Por Lígia Helena

Como era legal ir a escola nos anos 80!

Ao contrário de grande parte dos frequentadores da Trash 80′s, as minhas lembranças da tal década perdida não são muito frescas na memória. Isso porque quando a década acabou, eu tinha apenas 8 anos. Sou da safra de 82. Filha de uma típica yuppie (isso sim é beeeeem 80′s!), antes mesmo de completar um ano, lá estava eu na escola. Portanto as minhas lembranças dessa década são muito pueris, e predominantemente escolares.

Lembro por exemplo das lancheiras. Havia uma variedade imensa de cores, formatos e personagens: lancheira da She-Ra, da Barbie, da Xuxa, e para os meninos dos Comandos em Ação, Transformers, Rambo… dentro da lancheira sempre havia as deliciosas comidinhas que a mamãe fazia, uma fruta, biscoitos São Luís ou bolinho Ana Maria e a garrafa térmica.

A garrafa térmica merece um parágrafo a parte. Conjuntinho com a lancheira, na mesma cor, era sempre abastecida com o famigerado Ki-suco. Geralmente Ki-suco de uva. Só que essas garrafas térmicas de lancheira eram fajutas demais, e sempre vazavam. E aí a comidinha que a mamãe tinha feito com tanto amor era banhada em Ki-suco de uva.

Hora do recreio! Depois de abrir a lancheira e notar o desastre do Ki-suco de uva, comer aquela meleca envolta em papel alumínio, era hora de brincar. Pega-pega, esconde-esconde, menina-pega-menino, polícia e ladrão. Pique bandeira, queimada, barra-manteiga, passa-anel e telefone sem fio. Meninas pulavam corda, pulavam elástico, brincavam de adoleta. Meninos exibiam seus carrinhos de fricção, jogavam Super Trunfo e perturbavam as meninas. Não era necessário muito pra brincar. Não precisávamos nem de pilhas!

Na sala de aula as coisas não eram menos divertidas. Afinal de contas os estojos, diretamente trazidos do Paraguai, tinham mil funções diferentes além de guardar o material escolar. Apertávamos um botão e uma lupa pulava. Apertávamos outro botão e uma régua saltava. Puxava a gavetinha e a borracha aparecia. Pura diversão! Os estojos eram imensos, pra guardar todas as canetinhas (“só contorna, não pinta não que estraga a ponta e minha mãe não deixa.”), lápis de cor e o ítem mais importante do material escolar dos anos 80: a caneta de 10 cores (e a prima rica, de 12 cores, ou a prima pobre, Bic 4 cores)!

Nas costas, carregávamos mochilas Risca com faixa refletora. Os mais riquinhos tinham aquela mochila com um grande relógio embutido. Muitos de nós aprendemos a ver horas no relógio “de ponteiro” por causa da tal mochila. Quem era realmente muito poderoso tinha mochila com rodinhas. Eu nunca tive. Nos braços, relógios Champion de trocar a pulseira colorida. Ou então pulseiras bate-enrola metalizadas.

E cheiro de escola pra mim é cheiro de álcool. Antes que comecem as piadinhas, explico: quem nunca sentiu o cheirinho de uma página recém mimeografada? Saudades da época em que a maior preocupação na escola era cortar na linha pontilhada com a tesoura sem ponta, colorir, desenhar, escrever redação sobre “minhas férias” e obedecer à professora. Porque, se bem me lembro, nos anos 80 ainda não existia essa palhaçada de chamar professora de “TIA”. Nada mais trash.

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2 comentários
  1. Parabéns pelo site.

    dialog
    Jorge Correa comentou em 28 de abril de 2011 às 1:17 Responder
  2. Parabéns. Me fez recordar minha infância. Sou de 1974.Obrigado.

    dialog
    Jorge Correa comentou em 28 de abril de 2011 às 1:18 Responder

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