“… Sou feliz, por isso estou aqui…

2002 – Mais precisamente, dia 02 de agosto. Larinha se prepara para a primeira Trash 80’s de sua vida. Embora relutante e preguiçosa, a força do destino a leva em direção ao Hotel Cambridge. Coração ligado, beat acelerado, lá foi ela, sem saber o que encontraria pela frente. Fato a ser registrado: Larinha é Goonie, mas não é ranger. E foi parar no meio da festa de Nossa Sra. Achiropitta, perdida. Nada mais trash. Mas garantiu ótimas risadas. Embora pensasse em desistir, continuou procurar pelo Templo da Perdição, como se uma voz dissesse: Larinha, seu passado a espera. Ao atravessar a porta, estranhou um pouco o clima decadente, o carpete vermelho que cobria as falhas no chão e o povo aglomerado em uma pista minúscula. Timidamente se apresentou ao DJ Tonyy, que já havia sido tão cordial via e-mail e riu, pois ele estava com uma peruca bizarra e uma camiseta do Menudo. Juntou-se, então, ao seus amigos no saguão do Hotel. De um canto, observava tudo atentamente, para não perder nenhum detalhe, até que, da pista ela ouviu: “Fim-de-semana você me liga, você me chama, você convida”. Apaixonou-se. O namoro acabava de começar. A partir de então, não saiu mais dali. Foi, realmente, uma noite de aventuras. Voltou rindo e comentando que tinha entrado em um Labirinto. A magia do tempo estava de volta. Para entender o que aconteceu de tão mágico naquela noite, é necessário fazer uma busca, em algum lugar do passado.

1975 – Março. Nascia uma Goonie. Ariana da pá virada. Entrou criança na década de oitenta e saiu adolescente. Brinquedos, moda, filmes, músicas, novelas, coleções. Viveu intensamente cada pedacinho que os 80’s ofereceram pra ela. E sonhou. Sonhou em ser paquita (sabia todas as coreografias), em ser a Virginie do Metrô, queria ser a She-ra, a Princesa Sarah, do Cavalo de Fogo ou a Sheyla, da Caverna do Dragão. Era apaixonada pelo Erick Strada e pelo Joe, de O Pirata do Espaço. McGiver era seu ídolo. Afastava os móveis e criava passos para Dancing Queen, I’ve had (the time of my life) e Lindo Balão Azul. Aos finais de semana, juntava-se com os primos para jogar Banco Imobiliário, Detetive e Cai-não-cai. Ia para as domingueiras e se esbaldava com Erasure, Pet Shop Boys e B 52’s. Chorou ao som de Total Eclipse of the Heart, Coming Around Again e Crazy for you. Foi aos shows de seus ídolos: Menudo, A-há, RPM e Xuxa. Cresceu feliz, curtindo a vida adoidado. E o mundo adulto chegou, em ritmo louco, colocando todas essas lembranças em uma arca perdida em sua memória. Um mundo grilado, dolorido, que se conforma…

2003 – Todos os sábados ela faz tudo sempre igual. E é sempre diferente. Os Ases Indomáveis das pick-ups sempre têm uma carta nova na manga. E o mais importante: com um profissionalismo invejável e respeito à diversidade. Respeito ao ser humano. Talvez esse seja o segredo do sucesso. Todos tratados em pé de igualdade e, ao mesmo tempo, com a individualidade necessária. Não há mau humor, baixo-astral, cara feira ou TPM que resista. O sorriso surge no rosto de todos e ali permanece por horas. E, ao final da festa, é sempre a mesma coisa. Com o coração apertado, porém renovada para uma semana inteira de contatos apenas virtuais, a “família Trash” se despede e promete: semana que vem, eu vou ficar te esperando, não quero dizer adeus… Larinha se auto-intitulou Representante da Ala Infantil, por ser, ainda, uma criança grande. Bolinhas de sabão, pirulitos, orelhas de Minnie, antenas, fantasias e o que mais permitir essa viagem ao passado tão delicioso, são sempre bem-vindos. Gatinhas e gatões se reúnem no Caravaggio para resgatar o melhor de sua infância/adolescência. Sem vergonha de ser feliz. Descrever o que se passa lá dentro, vai além da imaginação. São coisas que o coração sente. Simples assim. A energia flui de maneira única. Os DJs Eneas e Tonyy encontraram o Elo Perdido, que une as pessoas em torno de um objetivo em comum: diversão sem medida, regada com muita música e brincadeiras saudáveis. Todo mundo canta, dança, sem parar… Não há, no mundo, Caça-fantasmas que consigam exterminar o espírito de alegria que invade o Caravaggio todos os sábados. Ali, até os fantasmas se divertem. Pegar carona nessa cauda de cometa e se transportar além do tempo e espaço, possibilitando trazer à tona tudo de bom que a década de 80 proporcionou. A sensação de plenitude, de coração explodindo a cada música, a cada dança, a cada abraço de uma pessoa querida, é indescritível. Um mundo de magia, onde a fantasia vai entrar na dança. Depois de dez meses frenquentando assiduamente a festa, Larinha está imensamente feliz em poder compartilhar um pouquinho de como se sente: ela finalmente encontrou o seu pássaro azul.

Se você chegou até aqui, conhece Larinha e a festa, sabe exatamente o que ela quis dizer. Se não conhece a Trash 80′s ainda e se identificou com algum trecho do texto, você tem a alma oitentista. Sândalo de Dândi, Locomotion, He-man, Uni-duni-tê, Take on me, Locomia, Amante Profissional (cadê?) e muitas outras estão esperando por você, todos os sábados, na nossa Trash 80′s. A festa continua, a casa é sua, pode entrar… “

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