FOFÃO: O QUE TINHA DE FOFO NELE, AFINAL?
Por Klein para Trash 80´s

Era um dia como outro qualquer. O Sr. Orival acorda de ressaca de mais uma noitada marcada por poucas lembranças palpáveis. Toma um gole d’água. Coça a cabeça. Mais um gole d’água.

Ao final do segundo gole, um raio atinge sua mente e ele tem uma idéia para impulsionar a sua carreira. Pensou em crianças e, uma fórmula que com certeza as cativaria de uma forma eficiente, certeira como um raio, um novo sucesso junto ao público infantil para a TV: um personagem mascarado, com enormes bochechas.

Ok, os dois parágrafos acima eu inventei porque sou preguiçoso demais para fazer uma pesquisa decente. Mas existem verdades no meio desta história: um ator chamado Orival Pessini criou os personagens Charles e Sócrates, do programa humorístico Planeta dos Homens (1976 – 1982). O processo que envolveu o desenvolvimento da tal máscara e quem achou que ela faria sentido para crianças é um mistério que provavelmente Orival Pessini nunca revelará.

De qualquer forma, em 07 de Março de 1983 estreou na Rede Globo o famosíssimo Balão Mágico, um dos primeiros programas de TV infantil apresentados por crianças. Para ser mais exato, iniciou sendo apresentado pela Simony e pelo Fofão, o cara interpretado por Orival.

Inicialmente, Fofão não dizia nada. Funcionava como um ser bizarro não identificado que emitia barulhos quaisquer e que a Simony traduzia para a língua tupiniquim. Com o tempo todo o programa cresceu: foram agregados ao Balão Mágico mais crianças, como o Mike e o Tob. Com o crescimento do programa, Fofão ganhou direito a ter uma voz para divertir (ou aterrorizar) as crianças.

O programa durou até 28 de Junho de 1986, quando a Globo achou que era mais adequado para as crianças assistirem a um programa apresentado pela atriz de “Estranho Amor” do que por um ser transgênico de mãos peludas. No entanto Fofão (o tremendo sucesso do personagem junto do Balão Mágico fez com que Orival já não atendesse mais pelo próprio nome) não deixou que a precursora da carreira de “loira que namora jogador de futebol para aparecer” acabasse com o sonho de viver a partir de seu personagem bizarro: em 1987, a convite da Rede Bandeirantes e com patrocínio da Dizioli, estreava a TV Fofão, um programa em que ele era o principal apresentador, o equivalente à loira safada sem roupa.

O programa era constituído do mesmo de sempre: brincadeiras, quadros humorísticos e desenhos animados. Isto se prolongou até o ano de 1989 quando o programa acabou e o personagem foi finalmente enterrado. Não enterrado de forma trágica: sua despedida da televisão foi feita através de um longa-metragem chamado “Fofão e a Nave Sem Rumo”, exibido em todo o Brasil e com roteiro de Nilson Costa – o mesmo roteirista de seu programa na TV Bandeirantes.

O Fofão habita até hoje a memória de todos que cresceram à luz daquela época. Alguns com boas lembranças dos desenhos e da alegria dos personagens. Outros, a maioria esmagadora, de pessoas estarrecidas que até hoje tentam entender o que diabos era o Fofão. De qualquer forma, ele ainda é motivo de risadas e nostalgia para todos nós.

Quanto ao futuro do sr Orival, eu digo que ele passou boa parte de sua vida condenado às máscaras: posteriormente fez muito sucesso como o Patropi, personagem da Praça é Nossa (SBT) que migrou para a Escolinha do Professor Raimundo (TV Globo) mais tarde. Hoje ele se prepara para a estréia do programa Vila Maluca, que irá ao ar pela Rede TV! Neste programa ele fará cinco personagens diferentes (não tenho detalhes, mas aposto que todos mascarados).

UM IMPORTANTE ADENDO A ESSE TEXTO: Como tudo o que aparece na televisão e faz sucesso, Fofão virou brinquedo. Uma polêmica conta de que era um boneco satânico e que, dentro dele, havia um punhal. Há quem diga que esta lenda surge porque havia uma peça no interior dele que ligava a cabeça ao corpo e algum espírito de porco inventou que aquilo era um punhal.

Denis Klein é publicitário e colabora com o site http://www.morfina.com.br

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