Vejamos… Meados de 2002 e estava eu brincando de Internet, procurando alguma coisa interessante pra fazer no fim de semana. Tinha uma turminha que andava comigo, mas que não gostava exatamente das mesmas coisas que eu gostava. Na necessidade de ser um cara social, eu acabava encarando tudo o que era proposto, a pergunta base para caracterizar um lugar bom era: “tem muié?” Se a resposta era sim, o comboio estava armado, se era não, as especulações continuavam…

Foi aí que encontrei: “Hotel Cambridge”. O anúncio que vi a princípio não falava nada da Trash, só dizia que era um lugar legal, que entrar no hotel era como viajar no tempo e tal, mas mexendo nas profundezas do site encontrei a programação e pensei: “meu…”, é pensei só isso mesmo.

Bem, nas festinhas promovidas pela minha família há algum tempo, acontecia algumas coisas deste tipo, tudo começava com uma musiquinha normal, um rádio gravador na varanda e o álcool na guela, aí as garrafas iam esvaziando, e começava o karaokê. Nãããão, nããããooo, não tinha aparelho de karaokê, era na “raça e no gogó” mesmo!!! Aí eu pegava meus super CDs das maiores porcarias do universo e fazia a Trash Medina. Me desculpem “os cara” (Enéas e Tonyy), mas as minhas porcarias eram muuuito mais porcarias: Milionário e José Rico, Duduca e Dalvãn, Tonico e Tinoco, Belmonte e Amaraí, Matogrosso e Matias, e por aí vai… Noites a fio chorando a música da nossa terra, explicando o sofrimento da traição (chifre) e os vizinhos chorando de raiva… E daí? O que vocês tem com isso? Nada, é verdade, é só pra explicar o que eu entendo como “diversão garantida” – esta frase vocês conhecem né?

Chamei os meus “amigos” para irmos ao hotel, e expliquei para eles o que eu havia lido: que era legal, engraçado e a gente ia se divertir. Mas aí tchannnnnnn… A pergunta básica: “ôôôôôôô Medina… tem muié?”, respondo: “Pô cara, não sei, nunca fui!”, e eles: “Ah então deixa pra lá”. Pois bem, querem saber? Na hora pensei: “Eu vou sozinho, não quero nem saber, não nasci grudado com ninguém mesmo”.

Chegando o dia, um sábado de outubro de 2002, eu chamei um amigo, só por chamar, já na certeza que ele não toparia e, pasmem, ele topou – fomos.

Chegamos cedo, por volta das 23 horas. Entramos e procuramos a nossa posição. Cachaceiros de infância, eu e meu amigo, tinha que ser um lugar próximo do bar, não podíamos ter dificuldades para solicitações de álcool. Ficamos ali do ladinho do “dijeis”, foi a primeira vez que tomamos skol beats, aquela da garrafinha torcida, bem… Só por aí já ficamos empolgados, a cerveja era boa, foi aí que das pickups ecoava-se o som de Ovelha: “Uouuouuu ieieiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, sem você não vivereiiiiiiii”. Fomos ao delírio com aquilo, era tudo o que eu queria ouvir, era tudo o que eu queria curtir, finalmente eu achei um lugar pra “realmente” me divertir.

Aí eu aproveitei uma folguinha do “dijeis” (Tonyy), que eu não conhecia, e fui bater um papinho com ele. “E aí amigão, tudo em ordem? Toca uns ‘roquenroll’ também?”. E o Tonyy responde: “Toca sim, mas só os mais porcaria da década de 80, Van Halen, Survivor, coisas deste tipo”. Daí me deu um flyer de uma festa que ele ia tocar no dia seguinte, eu perguntei o que tocava, ele disse que rolava uns tais de “elétrico”, “técnico”, essas coisas… Tudo bem, muito simpático este cara, confirmado pelo amigo que foi comigo…

Meu, um lugar com pessoas legais que nos receberam muito bem, cerveja de qualidade, e divertido daquele jeito? Era tudo o que eu queria!

E quer saber mais? Sim, tem “muié” sim, e de muito boa qualidade, mas pensa que eu falei pros meus amigos? Falei nada, deixa eles procurarem na VO, he he he he he he…

Gente, a parte mais séria é que eu conheci muita gente legal, a quem eu quero muito, mas muuuuito bem meeeesmo, descobri que não tem outro lugar pra procurar carisma e simpatia, e a cada semana, tem pessoas diferentes, embaladas pra presente, que recebemos com muito carinho, assim como fomos, cada um na sua vez, pessoas que só demoraram um pouco mais pra descobrir o que é se divertir e conhecer gente legal!

Juntem-se a nós, o nosso preconceito é só contra preconceitos!

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