Os heróis mais exóticos dos anos 80 !
Por DJ Tonyy

Acima dos valores tradicionais de “bom gosto”, o grupo Brazilian Genghis Khan sempre foi respeitado pela qualidade técnica, e por nunca demonstrarem o menor sinal de vulgaridade em seu exagerado trabalho… heróis para crianças, heróis para adultos, eles estão de volta no século XXI ! Em entrevista exclusiva, o argentino Jorge Danel que vive no Brasil há quase 40 anos, contou-nos um pouquinho de sua trajetória… A chegada ao Brasil Jorge Danel chegou ao Brasil no começo dos anos 60, para trabalhar como dançarino. Bailarino de formação clássica, veio direto para o Rio de Janeiro trabalhar em musicais na chamada “Broadway Brasileira” ao lado de grandes nomes do teatro de revista como Carlos Machado (Boate Nigth and Day), Walter Pinto e Grande Othelo. Logo depois surgiu a oportunidade de vir para São Paulo à convite de Sonia Carr, coreógrafa de Marlene Dietrich. Em trabalhos ligados às pioneiras TV Record e Tupi, ele dançou ao lado de Rita Pavone, François Jordi, Chubby Checker, Bibi Ferreira e até Josephine Baker e Xavier Cougat, com quem já havia trabalhado em Buenos Aires. Na década de 70 veio, após circular pelo mundo dirigindo um musical “tipicamente brasileiro” na rede de hotéis Intercontinental, veio a consagração definitiva como primeiro bailarino e coreógrafo do Lido de Paris. O nascimento do Brazilian Genghis Khan No começo dos anos 80, Jorge procurava uma forma de lançar um trabalho que unisse música, dança, teatro, figurinos exóticos, e ao mesmo tempo agradasse a adultos e crianças. Influenciado inicialmente pela estética do grupo Secos & Molhados e pelo boom da Disco Music, ele procurou em vão várias gravadoras. O melhor que conseguiu fui uma proposta da RGE/Som Livre para criar um grupo cover do Genghis Khan “original”, pois o disco dos alemães estava encalhado e eles precisavam de alguma forma para impulsionar as vendas. Um contrato que permitia que depois de 2 anos o Brazilian Genghis Khan pudesse lançar suas próprias músicas foi o passo inicial de um dos maiores sucessos dos anos 80, tanto que ofuscou os “originais” ao ponto deles serem completamente relevados pela gravadora com o passar dos anos, sem contar que ás vezes o público sequer acreditava que existissem os tais alemães… “Comer, comer” era cantada pelos quatro cantos do país, e o grupo era aclamado como uma das mais interessantes e exóticas aparições que já se teve notícia. A mistura de elementos como música infantil “saudável”, ritmos latinos e orientais, coreografias elaboradas, impecáveis figurinos e maquiagem, elevava o grupo a um patamar muito acima de críticas sobre o lado cafona de seu visual. Com o lançamento do álbum Brazilian Genghis Khan em 1984, iniciaram um meteórica carreira de shows com suas próprias composições, quando eles eram obrigados a apresentar-se em até 5 locais diferentes numa mesma noite. Dentre milhares de shows durante quase uma década, Jorge guarda doces lembranças que vão desde a alegria das crianças em apresentações realizados em hospitais, até curiosos shows em garimpos em plena floresta amazônica, que sequer tinham aeroportos e o avião da trupe era obrigado a pousar em estradas de terra no meio do nada, mas sempre levando diversão e um altíssimo astral. Uma trágica e inesperada pausa O quarteto formado por Genghis (Omar Leon), Thor (Jorge Danel), Tuly (Heloísa Nascimento) e Tania (Tânia Brasil) teve sua carreira interrompida em 1994. Omar voltava de uma rara folga para férias desfrutadas na África Do Sul quando sofreu um infarte em pleno vôo e não resistiu. Cerca de um ano depois, foi a vez de Heloísa, vitimada por um câncer. Jorge e Tânia ainda procuraram em vão por substitutos durante algum tempo, mas o relacionamento de quase 15 anos do grupo dificilmente seria igualado. Eles decretaram o fim do Brazilian Genghis Khan em 1995 e seguiram em suas carreira pelo mundo da dança. O retorno no século XXI Em 2001, Tania começou a dar as primeiras “cutucadas” em Jorge… Além do revival 80′s que já era notado na mídia, o vazio artístico dos anos 90 (preenchido vulgarmente pela ascenção da “bunda music” e outras porcarias do mesmo nível), a lembrança constante e o assédio de antigos fãs foram decisivos para que eles começassem a ensaiar um retorno. Um site [http://www.braziliangenghiskhan.hpg.ig.com.br] gentilmente construído inteiramente pelo fã (e posteriormente amigo do grupo) Jefferson Cândido, entrou no ar em novembro de 2001. Em 2002, Jorge recrutou o casal Thelma e Cláudio para completar novamente o quarteto, e o renomado produtor de música eletrônica Paulo Beto (Anvil FX), passou de fã a arranjador de novas canções e versões de antigos sucessos. “Genghis Khan” , “Latino América (Mixer) e “Marco Polo” foram as 3 primeiras. Além da revitalização sonora, Jorge acrescentou à nova indumentária do grupo detalhes “futuristas”. O ano de 2003 marcará definitivamente a volta do grupo, que continua preparando novas canções e realiza show de retorno na Festa de 1 ano da Trash 80′s.

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