Por Juliana Biscardi

O penteado não nega. As moçoilas que, como eu, passaram a infância em plenos anos 80, eram levadas a optar entre o look pantera da sensual Madonna e o estilo joãozinho da meiga Paula Toller. Que penteado ornaria mais com as saias balonê, os relógios de holograma, as mangas morcego e as “discretíssimas” cores preponderantes na época? Que outros anos, aliás, aceitariam combinações tão absurdas não só aos olhos dos entendidos como também aos daqueles que simplesmente possuem um mínimo discernimento?

Assim que pude escolher meu primeiro corte, fiz questão de demonstrar muita personalidade: arrepiado em cima, curto no comprimento e provido de um enorme e solitário rabinho na região central. Minha mãe, guardiã de todas as lembranças familiares, possui até hoje a prova do crime. Não, não há ato que a obrigue a desfazer-se de um pôster no qual apareço ostensivamente pintada, sorridente e tendo como “plano de fundo” uma enorme fotografia de Stallone. Passado algum tempo, perdi o corte. Os fios cresceram e tive de utilizar grandes e fartos rabos-de-cavalo no topo da cabeça. Para os momentos especiais, porém, guardava sempre inúmeros tules coloridos e incorporava, à minha maneira, uma miniatura da arrojada Viúva Porcina.

Há quem credite aos anos 80 a união entre moda, arte e estilo. Há quem, em vez disso, considere-os os grandes responsáveis pela morte – temporária – do esteticamente correto. Quem nunca sucumbiu às extravagâncias desse período certamente tende a considerar perfeita a segundo opção. Eu, por minha vez, não acredito (e jamais o farei) em “mortes temporárias” e em “estéticas corretas”. Desse modo, por mais que me envergonhe diante de alguns resquícios fotográficos, ainda me emociono com as cores chocantes, os cortes geométricos e os demais fragmentos de uma época que, além de homenagear a diversidade, também não temia beirar o ridículo.

Gostou? Veja também:
Comente no Facebook
Comente