se você não achou graça de colocar aqueles chocolates na boca para fingir que estava fumando, no mínimo ainda tem revertérios estomacais quando vê aquela caixinha vermelha com o menino branquinho ou o pretinho fazendo aquela cara de quem fuma com todo o luxo e glamour que só uma criança de cinco anos de idade pode ter.

Os Cigarrinhos de Chocolate são muito lembrados por quem viveu a infância nos anos 80, mas na verdade a Pan fabrica os doces desde 1947, o que significa que este texto não fala de absolutamente nada específico sobre a tal década perdida. Mas podemos afirmar que os anos 80 foram a última época de prosperidade do produto e de toda a Pan.

A partir dos anos 90 um bando de pessoas desocupadas resolveu aborrecer o mundo com a questão do “politicamente correto”. Dentre várias outras coisas que esse pessoal pregava, uma delas era achar feio incentivar crianças a suprirem suas fixações na fase oral com algo que imitasse um cigarro, já que isso poderia induzi-las a querer fumar na adolescência (porque na adolescência a gente vira caubói, e caubói tem que fumar tabaco, não chocolate).

A primeira medida da Pan para tentar contornar esta onda de pureza que assolou o mundo foi mudar o produto. Primeiro os “cigarrinhos” foram tirados das mãos dos meninos e se transformaram em “Rolinhos de Chocolate”. As teorias conspiratórias que associavam a indústria de drogas com a dos chocolates não mais poderiam ser feitas.

Mais tarde a Pan passou por uma série de complicações. Em 2001 quis reestruturar novamente a sua linha de produtos, inclusive os então Rolinhos de Chocolate. Em 2002 pediu concordata. Aparentemente isso não deu em nada, pois ela ainda está ai até hoje. Não encontramos, no entanto, “Rolinhos de Chocolate” para vender com tanta facilidade como encontrávamos os cigarrinhos durante os anos 80.

Denis Klein colabora com o site Morfina: www.morfina.com.br

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