Tudo começou no dia 1o. de maio de 2002, quando fui ao Grind pela primeira vez junto com a Heloisa, uma garota que havia conhecido num dos lugares que mais frequentava então, o DJ Club.

Logo fomos recepcionados pelo Alisson Gothz, que também ia de vez em quando ao DJ Club, e daí começamos a dar uma ronda pelo local, tentando conhecer melhor como era a Lôca e o projeto Grind que era tão comentado pelo pessoal que a gente conhecia. A Heloisa foi começando a se apresentar para os assinantes da lista de e-mail do Grind que ela conhecia, entre eles o Manu, a Talia, o Daniel Amb… até que passou por nós um sujeito de óculos com uma camisa branca carregando um case de CDs em direção ao andar superior da casa. Segundo o Helô, era um tal de DJ Tonyy, que eu conhecia apenas pelas mensagens da lista do projeto SOUND da qual ele era assinante na época.

Continuamos nosso tour de conversas e descobertas pela casa, até chegarmos ao andar superior. Lá estavam o Manu, a Talia, o Amb e o Alisson sentados, assistindo à performance de Tonyy, que vibrava enquanto tocava no aparelho de CDs sons ultra-pop e kitsch dos anos 80′s, como “Mr. Robotto”, “Everytime You Go Away” e “Total Eclispse Of The Heart”. Logo quando chegamos, a Helô me apresentou a ele e a um sujeito que estava bem diferente da época em que eu havia o visto pela última vez, no ano de 1993: sim, era Enéas Neto, que eu conhecia desde quando lia suas colunas na revista Bizz e ouvia um programa de música eletrônica que ele tocava na 97FM aos sábados, chamado “Zenzor”.

Tanto eu como a Heloisa e a turma sentada ao redor do Tonyy curtiu muito o set que ele tocou, pois ao mesmo tempo que tinha um lance bem-humorado nos fazia lembrar dos hits que escutávamos no passado. Acabei saindo da Lôca pensando que seria interessante haver algum lugar ou alguma festa onde pudéssemos ouvir esses sons da “década perdida” numa boa, sem compromissos com “seriedade”, “atitude”, “bom-gosto”; enfim, cair na diversão pura e simples.

Pois bem. Alguns dias depois, fiquei sabendo por e-mail que iria acontecer uma festa especial que se realizaria apenas durante o mês de maio e que se chamaria “Trash 80′s”, e que ia acontecer num local do centro, o Bar do Hotel Cambridge, tendo como DJs principais o Tonyy e o Enéas que havia encontrado há poucos dias atrás.

Pensei: “bom, pode ser coisa boa mas… no Centrão? Eu nunca me aventurei por lá, será que a parada é legal mesmo?”. Foi aí que minha amiga Patricia C. me mandou um e-mail me dizendo que também tinha ficado sabendo da festa e que queria conhecê-la; foi aí então que decidi que seria uma boa ir lá para saber como as coisas rolavam.

Então, apareci no 2o. sábado da Trash 80′s. Cheguei por volta das 11:30h, e estavam sendo tocadas exatamente aquelas músicas que eu havia ouvido no Grind, mas fiquei pensando se aquele tipo de som iria durar a noite toda. Quando o DJ Tonyy passou por mim, perguntei isso para ele. Como resposta, ele pegou no meu joelho e disse: “está preparado? saiba que você vai dançar muito esta noite”. Dito e feito. Por volta do início da madrugada, começaram a rolar hits pop dançantes dos anos 80 que fizeram o povo da pista vibrar muito, eu incluído. Acabei saindo do Bar do Hotel por volta das 4:00h, com a certeza de que aquela festa era o que faltava ao roteiro da cidade.

Depois disso, uns dias depois quebrei o meu pé e fiquei 1 mês parado em casa. Mas aí logo quando me recuperei voltei à Trash, que tinha sido estendida para o mês de junho e de julho. Adorei mais uma vez e repeti no sábado seguinte, e no outro, no outro… e aos poucos conheci as pessoas que assim como eu eram habitués de lá: primeiro a Juliana Lenore, depois o Rico Suave, a Larinha, o Nico Almeixas, a Adriana Spaca, o Datcho… e fui ficando conhecido do pessoal, na medida em que participava da festa e da lista de e-mail dos participantes da Trash 80′s. E com o passar do tempo, aqueles que começaram como colegas de festa acabaram se tornando amigos – os integrantes da “Família Trash”.

Bom, a festa teve para mim vários momentos e experiências memoráveis. Se eu fosse contar a respeito de tudo que aconteceu (os causos do saguão, as músicas incríveis, bacanas e bizarras que já ouvi, a vez em que fui DJ convidado, a manhã de domingo em que o DJ prometeu tocar a “última música” umas 8 vezes, a fuzarca das festas especiais), tenha certeza que este texto seria muito, mas muito maior…;-)

De qualquer forma, posso dizer que sem dúvida nenhuma a Trash 80′s foi e é para mim uma das festa mais bacanas, sexies e principalmente FELIZES que eu já conheci. Os DJs e o povo que ajudou a festa a ir para a frente tem todo o mérito de terem tornado isso uma realidade.

Bom, para finalizar, me pediram para que eu citasse quais eram minhas três músicas preferidas na Trash 80′s. Bom, na verdade é difícil fazer uma escolha entre as várias que gosto de ouvir, mas vamos lá:

Menina Veneno, Ritchie – esta música foi um mega-hit nacional do cantor inglês Ritchie em 1983. Ela mistura coisas da new wave e do technopop na moda da época com uma letra de um romantismo que beira o brega. Eu ouvia muito essa música na época em que ela fez sucesso na minha vitrola, e guardo até hoje o compacto dela aqui em casa. Para mim, essa música é a cara da Trash 80′s.

Bette Davis Eyes, Kim Carnes – nesta música do início dos anos 80 a voz rouca da loura Kim Carnes (que era chamada de “Rod Stewart de saias” na época) contrastava com um som que misturava toques da disco music, do rock e dos sons sintéticos que começavam a fazer sucesso, tudo dentro de uma aura que ao mesmo tempo lembra glamour e uma certa decadência.

Wake Me Up Before You Go-Go, Wham! – o 2o. maior hit do Wham! (o primeiro foi a balada “Careless Whispers”, na verdade uma música solo de George Michael), esta música foi feita para ser o mais absurdamente pop e “atual” possível – para os padrões de 1984, época em que ela foi feita. Para mim, é “o” pop descaradamente bubblegum perfeito! A letra simples, ritmo alegre e refrãozinho divertido faz dela uma das minhas preferidas.

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