Por Ligia Helena

Em julho você só vai ouvir falar de uma coisa na Trash 80’s: coleções. De gibis a “mil bichos”, passando por bonecos e figurinhas, até o final do mês os freqüentadores da festa poderão lembrar das coisinhas que juntaram com carinho, guardaram em caixas, prateleiras e armários durante a década de 80.

Mas será que alguém já parou pra pensar que pra muita gente coleção é coisa séria? Que além de ter sido uma das brincadeiras preferidas da criançada dos anos 80, tem também importância histórica e social?

O colecionismo é uma prática milenar, que tem seus primeiros registros na sociedade oriental. Os indianos colecionavam “vedas”, livros sagrados que foram responsáveis pela perpetuação e desenvolvimento da cultura da Índia. Muito do que conhecemos hoje a respeito das civilizações mais antigas só foi desvendado devido a coleções encontradas por arqueólogos e historiadores.

No Brasil, o hábito de colecionar teve início com a vinda da Família Real para a então colônia, no início do século XIX. Na época, as coleções organizadas eram exclusividade dos nobres e das famílias mais abastadas, já que os itens colecionáveis eram raros e valiosos. Obras de arte, jóias e cristais eram alguns dos objetos colecionados pela nobreza, e inacessíveis para a grande maioria da população.

Com o passar do tempo, as coleções popularizaram-se. No início do século XX já era comum encontrar no Brasil colecionadores de moedas, selos, quadros, gravuras e cartões postais. Pouco a pouco os adultos ensinavam a arte de colecionar para os adolescentes, que viam em tudo a chance de fazer coleções: recortes de revista, tampas de garrafa, flâmulas, camisas de time de futebol, embalagem de doces, discos, óculos e revistas, entre outras coisas.

Desta forma, foi natural que o que era hábito e tinha status de arte se tornasse uma grande mania. Nos anos 80, crianças e adolescentes divertiam-se com as coleções. A mania serviu até para empresas promoverem seus produtos – provavelmente você colecionou miniaturas de garrafas de refrigerante, figurinhas de chiclete, cartões com fotos de animais que vinham na embalagem de chocolate. Eram as empresas pegando carona na mania de colecionar para vender mais seus produtos. E vendiam. Papel de carta, bonecos, bichos de pelúcia, cartões postais, figurinhas, tudo virava coleção, e era trocado, comparado e exibido entre amigos e colegas.

A mania de juntar coisas ficou lá nos anos 80, mas ainda hoje há quem leve isso tudo a sério. Além dos colecionadores de arte, selos, moedas e raridades, que gastam verdadeiras fortunas em peças para suas coleções, há quem junte as coisas mais diversas. Um bom exemplo pode ser encontrado todos os sábados na porta da Trash 80’s. A hostess Alisson Gothz coleciona brinquedos antigos, bonecas e gatinhos da sorte japoneses, entre outras coisas. Ainda duvida que coleção seja coisa séria? Pergunte pra ela!

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