Trash 80’s
Como se todo sábado fosse carnaval

Em meus 26 anos, nunca imaginei que iria conhecer, viver e participar de uma folia como a Trash 80’s. E pensar que antes de conhecê-la, eu já havia freqüentado uma festa no Hotel Cambridge em uma sexta feira e logo pensei – “Nossa, este lugar é mágico. Quero voltar mais vezes”. A decoração era praticamente a mesma, ou seja, muito carpete e sofá vermelho e pouca iluminação em um local onde a decadência dava lugar para a luxúria. Só tinha uma grande diferença nesta festa, no canto da pista onde estava improvisada uma cabine de som, não tocava hit’s dos anos 80 e sim muito samba rock remixado na voz de Tim Maia e Jorge Ben Jor. Quem comandava o som não era a dupla de DJs, Tonyy e Eneas e sim uma mulher. A pista era pequena e para pedir uma bebida a pessoa tinha que “invadir” a cozinha do hotel. Após este dia, passei a procurar locais em São Paulo onde eu pudesse curtir somente músicas dos anos 80 e acabei encontrando a Autobahn, festa que ocorria todo segundo sábado de cada mês e que tocava clássicos como New Order, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Erasure……

Se divertir somente uma vez por mês não era o suficiente; precisava de mais. E foi numa busca na internet, com a frase “festa anos 80″ que meu comparsa Bernard acabou encontrando o blog do DJ Tonyy e deixou o release da festa Autobahn nos comentários do mesmo. Tonyy enviou um e-mail de resposta dizendo – “Vc é muito cara de pau hêin!!! Vem divulgar uma outra festa no meu blog sabendo que eu sou um dos criadores da Trash 80’s”. Apesar de dar uma resposta bem malcriada ao e-mail do Tonyy, acabei entrando na lista de discussão da Trash, não participava, ficava apenas de ‘’voyeur’’ até criar coragem e dar as caras na festa. Estava me programando para aparecer no dia 14/09 (Fiesta Cucaracha), mas a minha estréia na Trash foi na semana seguinte no Especial Autobahn (21/09).

Foi amor a primeira vista, reencontrar o Hotel Cambridge com todo aquele ambiente contagiante e escutando músicas que eu não ouvia desde a minha infância e adolescência,não tem explicação. Larinha foi a primeira trasher que eu conheci pessoalmente. E o mais engraçado foi chegar nela e dizer: “Você que é a Dri Spaca que xinga todo mundo na lista ?”, e ela responde: “Não, a Dri é aquela alí”, apontando para uma garota de maria-chiquinha que dançava loucamente ao som de Ronaldo Resedá em frente a porta que separava a pista do hall do hotel. Mal podia imaginar que futuramente ela seria a minha mulher e mãe do meu filho que estar por vir.

Dançar até se acabar com as músicas dos meus ídolos Sidney Magal, Trio Los Angeles e Metrô foi algo muito especial. Escutar Sônia do Léo Jaime, Tremendo e Festa do amor da Patrícia Max, foi uma emoção que só pode ser explicada por quem viveu a época.
Neste dia pude encontrar o que tanto procurava em uma festa. Diversão em clima de carnaval. A Trash se resume a isso, muita gente de bem com a vida onde o importante é extravazar toda a alegria sem medo de ser feliz, ou seja, um grande baile de carnaval que não tem hora para acabar.

Minha vida é dividida entre o “antes-Trash” e o “pós-Trash”. E posso afirmar que muita coisa mudou para melhor, sou muito mais feliz depois de conhecer a festa e as pessoas que nela frequentam e que acabaram de uma forma ou outra fazendo parte da minha história.

E como já dizia Ronaldo Resedá: “A FESTA NUNCA VAI ACABAR !!!”.

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