Por Erika Hideshima (Keka)

Assistir ao Viva a Noite aos sábados era quase um ritual para mim. De tão habitual, virou fato marcante na minha infância, durante a memorável década de 80. Todo sábado era assim: depois das novelas, pegar um prato com arroz bem branquinho e com batatas fritas, sentar no sofá e assistir ao Gugu – com aquele passarinho medonho – e suas maravilhosas atrações.

Dominó, Locomia, Polegar, Mara Maravilha, Trio Los Angeles, quase tudo passou por aquele palco decorado com mocinhas de roupas curtas envoltas por bambolês com neons passando frio com aquele vento que vinha debaixo para dar um visu à la Marilyn Monroe.

Ao menos naquele tempo, havia um prazer em sentar e perder tempo para ver aqueles “artistas” todos dando entrevistas, cantando sob um playback, disputando gincanas e fazendo gracinhas. Raul Gil e seu banquinho, Chacrinha e sua buzina, Os Trapalhões com a risada deliciosa do Zacarias, Silvio Santos e sua habilidade para cuidar do auditório completamente feminino – inesquecíveis.

Durante a semana, os meninos do colégio se esbaldavam com aquele tal de Cocktail, quando mocinhas despudoradas abriam os tops para mostrar ao telespectador se tinha alguma pêra, maçã ou estrela nos seios. Comandado por Miele, aquele navio era ruim de aturar. Divertido mesmo era o TV Pirata, com o Barbosa – que nunca morria. A Praça é Nossa? Simplesmente insuportável desde sempre.
Mas o mestre sempre foi Silvio Santos: tudo começava ao meio dia com aquele auditório lotado de moças com pompons nas mãos cantando “Silvio Santos vem aí, olê olê olá”. A gente já sabia que a diversão começava naquele momento. Vinham Qual é a Música, Sorteio do Baú, Porta da Esperança (e quem disse que eu não mandava cartinhas lá para pedir a coleção da Barbie completa?), Show de Calouros – dava para ficar o dia todo vendo o “patrão”.

Difícil mesmo era admitir que Gugu Liberato, aquele loiro sem graça que fazia também o TV Animal, algum dia poderia substituir o Silvio. Aposto que ninguém gostava da idéia de ter os domingos sem o senhor Abravanel e o misterioso Lombardi. Impagável aquele show de calouros com Flor, Sérgio Malandro, Aracy de Almeida, Décio Picinini, Sônia Lima e Vagner Montes. Todos querendo literalmente gongar os candidatos à fama.

Às 22h, era o homem do baú quem me punha para dormir. Quando ele falava “Senhoras e senhores, moças e rapazes, meninos e meninas”, e fazia aquele discurso bonito para termos uma semana feliz e com saúde, era sempre uma tristeza, na verdade. Ele sabia me dizer que era hora de dormir porque a segunda-feira seria dura no colégio.

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