Arquivo do mês: janeiro 2004

É mega difícil escrever como partir. Como chegar é meio básico: alguém te chama, você fica com medo, mas resolve ir. Daí você entra, escuta umas músicas e pronto: “tá dominado, tá tudo dominado”!

Mas partir é fogo. Imaginar que não vou mais ficar torcendo pra semana passar voando para chegar logo quinta, sexta, sábado e domingo, que não vou mais tentar dançar He-Man, Daddy Cool e Metrô, que não vou mais encontrar as mesmas pessoas sempre sorrindo e de bem com a vida…

Aprendi que não freqüento a Trash, eu vivo a Trash. Eu prego a Trash, eu sou a Trash. Cada um é uma pecinha desse sistema que não tem explicação. Só quem está dentro sabe o que é ser Trasher. O carinho, a alegria, o sucesso, as afinidades, a sexualidade, a conscientização, os valores, a diversão, o esforço e muitos outros ingredientes que fazem desse bolo o melhor e mais saboroso.

Bolo, sistema, constelação, quadrilha, máquina.

E falando nessa galera, já perceberam que nesse “mundo distante” da Trash, todos são personagens, com características distintas e únicas que tornam todos seres especiais? Esse é um mundo de sonhos, sempre agregando mais e mais pessoas. E cada uma que entra é diferente. É incrível como tantas pessoas distintas e com nada em comum consigam ter tanta afinidade e se reunir. Como já disseram uma vez: “é um absurdo como Deus se descuida assim e deixa tanta gente errada junta”. A frase do Manny é perfeita!

Mas estou dando um passo importante na minha vida. Vou atrás do meu sonho e não estarei mais presente para viver cada momento, cada festa, cada brinde de tequila, cada show, cada deformance… mas aprendi que o que é de verdade, dura para sempre e eu volto para viver tudo isso de novo muitas vezes. E como sei que teremos muito tempo de festa ainda, não me preocupo.

Viver essa família foi a coisa mais surreal que me ocorreu, me transformou, virei gente, virei vivo, tive os melhores momentos com ela. Discotecar e a cada música ouvir a vibração do povo, ser ovacionado, ter a roupa arrancada pela euforia das fãs e virar o Mister Trash, ouvir o coro da torcida organizada, ver os cartazes, as máscaras e os flyers, pagar mico, representar tudo isso! Não tem preço… e onde eu estiver, nunca irei esquecer dessas passagens e de muitas outras que a Trash me proporcionou.

Para finalizar, continuem fazendo o que só vocês sabem: garantir a diversão. DJs, continuem arrasando, povo no palquinho, continue dançando, hostess, continuem recebendo, staff, continue sempre servindo de forma exemplar e façam a melhor festa do mundo continuar acontecendo redondinha.

Deixo pra meu coração e o sorriso satisfeito de quem sabe que volta pra se jogar com vocês um dia.

PS1: Animais se agrupam por espécies e eu descobri que não valho nada.

PS2: Pra entrar em contato comigo, escrevam para gus.vieira@gmail.com, ou me adicionem no MSN Messenger – gustamegusta@hotmail.com

Por Trash 80´s

Dizem que a propaganda brasileira se não for a melhor do mundo é uma das que ocupam o Top 5 da área. O que não sabemos é que se o conceito “melhor do mundo” fica por conta da qualidade de imagens e conteúdo ou da capacidade de nossos publicitários de simplesmente passar o recado do produto a ser vendido e de se fazer lembrar (eternamente até).

Veja se você se lembra dos slogans e imagens de alguns grandes sucessos que tornavam os intervalos dos programas mais divertidos nos anos 80:

Bombril – o garoto Propaganda Carlos Moreno fazia toda a diferença nos comerciais da marca. Na verdade o produto era apenas coadjuvante. Em primeiro plano sempre estava o ator com as mais malucas fantasias fazendo diferentes caras e bocas.

Brinquedos Estrela – O sonho de todo criança era ganhar os brinquedos Estrela em qualquer ocasião. Na data de maior apelo comercial que é o Natal, a empresa veiculava um comercial de vários minutos – Nele eram exibidos todos os brinquedos da marca. Não havia uma só criança que não cantasse junto: “A Estrela é nossa companheira, nossa brincadeira, nossa diversão. A Estrela entende a gente e traz sempre pra gente uma nova invenção. /(…) Todo o segredo de um brinquedo vive na nossa emoção. Toda criança tem uma Estrela, dentro do coração”.

Chocolate Laka – A música do A-ha, “Crying In The Rain” era fundo para um romance entre dois adolescentes.

Claybom – Uma garotinha loira de trancinhas, usando um vestido vermelho pulava em um pãozinho cheio da margarina. O comercial acabava com: “Claaaaaaaaaaaaaaaaybom! Um Nhaaaaaaaaac bom”.

Faber Castell – Toquinho cantava a música “Aquarela” enquanto um cenário “mágico” de cores passava na tela. Em uma das versões da propaganda a música era cantada por uma voz de criança. Você lembra? “Em uma folha qualquer eu desenho um sol amarelo”.

Gelatina Royal – Crianças gulosas pulavam em volta da mãe que distribuía a gelatina. O Slogan tomou conta do país na época: “Abra a boooooooooca é Royal”.
Lojas Mappin: “Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação”.

Sutiã Valisere – O Slogan ficou famoso: “O Primeiro sutiã a gente nunca esquece”. Mas mais famosa ficou a atriz Patricia Luchesi que mostrava os seios por cerca de 2 segundos. Até hoje as pessoas lembram dela somente por causa desta propaganda.

Varig – Havia dois comerciais da empresa que as pessoas se lembram bem. O primeiro era o que todo mundo que estivesse sentado em frente a TV gritava: “Varig, Varig, Varig!”. O Outro era um especial de Natal: “Estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul, mensagens de amor e paz, chegou o Natal, Nasceu Jesus”.

Ortopé – “Ortopé, Ortopé tão bonitiiiiiiiiinho”.

Grosélia Milani – “Groselha vitaminada Milani – iahuu! No leite, no refresco e no lanche – iahuu! Pra tomar a qualquer hora. Todo dia uma delícia, por isso não se engane, groselha vitaminada Milani – iahuu!! Também sem sabor Morango ou Frambroesa – IAHUUU”.

Caloi – “Não esqueça a minha Caloi”

Chocolate Chokito – “Leite condensado, caramelizado, coberto com o delicioooooooso chocolate Nestlé”.

Banco Bamerindus – “O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boaaaaaaaaaaaaaa! É a poupança Bamerinduuuuuuuuuus”.

Cremogema – “Cre-Cremo-Cremo-CremogemA! É a coisa mais gostosa deste mundO! Eu esqueço a minha bola… Eu esqueço a minha boneca… Quando como cremo-cremo-cremogemA!”
Banco Nacional – Um garoto vinha de bicicleta correndo atrasado para o coral de Natal. A música (inesquecível para muitos) tinha um pedaço que dizia “Se o Natal existe, se ninguém é triste, se no mundo há sempre amor. Bom Natal, um feliz natal, muito amor e paz pra você” – o menino chegava a tempo de dizer o último “pra você”.

Coca- Cola – “Coca cola é isso aí”.

US- Stop – “Bonita Camisa Fernandinho”.

Por Roberta Ribeiro para Trash 80′s

O que não falta na Trash 80´s é arte. E não se resume somente à música. Durante 2004, muitos dos eventos que mexeram com o público do “cortiço” foram voltados para arte. Sem contar da programação do mês de setembro, totalmente voltada para o tema. Teatro, videoarte, grafite, cinema, fotografia… são apenas algumas formas artísticas que retratamos durante este ano.

Mas, é preciso também atentar para outras representações que normalmente passam despercebidas. Alguém dúvida que os flyers, que são entregues todos os meses, são obras de artistas? Não é nada fácil pensar em imagens sobre o tema que será abordado durante todo o mês. Até mesmo a diagramação do convite não é tão simples quanto pode vir a parecer. Como fazer caber muitas – e necessárias – informações num espaço tão reduzido e de forma esteticamente correta?

Outra forma de arte que muitos vêem, mas não notam como deveriam são as decorações. Cada uma delas voltada ou para a programação do mês ou para aquela festa específica. Criar adereços para cada uma delas, sem repetir muitos elementos é tarefa complexa e que requer muito da imaginação de quem a trabalha. Sem contar o esforço físico mesmo, de subir, se pendurar por vezes, para deixar tudo arrumado e bonito para quem vai curtir a festa.

Então, da próxima vez que resolver ir à Trash, tente prestar atenção às diversas formas de arte que aparecem por lá: o flyer que traz a programação, à decoração, às músicas e vídeos. Faz parte do que faz com que o clima da festa seja tão especial.


Por Vivi Griswold

.Coração ligaduuuu

Há duas décadas, enquanto o mundo cedia aos encantos de Madonna e Cyndi Lauper, nós aqui no Brasil
suspirávamos pela nossa própria pop star.

Ela não devia nadinha às concorrentes internacionais. Também lançava moda por onde andava, tinha um timbre de voz agradabilíssimo, esbanjava charme e talento. E era bem “pra frente” – mas do seu modo, sem criar polêmica à toa só para aparecer.

Virginie foi a princesa do pop rock nacional e os anos 80 foram o seu reinado. Não havia uma garota sequer que não queria ser como ela: magrinha, com cabelo bem enrolado e um jeito sapeca.

Se a vocalista da banda Metrô aparecesse na TV usando camisa branca com ombreiras e gravata fininha, pode apostar que o próximo baile de garagem estaria cheio de meninas vestidas do mesmo modo.

Quando eu aposentei minha vitrolinha vermelha de infância e passei a ligar o aparelho de som lá de casa, era o Metrô que me fazia companhia. Pensando bem, pode ter sido em uma daquelas tardes que eu me iniciei na arte da dublagem.

Bastava colocar a Virginie para cantar que o show estava pronto. E como cantei (e continuo cantando, graças a um
super CD que encontrei em promoção na Internet) os versos “Minha mãe me falou que eu preciso casar/ Pois eu já fiquei mocinha”, do hit “Beat Acelerado” (na versão escolar, “Bife Acebolado”).

Minha favorita até hoje é “Tudo Pode Mudar” e o desespero da moça ao interpretar “E dentro do meu peito não tem jeito bate paixão/ São dez pra ficar louca, daqui a pouco posso pirar”. Também tinha a balada “Johnny Love” (“Chamo o seu nome/ Johnny Love love love”).

A voz de Virginie merece um parágrafo à parte. Bem parecida com a de Rita Lee, porém um pouquinho mais esganiçada – e sempre afinadíssima. Lembro-me de ter lido em algum lugar que a vocalista adora bossa nova, então não me espanta o fato de que ela às vezes soava um tanto Nara Leão. Bem new wave, claro.

Por tudo isso é que achamos que algo anda bem errado quando celebram continuamente a Paula Toller como musa dos anos 80. Pelo menos o voto deste site que vos fala vai para outra pessoa. E você já sabe para quem.

OBS: Viviana Griswold cedeu este texto gentilmente ao nosso site. Ela é jornalista e escreve a coluna “Garotas que Dizem Ni” para a Revista Época junto com a Clarissa Passos, Flavia Pegorin e o site http://www.garotasquedizemni.com – vale a pena conferir.


Por Trash 80´s

Dos filmes que fizeram sucesso nos anos 80, alguns foram os escolhidos da academia e receberam a estatueta do Oscar como prêmio. Vários da lista passaram zilhões de vezes na televisão e são conhecidos da grande maioria das pessoas, outros nem tanto. Como recordar é viver, vamos falar um pouquinho dos vencedores. Veja se lembra:

Oscar 1980: Kramer x Kramer – O grande vencedor do Oscar de 1980 de onde saiu glorificado com cinco estatuetas das nove a que concorreu (desbancando o favoritismo de Apocalypse now), Kramer Vs. Kramer é um drama familiar sobre divórcio e a disputa do filho na justiça. Dustin Hoffman e Meryl Streep são os atores principais da trama, e também receberam a estátua de melhor ator e atriz pelo filme. Por ter sido um grande azarão no Oscar, até hoje Kramer Vs. Kramer é muito criticado e são inúmeras as reclamações por ele ter tirado o Oscar de Apocalypse Now.

Oscar 1981: Gente Como a Gente – Uma família passa por um doloroso processo quando o primogênito morre. Após uma tentativa de suicídio, o caçula da família passa a receber acompanhamento psicológico e descobre várias coisas sobre si mesmo e sua relação com os pais. Dirigido por Robert Redford e com Donald Sutherland e Mary Tyler Moore no elenco. Vencedor de 4 Oscar.

Oscar 1982: Carruagens de Fogo – Grande vencedor do Oscar de 1982, levou cinco prêmios (filme, roteiro original, figurino, edição e trilha sonora) e surpreendeu os favoritos “Num Lago Dourado” e “Caçadores da Arca Perdida”. Mostra a trajetória de dois jovens corredores, desde sua vida particular com seus problemas, até as corridas na olimpíada de Paris em 1924. Carruagens de Fogo, mais que um filme, é uma fonte de mensagens. Cada trecho do filme está recheado de lições de moral, meios e modos de como alguém deve encarar a sua vida.


Oscar 1983:
Gandhi – A história de Gandhi é contada neste filme. Depois de consumir 20 anos para ser concluída, a obra ganhou 9 Oscar incluindo melhor ator para Ben Kingsley. Com primorosos detalhes, a vida de Gandhi, seus princípios e ideais explodem nas telas em cenas impressionantes, como o massacre em Amristar, onde os ingleses atingiram 15 mil homens, mulheres e crianças desarmados e a marcha até o mar na qual Ghandi liderou milhares de seus conterrâneos indianos a provar que o sal marinho pertencia a todos e não era apenas uma mercadoria britânica.

Oscar 1984: Laços de Ternura – O diretor James L. Brooks (Melhor é Impossível) leva às telas a história de três décadas do relacionamento entre mãe e filha, envolvendo suas brigas, reconciliações e respectivos amores. Com Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson, Jeff Bridges, Danny DeVito e John Lithgow. Vencedor de 5 Oscar.

Oscar 1985: Amadeus – A trama se passa em 1781 e relata sobre Antonio Saliere (F. Murray Abraham), o competente compositor a serviço do imperador que se surpreende ao conhecer Mozart e todos os talentos musicais que sempre desejou. Após tentar se suicidar, Salieri (F. Murray Abraham) confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como conheceu, conviveu e passou a odiá-lo.

Oscar 1986: Entre Dois Amores – Nos anos 20, Karen Blixen (Meryl Streep), uma rica dinamarquesa, vai morar em uma fazenda de café no Quênia com Bror Blixen-Finecke (Klaus Maria Brandauer), um barão com quem se casou por conveniência. Sendo mais amigos que amantes, o casal acaba se separando e enquanto ele vai embora ela continua trabalhando e se adaptando ao novo lar. Até que conhece Denys Finch Hatton (Robert Redford), um aventureiro e aristocrata inglês com quem tem um forte envolvimento e se torna o grande amor da sua vida.
Oscar 1987: Platoon – Chris (Charlie Sheen) é um jovem recruta recém-chegado a um batalhão americano, em meio à Guerra do Vietnã. Idealista, Chris foi um voluntário para lutar na guerra pois acredita que deve defender seu país, assim como fez seu avô e seu pai em guerras anteriores. Mas aos poucos, com a convivência dos demais recrutas e dos oficiais que o cercam, ele vai perdendo sua inocência e passa a experimentar de perto toda a violência e loucura de uma carnificina sem sentido.
Oscar 1988: O último Imperador – A saga de Pu Yi (John Lone), o último imperador da China, que foi declarado imperador com apenas três anos e viveu enclausurado na Cidade Proibida até ser deposto pelo governo revolucionário, enfrentando então o mundo pela primeira vez quando tinha 24 anos. Neste período se tornou um playboy, mas logo teria um papel político quando se tornou um pseudo-imperador da Manchúria, quando esta foi invadida pelo Japão. Aprisionado pelos soviéticos, foi devolvido à China como prisioneiro político em 1950. É exatamente neste período que o filme começa, mas logo retorna a 1908, o ano em que se tornou imperador.

Oscar 1989: Rain Main – Um jovem yuppie (Tom Cruise) fica sabendo que seu pai faleceu. Eles nunca se deram bem e não se viam há vários anos, mas ele vai ao enterro e quando vai cuidar do testamento fica sabendo que herdou um Buick 1949 e as roseiras premiadas do seu pai, sendo que um “beneficiário” tinha herdado três milhões de dólares. Fica curioso em saber quem herdou aquela fortuna e descobre que foi seu irmão (Dustin Hoffman), que ele desconhecia a existência. O irmão dele é autista, mas pode calcular problemas matemáticos complicados com grande velocidade e precisão. Ele seqüestra seu irmão autista da instituição onde ele está internado, pois planeja levá-lo para Los Angeles e exigir metade do dinheiro nos tribunais. Durante uma viagem cheia de pequenos imprevistos os dois se tornam amigos.

Fontes: Sites Cineminha e Adoro Cinema