Arquivo do mês: novembro 2003

A primeira a se iniciar nesse mundinho trash fui eu: Kátia. Era terça-feira de Carnaval, eu estava em São Paulo sem nada para fazer, a não ser assistir às baixarias do “Gala Gay” na tevê. Por acaso, lendo o jornal, soube que haveria uma festa no Teatro Oficina totalmente na contramão do que estava rolando em outros cantos da cidade, com muita música infantil, pop e brega dos anos 80. Telefonei para minha amiga Cíntia sugerindo a tal festa.“É a nossa cara!”, me respondeu do outro lado da linha, embora um pouco desconfiada: “Acho que só vai ter a gente…”. Para não nos sentirmos tão sozinhas, mais dois amigos, a Anand e o Christian, nos acompanharam no que seria uma verdadeira aventura de viagem no tempo…

É claro que nos deparamos com uma fila enooorme… Mas quem se importava em ter de esperar para encontrar “Diversão Garantida”? Não foi nada difícil para nós, entrarmos nesse espírito. A bela arquitetura do Teatro Oficina favorecia o clima de festa, extremamente amigável, que seguiu até às 6 horas da manhã, quando então um dos DJs (não lembro bem se o alto e mais novo ou o mais baixo e “invocado”) anunciou a última música. Nunca dancei tanto em um Carnaval e com tanto brilho no olhar! Passei a noite toda recordando momentos da minha vida e, lógico, as coreografias que marcaram época.
Saindo do teatro, pensei: a Kelly (minha companheira e amiga na revista e nas baladas) precisa saber disso!! Aproveitei a ocasião do aniversário dela, no início de maio, para sugerir uma comemoraçãozinha no Caravaggio. E lá foi ela… “Isso aqui vicia”, foi a frase da Kelly que fechou a noite.

Para quem já passou dos 25 anos é fácil entender o porquê desse deslumbramento ao primeiro contato com a festa. Nós duas temos a mesma idade e atravessamos a década de 80, dos 5 aos 15 anos, podendo assimilar toda cultura que dela emergiu. Certamente nessa fase da vida nada influencia tanto nosso comportamento como a música e seus ídolos. É como se a nossa vida fosse acompanhada por uma trilha sonora e ao ouvir determinada canção fossemos transportados para outro tempo e espaço. É exatamente esse clima deliciosamente nostálgico da Trash 80’s que a faz tão especial e ao mesmo tempo tão despretensiosa. Só lamentamos pelas primeiras festas que perdemos no Hotel Cambridge…

Um dia desses, já completamente contaminadas pelo bichinho da Trash 80’s, abordamos o DJ Eneas e não nos contivemos na rasgação de seda: declaramos a alegria em poder compartilhar esses momentos deliciosos com outras pessoas da nossa geração – dos mais variados tipos e procedências – e ver como ele e o Tonyy desempenham esse trabalho com prazer. Não faltam adjetivos para descrever a festa, é muito bom poder dançar, cantar e conhecer pessoas interessantes que não se constrangem em ter na ponta da língua a letra de “O Amor e o Poder”, tão repugnada por aqueles que curtiam um som mais rebelde, porém, não dispensavam os bailinhos de garagem (com direito à vassoura, é claro!) onde os temas de novela imperavam nos toca-discos. E verdade seja dita: nós duas nunca deixamos de dar aquelas espiadas… Bem, para sermos sinceras, passávamos a tarde toda em frente à tevê assistindo programas de auditório como Chacrinha, Barros de Alencar e até Gugu e o seu “Viva a Noite” na expectativa de ver o Nahim, Menudo e Guilherme Arantes aparecerem – é, como boas irmãs siamesas (by Tonyy) separadas ao nascer, não nos conhecíamos e já gostávamos dos mesmos cantores naquela época. Afinal, todo mundo (até a gente) tem o seu lado charmosamente brega (se é que isso é possível!), mesmo que camuflado.

Não sei se apenas essas lembranças justificam todo nosso encantamento pela Trash 80’s, mas ninguém consegue passar imune a essa experiência. Segundo a Kelly, é o “ar” ou quem sabe a “água” do Caravaggio que nos inebria! Renata, Andreia, Flávio, Dani, Chico, Jonas e Igor são alguns dos que também se renderam à festa e hoje formam praticamente uma comunidade trash que se encontra aos sábados no Caravaggio para extravasar o estresse da vida adulta e renovar as energias para a semana, no maior estilo “Dancing Queen”. São tantos “causos” para contar em pouco mais de quatro meses freqüentando a festa que daqui uns anos, quando ouvirmos hits dos idos de 80, as recordações que irão predominar serão das noites realmente divertidas que temos passado nesse lugar tão peculiar chamado pelos habitues mais antigos de “cortiço”, mas que para nós é o verdadeiro “elo perdido” dentro de São Paulo.

Kátia e os ídolos (dois entre os 5.647.891):
Nikka Costa – Nikka Costa é uma daquelas cantoras que tiveram um único sucesso e desapareceram para retornar 20 anos depois totalmente repaginada. Eu tinha uns 6 anos quando a música “On my own” estourou nas rádios. A melodia triste e a mensagem do clipe super tosco com o pai dela apresentado no Fantástico, eram o suficiente para me emocionar. Mesmo sem entender nada de inglês eu achava que sabia cantar: “Sometimes I wonders where I’ve been…” .
A-Ha – Eu amava, não a apenas pelos bonitinhos Morten, Pal e Mags, mas pelo sonzinho pop que faziam. “Hunting hight and low”, além de ter um belo videoclipe, marcou o início do meu primeiro namoro (ai, ai, coisa boa…). O A-Ha também foi o primeiro show que assisti no Pacaembu, em 1989, com direito a horas de fila, chuva de granizo, discussão, sem falar nas ameaças de pisoteamento… etc.

Kelly e os ídolos:
Menudo – “If you not here, by my side”… Ai, que saudades daquele tempinho!!! Eu tinha uns 11 anos quando a febre Menudo estourou. Morava no interior de Minas Gerais e não houve o que segurasse: dois shows (São Paulo e Rio), álbuns de figurinhas, pôsteres espalhados pelas paredes do quarto, fotos, camisetas; fazíamos de tudo para estar perto dos ídolos Robby, Roy, Rick, Charles, Ray. Tenho todos os discos até hoje!!!

Ritchie – “A vida é arte do saber. Quem quiser saber, tem que viver. Trago um mundo novo pra você. E daí… tudo bem… e você, como vai? Como vai?”. Esse trecho de “Casanova” (lembram-se da abertura da novela global “Champagne”?) é a mais clara definição Trash 80’s! Sem falar de “Menina veneno”, o hit de maior sucesso do cantor inglês, “A vida tem dessas coisas”, “Pelo interfone”, e por aí vai…

O mês de novembro traz a marca da Trash 80′s: diversidade, respeito e diversão. De ícones do pop/rock a festas da comunidade GLBT, o mês mostra que diversão não tem hora nem sexo! Dispa-se dos preconceitos, assuma seu lado pop e venha se divertir no lugar mais desencanado de São Paulo. Traga seu bom humor e boa festa!

1/11 – Noite das Sete Vampiras
DJ convidado: Leo Jaime
Começando a programação de novembro com o pé direito, Leo Jaime assume a cabine e discoteca no cortiço. Ele não é mais o mesmo do visual “rockabilly” dos tempos de Chacrinha, mas continua sendo o rei de todas as Sônias, Solanges e vampiras que andam espalhadas por aí. Para alegria dos fãs, Leo ainda canta dois de seus grandes sucessos. Você vai ousar ficar de fora dessa?

7/11 – Sexta Trash ao Vivo
Show com Rádio Táxi (Willie Oliveira, Fábio Veroneze e Mauro Cannalong)
A cada Trash ao vivo a gente tenta se superar trazendo o melhor de tudo que fez sucesso nos áureos anos 80. Lembra da pequena Eva? E da Garota Dourada? Estes e outros grandes sucessos do Rádio Táxi vão invadir a Trash desta sexta e colocar todo mundo pra dançar.

8/11 – Menudomania
Performance: Eloanígena + vídeos no telão (www.menudobrasil.com)
Quem é que não se lembra dos estádios de futebol lotados de mocinhas histéricas para ver os cinco rapazes de Porto Rico cantarem e se requebrarem no palco? Com certeza você também ouviu “Não Se Reprima” no último volume na vitrolinha da sala. Numa homenagem especial ao Menudo produzida pelo fã-clube oficial no Brasil, a Trash 80′s fará você cantar e dançar sem parar com os hits do quinteto, com direito a clipes no telão. E ainda tem a performance pra lá de esperada da Eloanígena.

14/11 – Sexta Trash Total
Festa dos Óculos
Encerrando uma “trilogia” depois do estrondoso sucesso das festas do Chapéu e da Peruca, a bola da vez são os óculos. A dupla Rico e Wander inova os acessórios e aguarda todos os trashers devidamente ostentando os “quatro olhos” na pista de dança. Prêmios para os óculos mais criativos e divertidos.

15/11 – TRASH–O-RAMA 80′s
Performance: Regis Der Ferche + exibição de curtas TRASH-O-RAMA
A segunda edição do ciclo TRASH-O-RAMA do Festival Mix Brasil chega mais uma vez na Trash 80’s. Será a festa oficial dentro do calendário da mostra e promete muito. A começar pela exibição dos curtas selecionados no telão e da performance andrógina de Regis Der Ferche, estreando na Trash. No som, os DJs Eneas Neto & Tonyy garantem a animação com o melhor do pior dos anos 80.

20/11 –Quinta Trash Especial: Aqui tem Chanel!
Show com Que Fim Levou Robin?, marcando a volta da banda + DJs convidados: Mauro Borges e Zé Pedro
O final da década de 80 determinou que mudanças estavam acontecendo. A dance music invadia o mundo e no Brasil o grupo “Que Fim Levou Robin?” despontava como uma proposta inédita. Mauro Borges e trupe abortaram o projeto deixando grandes hits. Depois de bons anos, a música divertida reapareceu, a banda foi reagrupada para uma série de apresentações e a nossa festa não ficará de fora. Num dia muito especial, Mauro Borges faz a festa e convida Zé Pedro para botar fogo na Trash 80′s. De quebra, o show mais do que especial de retorno do “Robin”. Vai perder?

21/11 – Sexta Trash Beardance
DJ convidado: Rogério Munhoz + stand da Bear Wear
A Trash 80′s é conhecida com a festa mais mix de São Paulo. Aqui o preconceito nunca teve vez. Héteros e gays convivem harmoniosamente com o único intuito de se divertir. E num mês tão importante para a comunidade GLBT, a Trash abre espaço para a turma mais “fofa” de São Paulo: os ursos. A Beardance é uma festa itinerante que chega a Trash 80’s trazendo muito descontração e alto astral. Rogério Munhoz será o DJ convidado e já avisou que de Trash e anos 80 entende muito bem! O pessoal da Bear Wear comparece com um stand para vender camisetas exclusivas. Woof!

22/11 – Cafona’s Club
DJ convidado: Ovelha
A gente assume: cafonice é aqui mesmo! Entre no clima e abra o armário escolhendo justamente aquela roupa que já está cheirando naftalina. Combine a blusinha florida com a saia ou calça de bolinhas e listras e arremate com um penteado pra lá de caprichado. Tudo pronto? Então pode chegar e se unir ao Ovelha para se divertir a valer.

28/11 – Sexta Bloggers & Floggers
DJs convidados: Dan Zero (Blogger) e Ligelena (Flogger)
Bloggers e floggers gostam mesmo é de computador, ICQ, câmera digital e de lista de discussão por e-mail. Neste mês o Dan Zero (http://tantufaz.blogger.com.br) e a Ligelena (www.fotolog.net/ligelena) já combinaram, mandaram mensagens, deixaram comentários, postaram textos e fotos e agora vêm a todo vapor munidos de uma legião de amigos virtuais. Alguém duvida que eles vão arrasar nesse set de uma hora?

29/11 – SuperTrash Globo de Ouro
Performance: Top Ten Trashers
Um dos maiores sucessos da televisão brasileira era o programa que trazia os hits em numa superparada musical. Agora a Trash 80’s revive estes tempos e capricha nas atrações. Abuse na maquiagem, nos cabelos armados e duros de laquê e nas roupas coloridíssimas que os sucessos ficam por nossa conta. No palquinho, a comunidade trash se prepara para mais um mico coletivo.