Por Trash 80´s
19/11/2003

O grupo, formado no finalzinho dos anos 80 por Mauro Borges, Renato Lopes e pela promoter Bebete Indarte, foi um dos precursores da música eletrônica no Brasil e causou um grande alvoroço na mídia e na noite ao misturar uma espécie de dance music com música brasileira. Em entrevista dada por telefone, Mauro Borges, atualmente um dos DJs mais cultuados da noite paulistana, conversou com a gente: “Íamos aos programas de televisão, e só pra ter uma idéia da revolução que causávamos, ninguém sabia o que era sampler! A gente tinha que explicar do que se tratava para que as pessoas tentassem entender a música que fazíamos”.

Eles se apresentavam em todos os programas de televisão, com roupas exóticas e cantando músicas marcadas pelo bom humor das letras como “Que Fim Levou Robin?”, que sugeria que o parceiro de Batman teria se mudado para o Brasil e se tornado “go-go boy”, e “Tia”, que homenageava as “drag queens” que começavam a surgir em território nacional. “Teve uma época que queriam tirar o Robin da dupla com o Batman, e, embora não divulgassem, parecia que o grande motivo era porque todo mundo comentava que eles tinham um caso. Claro que aproveitei o gancho para o nome do grupo e também para a música”.

O grupo lançou o disco “Aqui Não tem Chanel” pela gravadora Warner (a música que deu nome ao LP foi eleita a melhor de 90 pela revista Bizz) e a carreira do “Que Fim Levou Robin?” foi interrompida logo depois. “A gravadora não investia no grupo e aí surgiu o lance do Massivo e tomamos todos um outro rumo”. Massivo é um conhecido clube paulistano que surgiu da sociedade de Mauro e Bebete.

Para a surpresa de todos, neste ano de 2003, Mauro Borges retomou o trabalho do grupo e vai lançar pela gravadora Paradoxx um novo álbum logo no começo do próximo ano. “Embora não seja um revival da música que fizemos na época em que o grupo surgiu, tem muita coisa no estilo e o legal da música dos anos 80 é que ela é livre de rótulos”.

Até o clipe da música de trabalho já foi gravado. O single, “Fashion”, foi dirigido pelo videomaker Rodrigo Garcia Dutra em uma gravação no dia 24 de outubro em plena Rua Oscar Freire (fotos) em frente ao Disco Fever (boate de Mauro Borges). “A música mexe com esse negócio que as pessoas têm de cultuar tudo o que aparece na TV e nas revistas e destaca o amor e ao mesmo tempo o ódio que envolve o mundo da moda”.

A música, de autoria do próprio Mauro, é uma sátira aos escravos da moda. Para o enredo do clipe a Oscar Freire foi escolhida por ser considerada o lugar símbolo do consumo de roupas, jóias e acessórios caros. Participaram das filmagens o DJ Johnny Luxo e a hostess Adriana Recchi, duas celebridades fashion, as drags Salete Campari e Jota, Renata Bastos, go-go boys, modelos profissionais e amigos pessoais de Mauro – a rua parou para ver a performance.

A primeira apresentação do grupo reformulado foi na abertura do Mix Music, evento do Festival Mix Brasil 11, dia 13 de novembro no Centro Cultural da cidade de São Paulo. E claro, a Trash 80’s também será palco para o retorno do QFLR. Será nesta quinta, dia 20 de novembro. “A Trash é o lugar ideal para divulgar nosso retorno, é totalmente a cara do QFLR e o show vai ser maravilhoso. Cantaremos músicas no álbum anterior e as músicas novas. O público pode esperar performances maravilhosas e até beijos entre as lindas go-go girls que fazem parte da nova formação, a Nani, Ana Paula e Elaine”.

DJ Zé Pedro também vem animar a festa

O carioca José Pedro Seliste, o DJ Zé Pedro, era estudante de direito e caixa de banco, e no final da década de 80 começou a discotecar para substituir um amigo. Quando se deu conta estava convivendo com grandes nomes e fazendo sucesso. Desde a primeira aparição como DJ, sempre teve um estilo todo particular e exótico. Este é um dos grandes diferenciais de Zé Pedro, conhecido no Brasil inteiro pelo seu visual e sua simpatia.

Em 1994, o DJ foi convidado para fazer a trilha de um desfile no Morumbi Fashion – o sucesso foi tanto que para o ano seguinte ele tinha contratos de mais 12 desfiles. Nesse evento, o sucesso da mistura de música brasileira e eletrônica dava os primeiros passos e Zé Pedro foi um dos responsáveis. Depois disso vários outros trabalhos surgiram até que ele foi o DJ da festa de lançamento da grife de sapatos de Adriane Galisteu.

Claro que ele caiu nas graças da loira e foram trabalhar juntos no programa “É show” pela Rede Record (antes era o “Super Pop” na Rede TV). A partir daí o Brasil ganhou de presente um dos DJs mais carismáticos e também uma das maiores figuras existentes na cena musical. Zé ficou no programa por cerca de 3 anos e continua a seguir de vento em popa com a carreira de DJ.

Já faz alguns meses que sua história de amor com a Trash 80’s começou. É comum vê-lo dançando alucinadamente em meio a multidão que se diverte na pista de dança da festa. Mas nesta quinta ele será um dos DJs convidados (pela segunda vez: Zé já tocou na Trash 80’s em julho deste ano) e assume a cabine do cortiço para fazer a alegria de todos os trashers. Quem é que vai perder?

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