Lá pelos idos de 2003, trabalho de conclusão de curso rondando a mente, minha namorada me encontra na faculdade e fala: “Encontrei uma amiga de anos e ela me chamou pra ir na Trash, sabe aquela festa lá que a gente tá querendo ir há um bom tempo? Ela vai discotecar, vamos?” Era noite de Bloggers & Floggers e a desculpa estava mais do que dada.

Sexta-feira fria e chuvosa, estávamos na porta do Caravaggio com o relógio marcando exata uma hora da manhã. Naquele tempo, por incrível que pareça, não havia fila nesse horário. Um primeiro sinal nos avisa que vinha coisa boa por aí: “Aqui não entra preconceito!” Na entrega da comanda, outra grata revelação: Ritchie cantava “Menina Veneno”. Das pick ups, um japonês, que mais tarde seria identificado como Wander Yukio, alegrava milhares de saudosistas. Estes, por sua vez, dançavam absurdamente sem controle. E estava aceso o pavio.

Não demorou mais do que um minuto para que eu, com minha inseparável latinha de Brahma, arrastasse minha mulher pra pista e me juntasse à trupe. E digo isso porque, mesmo não conhecendo ninguém por lá, já me sentia fazendo parte da galera. Depois de muito dançar, suar e cantar, pensei que já havia ouvido tudo que queria. Mas não, a Lígia, que estava discotecando nesta noite, havia preparado algo surpreendente. “I think I´m turning japanese” rasgou os falantes. E estava atingido o êxtase.

Desde esta data, sempre que posso estou lá. Ultimamente com mais freqüência. E sempre me perguntam: por que você gosta “daquilo”? E eu respondo que é “naquele” lugar que eu encontro pessoas interessantes e com o único propósito de se divertir. É “naquilo” que você escuta todas as músicas que marcaram sua infância e pré-adolescência. É “naquilo” que ninguém vai te olhar e te chamar de rídículo quando você dançar “Fada Madrinha” das Paquitas ou qualquer uma do Magal. “Naquilo”, os seguranças te tratam com muito respeito e também amizade. Lá também estão feras como Tonyy, Eneas e o já citado japonês (a trupe agora aumentou, eu sei). Quando você vê, “aquilo” já virou uma parte da sua casa. E a nossa casa a gente ama e cuida.

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