Por Aluízio “Zeezo” Fagundes.

A pornochanchada surgiu no começo dos anos 70 e durou até meados dos 80, quando perdeu espaço para a invasão do pornô americano. O que me faz refletir: por que, já que o produto nacional era muito mais criativo, implícito, engraçado, com história e muitas vezes mais sensual até, pela insinuação instigante? Só tenho uma resposta: pela sacanagem mesmo. Na época ninguém pensava muito no que eu citei, já que o grande barato era assistir um filme inteiro para ver cinco ou seis cenas com peitinhos e bundinhas à vista e uma ou outra com um amasso mais forte. E dá-lhe imaginação aos espectadores tarados. Com a chegada do pornô explícito, o que se via às vezes na pornochanchada conseguia-se analisar detalhadamente em abundância com “upgrades” para outros detalhes anatômicos, além de ver realmente aquilo que se fantasiava.

Pense bem: tesão por tesão, o que é melhor, a “fantasia criativa” ou o “sexo escancarado”? Situações apimentadas do cotidiano nacional, perfeitamente inseridas na nossa realidade ou puro sexo casual, muitas vezes surreal e inalcansável por nós, reles mortais? Na minha sincera opinião, eu fico com os dois. São linhas distintas, feitas de maneiras diferentes, com direcionamentos singulares andando paralelamente. Por mim, poderiam muito bem conviver pacificamente, e uma não acabaria com a outra. Mas foi em outra época, em outra situação, em que a história brasileira tem um pouco de culpa.

A pornochanchada, de certa maneira, foi uma evolução das chanchadas brasileiras dos anos 50 e uma resposta ao cinema italiano, que na época fazia comédias que flertavam com a sacanagem. O que moldou a “cara” da pornochanchada foram essas inspirações cinematográfica, aliada a histórias simples, à latente sexualidade dos anos 70 e a um precário orçamento. Orçamento esse que em muitas vezes era patrocinado pela Embrafilme, do governo. Sim, o governo militar até gostava da pornochanchada, pois não havia nenhuma alusão política ou filosofal, insinuava sem mostrar e entretia o povão, desviando a atenção de idéias potencialmente perigosas ao sistema repressor. Um verdadeiro circo romano. Daí a grande rivalidade com os produtores e diretores do “novo” cinema brasileiro da época, que lutavam contra a censura e não entendiam a liberdade dada às produções da “boca do lixo” (ou até entendiam, mas se sentiam injustiçados).

Os anos 70 foram do erotismo, da revolução sexual, da descoberta do nú em revistas masculinas. Da libertação do corpo e da mente. O que explica o grande sucesso da pornochanchada. O que foi um alívio, devido a uma grande ressaca ideológica e algumas vezes incompreensível do Cinema Novo. Foi enterrado por um estilo solto, criativo, de fácil entendimento, de produção baixa e que proporcionava uma renda muito maior – e conseqüentemente um grande gerador de empregos.

Criou verdadeiras musas na época, o que dava um sabor mais especial: Aldine Müller, Helena Ramos, Vera Fischer, Matilde Mastrangi… e também tinha seus ídolos, que inspiravam os “machões” brasileiros, como David Cardoso. Sem esquecer de mencionar Antonio Fagundes (e sua famosa cueca vermelha), Nuno Leal Maia, Jardel Filho…

Alguns dos filmes mais significativos da pornochanchada: “A Viúva Virgem” (1972), que foi considerado a primeira pornochanchada, “A Superfêmea” (1973), que lançou a então ex-Miss Brasil Vera Fischer ao cinema, “O Estripador de Mulheres” (1978), com Aldine Müller, “O Amante de Minha Mulher” (1979), com o David Cardoso, “Mulher Objeto” (1981), considerado o maior sucesso de Helena Ramos e o polêmico “Amor, Estranho Amor” (1982) que teve como principais protagonistas Vera Fischer, Matilde Mastrangi e Xuxa.

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Um comentário
  1. Ola, tudo bem. Sou colecionador de filmes da pornochanchada. Gostaria de obter lista de filmes para comprar. Abraços

    dialog
    juvenal juniior comentou em 16 de julho de 2011 às 20:02 Responder

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