Pode-se dizer que vivi os anos 80 em sua plenitude, absorvendo toda aquela cultura multicolorida e super criativa, tanto na moda quanto na música. Nessa época eu era adolescente, e fui em meus primeiros bailinhos nos salões de festas dos prédios e casas de amigos. Devia ser por volta de 1982, 1983, e o movimento punk estava a todo o vapor aqui no Brasil – mas nunca me agradou muito. Curti o movimento dark/gótico em 1984, mas fui fisgado mesmo pelo new wave em 1985, após ter ido ao Rock in Rio. Meu uniforme era tênis quadriculado, calça OP colorida, camiseta Philipines fosforescente e muito gel no cabelo. Vivia com o walkman, ouvindo Devo, B-52′s, Pretenders, Duran Duran, Culture Club, Cindy Lauper, dentre outros. Me lembro com muita nostalgia desta época, que foi a melhor da minha vida. Depois veio uma fase mais amena, porém não menos dançante, onde eu curtia New Order, Depeche Mode, Sigue Sigue Sputnik, Dire Straits, Talking Heads, Simple Minds, etc. no Up & Down, QG, Area, Dancing… até eu entrar na faculdade e adicionar uma fase roqueira/grunge em meu currículo. Sem esquecer que sempre acompanhava o lado brega de tudo com muito entusiasmo, me divertindo através dos programas do Chacrinha, do Bolinha e das trilhas sonoras das novelas (tenho até hoje os vinis de quase todas da época). Após isso, tive uma vidinha pacata, tranqüila, de ir a barzinhos/restaurantes/cinemas… até conhecer simultaneamente o que eu considero hoje os dois maiores amores da minha vida: a Gigi e a Trash 80′s.

Eu e Gigi nos conhecemos há cerca de 1 ano, através de um amigo em comum, para trabalharmos em um projeto juntos. Nossos contatos sempre tiveram sido profissionais, por telefone ou por e-mail, e nos vimos apenas 3 vezes, para falar sobre trabalho. Na época eu namorava, e ela também. Portanto nem passou por nossas cabeças um lance mais informal. Bom, meu namoro acabou não dando certo, e uma semana depois, no dia 14 de setembro, meu amigo Rogério (o sócio da trinca) me chamou para ir numa festinha que ia rolar no Hotel Cambridge, e se eu poderia dar uma carona para a Gigi. Ok, fui na casa dela, e a gente foi para a festa. Foi meu primeiro contato com a Trash 80′s. Ensandeci ao ouvir músicas que eu nunca imaginava ouvir de novo, e era impossível não perceber o sorriso constante e o brilho nos olhos, denunciando toda a emoção que eu sentia. Me joguei na pista ao ouvir Bette Davis Eyes e dali só saí para ir embora. Emoções ouvindo incrédulo Ritchie, Rosana, Gretchen… nunca me imaginei dançando uma música do Menudo!!!! E foi ali, na pista, que dei o primeiro beijo na Gigi, ao som de “Vamos a La Playa” – um começo de relacionamento genuínamente Trash… desde então, estamos inseparáveis, eu, a Gigi, a Trash e todo o seu cortiço.

Alguns dos meus ídolos, que eu curto todo o sábado na Trash:

Madonna: uma deusa, uma unanimidade. Na minha adolescência, foi uma grande inspiração de momentos solitários. Adorava as músicas, os clipes, tudo! Párava tudo o que eu estava fazendo quando via ou ouvia Madonna. As garotas queriam ser como ela e os garotos suspiravam por ela. Fetiche puro. Mulher de verdade. Polêmica, decidida, bela, imprevisível. Enfim, uma deliciosa camaleoa que me fez dançar nos anos 80, com “Holyday”, “Like a Virgin”, “Material Girl”, “Like a Prayer”.

Ritchie e Rosana: lembro dos dois com muita saudade ao ouvir “Menina Veneno” e “O Amor e o Poder”, respectivamente. São músicas que fazem o meu coração bater mais forte. Ritchie me faz dançar e sorrir. Rosana me faz coreografar e chorar. E ambos me fazem cantar muito. Estes são indispensáveis tocar na Trash, tiro certeiro de emoção.

Right Said Fred: gritaria e animação. Quando toca “I’m Too Sexy” e “Don’t Talk Just Kiss”, tenho que dançar. Vou correndo para a pista, pulo, canto, grito. São as músicas animadinhas mais gostosas para chacoalhar o esqueleto. Por isso, eu coloco no trono também! Tá certo que é do início dos anos 90, mas é “licença poética”… e ninguém reclama!

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