Por Ligia Helena para Trash 80′s

Mônica, Cascão, Cebolinha. Pato Donald, Pateta, Minnie e Mickey. Se esses personagens fizeram parte da sua infância, se você imediatamente associa suas leituras dos anos 80 a eles, e acredita que eles são os verdadeiros representantes dos gibis desta década, lamentamos informar, mas todos são bem mais velhos do que você imagina. Pato Donald e seus amigos são possivelmente contemporâneos de seus avós. E a dentucinha de vestido vermelho se sentiria melhor numa “Trash 60’s”, ou num Baile da Saudade.

Toda criança dos anos 80 teve sua coleção de revistinhas da Turma da Mônica, ou se divertiu lendo as aventuras do Mickey, e por isso é natural que haja esta associação. Mas quando falamos de histórias em quadrinhos genuinamente oitentistas, estamos nos referindo a um outro tipo de gibi. E se você viveu a sua adolescência naquela época, provavelmente sabe do que estamos falando

Pra começo de conversa, os fãs dos personagens e histórias que surgiram nos anos 80 não gostam muito da palavra “gibi”. Preferem chamar revistas como “Watchmen”, “Chiclete com Banana” ou “Sandman” de histórias em quadrinhos ou simplesmente HQ. Isto porque ao contrário dos gibis, voltados para o público infantil, as publicações surgidas neste período eram direcionadas a adolescentes e adultos.

Um bom exemplo de HQ que marcou os anos 80 é “Watchmen”, de Alan Moore e Dave Gibbons. A série foi lançada no Brasil em 12 capítulos, e partia da seguinte premissa: e se existissem super heróis no mundo em que vivemos? A partir daí, os autores criaram um grupo de heróis que, sem superpoderes, combate o crime nos Estados Unidos. Os personagens criados por Moore e Gibbons vão interferindo na história dos EUA, alterando, na HQ, os desfechos da realidade. A trama é repleta de detalhes, flashbacks e dados históricos, e é considerada por muitos a maior obra dos quadrinhos dos anos 80.

Deixando de lado o universo “cult”, e resgatando nossas raízes trash, não podemos esquecer que foi nos anos 80, mais exatamente em 1984, que foram criadas as divertidas e atrapalhadas Tartarugas Ninja. Treinados pelo Mestre Splinter, um rato mutante, Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael lutavam contra o vilão Destruidor e, nas horas vagas, combatiam o crime nas ruas. Nascida como uma sátira de HQs “sérias”, a história conseguia unir filosofia oriental, artes marciais, surfe, pizza e arte renascentista italiana num único gibi. Em pouco tempo as tartarugas tornaram-se um enorme sucesso: transformaram-se em desenho animado, videogame, filme, mochila e toda sorte de quinquilharias.

No Brasil, as histórias de quadrinhos surgidas nos anos 80 também eram em sua maioria direcionadas ao público adulto. Três revistas marcaram época: “Chiclete com Banana”, de Angeli, “Geraldão”, de Glauco, e “Piratas do Tietê”, de Laerte. Embora “Geraldão” e “Piratas do Tietê” tivessem um bom número de leitores, foi a revista de Angeli que atingiu maior sucesso.

“Chiclete com Banana” foi o berço da personagem mais marcante das HQs oitentistas no Brasil: Rê Bordosa. Transitando entre o balcão do bar mais próximo e sua banheira, a musa junkie conquistou o coração de muitos que se divertiam com as histórias de vodka, sexo, drogas e um pouco de ressaca moral. “Chiclete com Banana” também abrigava a dupla de moleques Skrotinhos, os hippies Wood e Stock e o punk Bob Cuspe.

Se nos anos 80 você ainda não tinha idade para gostar da Rê Bordosa, se nunca havia ouvido falar de “Watchmen” e nem sabia que as “Tartarugas Ninja” eram encontradas nas bancas, saiba que estes são apenas alguns dos clássicos dos gibis, ops, HQs daquela época. Vale a pena conhecer mais. Procure os livros e edições completas nas livrarias, e boa leitura!

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