Por Wander Yukio

Os movimentos culturais surgem e ressurgem por alguma corajosa atitude ou por alguma grande obra lançada no momento oportuno.

Foi assim com a Jovem Guarda (com a dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos), foi assim com a Tropicália, com as apresentações de Gilberto Gil e Caetano Veloso no Festival da Música Popular Brasileira, em 1967.

E em 82, Evandro Mesquita (que atualmente é um dos atores no filme “Os Normais”) larga o seu grupo teatral (o “Asdrúbal Trouxe O Trombone”) e se une com o baterista João Luís Woenderbarg (o cantor “Lobão”) + Antônio Pedro (um baixista, que participou de uma das inúmeras formações dos “Mutantes”) + o guitarrista Ricardo Barreto (junto com a sua namorada Márcia Bulcão) + o tecladista Willian Forghieri + a bailarina Fernanda Abreu, para uma apresentação no bar Caribe (no Rio de Janeiro).

E assim nasceu a BLITZ…

No final deste mesmo ano, essa trupe assina um contrato com a gravadora EMI-Odeon e lança a música “Você Não Soube Me Amar” (um “rock de breque poético com visualização de história em quadrinhos”). Essa música tem execução maciça nas rádios de todo o Brasil e vende + de 700 mil cópias.

Com este respaldo, o LP “As Aventuras da Blitz” é lançado e ultrapassa a marca de 330 mil cópias vendidas, inaugurando a ótima fase do rock brasileiro dos anos 80 (a partir daí, o nosso país, que não viveu a fase punk inglesa “Do It Yourself”, se depara com centenas de novos grupos de rock).

Após este “estouro”, o cantor Lobão deixa o grupo. No seu lugar entra o baterista Juba, completando a formação que vingou nos dois próximos LPs “Radioatividade” (com o sucesso “A 2 Passos do Paraíso”) e “Blitz 3” (com o sucesso “Egotrip”).

A concepção visual e gráfica dos seus LPs são um destaque a parte, já que incluíam capa dupla interna, pôster e inúmeras fotos dos integrantes da banda. Com esta experiência editorial, lançaram também um álbum de figurinhas da banda.

Suas outras realizações são um compacto com as faixas censuradas do 1º LP (“Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues” e “Ela Quer Morar Comigo na Lua”), um especial para a TV Globo (“Blitz Contra o Gênio do Mal”) e a participação especial no 2º programa infanto-juvenil “Pluct, Plact Zum”, com a abusada música “A verdadeira História de Adão e Eva”.

Suas apresentações ao vivo são cheias de efeitos cenográficos (na época era comum se apresentarem no “Circo Voador” e no “Canecão”, no Rio de Janeiro e no “Palácio das Convenções do Anhembi”, no “Palace” e no “Projeto SP” em lona de circo, em São Paulo, sempre com lotação esgotada).

Em janeiro de 85, participaram do 1º Rock In Rio e em junho, se apresentaram no Festival da Juventude, em Moscou. Voltando ao Brasil, o grupo torna-se protagonista da campanha publicitária para o aumento de consumo do café brasileiro, nas principais emissoras de TVs.

Em março de 86, a vocalista Márcia e o guitarrista Ricardo abandonam o grupo. Logo em seguida, os outros integrantes encerram as atividades e apagam a “faísca inicial do Rock Brasileiro dos anos 80” (a Blitz até que foi “reagrupado” mais algumas vezes nos anos 90, numa espécie de “volta-caça-niquel”, mas sem nenhum novo sucesso a ser gravado).

A única da banda que retornou em carreira-solo com sucesso foi a cantora Fernanda Abreu, mas neste caso, já estamos nos início dos anos 90.
E na nossa memória permanece trechos da música “Weekend” (além de todos os outros inúmeros sucessos).

“BLITZ documentos? Só temos instrumentos…”

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