Por Georgia Nicolaou (Gigi)

O Brasil também foi capaz de dar origem a artistas de gosto um tanto peculiar. Inspirados no auge do hard rock, no estilo americano de ser, ou no punk de boutique, os anos 80 foram o celeiro de muitos grupos como Kid Abelha, Rádio Táxi, RPM, e Supla entre outros. Dois desses artistas/grupos, vieram a seguir rumos completamente diferentes, até que um dia seus caminhos se cruzaram. Hoje, ambos continuam na ativa, mantendo seus antigos sonhos.

Quem é que nunca ouviu falar dos irmãos Busic? Filhos de um jazzista, Ivan (bateria) e Andria (baixo), começaram a carreira na banda Prisma, lançando um EP em 85, produzido por Luis Carlos Calanca, dono da loja e selo Baratos Afins (existente até hoje e sediada na Galeria 24 de Maio). Recentemente, esse álbum foi relançando em cd. Do Prisma, pularam para o Platina. Em seguida, Ivan é convidado a se juntar ao Chave do Sol, uma banda de hard rock, com influência dos ícones da geração farofa, que foi de extrema importância para o cenário brasileiro, até o surgimento do Viper. O grupo mudou de formação várias vezes em poucos anos, e um dos álbuns (totalmente em inglês) conta com a participação do guitarrista Eduardo Ardanuy, que num futuro não muito distante viria a formar o trio que hoje conhecemos por Dr Sin, junto à família Busic.Em 88, os irmãos montaram o Cherokee, que teve só um disco lançado pela Baratos Afins. Nesse mesmo ano, Andria chegou a ter uma participação especial no Ultraje a Rigor. Já em 89, o guitarrista Wander Taffo (Rádio Táxi) convida os irmãos para montar uma banda, a Taffo. Lançado pela WEA, o disco é um hard rock bem trabalhado, mas as roupas e os cabelos não negam a influência do new wave da época. Gravaram mais um disco e quando a banda acabou, os irmãos chamaram o “velho” amigo Eduardo (Ardanuy), e unem-se a Supla, para gravar o álbum de maior sucesso do cantor, que estava no limbo desde o desmanche do Tokyo. É o segundo disco da carreira de Supla, sem contar os dois gravados com o Tokyo. O álbum traz a participação especial de Virginie (Metrô) e Roger (Ultraje). Desde 92, o trio continua lutando para representar o hard rock brasileiro, com muito empenho e talento, sob o nome Dr Sin.

Hoje, Supla tem 34 anos, cara de mau, mas dizem por aí que tudo não passa de aparências. O primeiro cd com o Tokyo, Humanos, lançado em 83 pela CBS, trazia uma homenagem a Nina Hagen- Linda Garota de Berlim, com quem Supla teve um rápido caso. Filho de políticos, Eduardo Suplicy adotou o visual “punk”, muito provavelmente inspirado no Billy Idol, que fazia sucesso na época. Verdade ou não, é impossível negar a semelhança, e diga-se de passagem, a imensa coincidência que foi participar do segundo Rock In Rio, ao lado do próprio Billy Idol, em 91.

Desde criança, já tinha vocação para música, ou melhor dizendo, para o rock’n'roll. O menino rebelde-fashion acabou entrando num grupo novo, que virou sensação. Supla conseguia aparecer em programas como o da Hebe, cantando um dueto com Cauby Peixoto. O segundo disco do Tokyo não foi lá essas coisas, e depois que a banda acabou, Supla ficou sem músicos para continuar sua carreira. Gravou um disco solo, que não fez tanto sucesso. A guinada aconteceu em 91, não só pelo próprio Rock In Rio, como pela qualidade apresentada no seu disco mais famoso, um de capa branca, gravado com os meninos do Dr Sin. Nessa época, ele vivia um tórrido romance com a modelo Fabiana Kherlakian, responsável pela coordenação geral do disco. De fato, esse romance levou o cantor ao status de sex symbol. Fotos calientes do casal foram publicadas em uma revista brasileira. O tempo passou, e em 95, ele decide mudar-se para Nova Ioque. Lá, montou o Psycho 69 (responsável pela música Green Hair, vulgarmente conhecida como “japa girl”) e gravou dois discos, sendo que um é ainda inédito no Brasil. Atualmente, participou de um reality show e lançou mais 2 discos, e mesmo com o sucesso latente, as coisas nunca mais serão como naquela época.

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