Por Roberta Ribeiro para Trash 80′s

Muitos fatos importantes marcaram a década de 70. Mas dois deles, aparentemente distintos, podem ser revistos como intimamente ligados.

O primeiro é a revolução sexual que teve início na década anterior, com a criação da pílula anticoncepcional e as iniciativas de um feminismo pré-histórico. Sutiãs foram queimados e a prática do sexo livre – hoje impensável, devido ao HIV – chocou gerações precedentes e reacionárias.

O segundo vértice da década é música. Mais exatamente, a Disco Music, que fez com que surgisse mundialmente o que chamamos popularmente de Disco Fever. A influência dessa “febre” foi tão grande que abrangeu as mais diversas áreas: comportamento, moda, visão de mundo…

Contudo, é difícil dizer se foi o comportamento que inspirou a arte ou o contrário. Constatar que existe conexão entre ambas é fácil:

Um primeiro exemplo que pode elucidar a conexão vem do grupo Village People. A começar pelo nome – Village é um bairro com grande população gay em Nova York – os cinco rapazes chegaram para subverter muito dos preconceitos que teimavam em existir. Letras como “Macho Man”, que põe em xeque o sentido real de masculinidade, e “YMCA”, que brinca com uma instituição ligada à Igreja Católica, unem o ritmo inebriante a um discurso revolucionário, mesmo que, por vezes, isso não pareça óbvio para a maior parte das pessoas.

Músicas que são consideradas verdadeiros hinos da comunidade homossexual vieram da Disco Fever. Caso de “I’ll Survive”, de Gloria Gaynor, que tem duas interpretações possíveis: a romântica, de quem já não quer um grande amor do passado; e a contestatória, de quem perdeu o medo de deixar de ser amado por alguém que não aceita sua orientação sexual. Ou, ainda de Gloria, “I Am What I Am”, pedindo para sermos o que realmente somos, e “It’s Raining Man…”, das Weather Girls, repetida em toda a festa GLBT que se preze até hoje.

Os exemplos são muitos, mas a conclusão é sempre a mesma: a Disco Music deu “voz” aos homossexuais e estes a influenciaram ao utilizá-la como discurso em defesa do que, se a sociedade fosse um pouco mais consciente, já não seria mais necessário defender: o direito a seguir a orientação sexual que melhor convir. E isso desde de os 70’s!

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