Pra mim só existiam dois tipos de baladas antes de conhecer a Trash: baladas “pagação” e baladas “pegação”. Na primeira você ia para pagar pau, explicando: “para ver e ser visto”. Gastava uma puta grana, via um monte de gente esnobe e chegava em casa com uma sensação de vazio no dia seguinte. Já as baladas “pegação”, eram bem melhores pois rolava uma ação, mas ainda assim, deixavam uma sensação de vazio também…

O que fazer? Ficar enclausurado em casa? Não era possível que numa cidade como São Paulo não existisse nada diferente… Ou será que eu era muito exigente?

Eis que um dia, uma grande amiga minha, a Lu Setúbal, resolve comemorar seu aniversário de 2002 num Hotel decadente no Centro. “No Centro, não vou nem a pau! É fim de feira”. Foi o que pensei com minha cabeça V.O. E acabei não indo mesmo. Mas meus amigos foram e voltaram escandalizados! Me contaram indignados o que viram: prostitutas, travestis, gays, lésbicas, mulas sem cabeça, E.T.’s, cobras, lagartos e tudo mais o que a imaginação deles deixou! Pensei comigo: “Ufa!! Ainda bem que não fui!”.

Apesar de tudo isso, a Lu não se abalou e continuou indo para aquele antro de perdição constantemente e só me contava maravilhas! Até que um dia, em março de 2003, tomei coragem e fui com ela. Ao entrar na pista, escuto “Le Bal Masque”, depois “Tremendo”, depois “Companheiro”, depois “Dancing Queen”!!!

Não era possível! Todas aquelas músicas que estavam bem escondidas nos confins do meu cérebro começaram a tocar, e minha boca, involuntariamente, começou a cantar! Uma por uma!! Eu não queria aceitar que eu estava gostando… Não era possível!! Aquilo era contra toda a idéia que eu tinha de baladas: as malditas “pagação” e “pegação”.

Tentei me conter até que ouvi as primeiras notas de “Meu Sangue Ferve Por Você” do Sidney Magal. Aí ferrou. Comecei a cantar, a dançar (até esbocei uma coreografia!) e a rir! Ri muito! Ri direto, do começo ao fim! Me diverti pra valer.. A galera fazendo coreografias no palquinho para “O amor e o Poder” foi demais! Para onde eu olhava, tinha gente curtindo, se divertindo, como eu. Já estava pensando comigo “essa gente é muito estranha, devem ter problemas”. Mas quando você enxerga um problema muito de perto, é por que você já faz parte do problema. “Oba” pensei.

Saí da minha primeira Trash sem ver ninguém conhecido. Sem conhecer ninguém novo (sim, sou tímido quando não bebo!!) e sem beijar ninguém… Nada de pagação e nada de pegação… Mas saí de lá feliz da vida!! Uma sensação excelente tomou conta de mim, uma sensação de diversão! Sim, DIVERSÃO!!!

Descobri um novo tipo de balada: a balada DIVERSÃO!! Lá ninguém vai com o interesse de te medir… Lá ninguém vai com a idéia fixa de “catar mulher”… Lá o pessoal vai querendo apenas se divertir!! Como já bem disse o Eneas “Sempre foi simples, a gente é que complicava!!!” Só então descobri por que a Trash não é uma “balada”, mas sim uma FESTA. E Festa é coisa íntima, coisa de amigos.

Desde então, não consegui mais parar de ir a Trash. Sinto muita falta quando não vou. Conheci pessoas totalmente diferentes daquelas com quem eu estava acostumado a conviver! Todas incríveis! Todas amigas!!! Conheci toda a fauna e flora da Trash com suas espécies raras. Sim, fiz muitos novos amigos!!

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