Eu trasheio…
Até ia dizer que freqüento a Trash há pouco tempo, mas quando pensei melhor eu vi que seria mentira. Minha primeira vez (óia!) foi perto do fim de 2002, quando comecei a ouvir falar da Trash. Ou a ler sobre a Trash. Na verdade eu fui à festa na porra-louquice. Mas não me arrependo.

Ela trasheia…
Dona Lenore, figurinha carimbada da festa, organizara um amigo secreto entre os bloggers – que, para quem ainda não sabe, são seres estranhos da comunidade virtual que mantém diários on-line. E a entrega dos presentes seria na festa chamada “Trash Eighties”, em 30 de novembro, na noite “Trash Bloggers 4″. Até aí, nada demais, pois se era a quarta festa desses indivíduos, não poderia ser ruim, certo? Porém, ao ler o endereço, alguma coisa bateu errado na minha cachola. Afinal, uma festa chamada “Trash” rolando num hotel na Nove de Julho, do lado do Anhangabaú, no Centrão Velho de São Paulo? Sem conhecer ninguém e sem saber exatamente onde é esse local? Minha mente me disse “é roubada”.
Porém, como vivo em constante discussão comigo mesmo, a parte da minha cabeça que dizia “vai ser no mínimo diferente” acabou ganhando. Então, no sábado saí a procura de um presente para meu amigo secreto no valor de 1,99 (porque o nome – e espírito – da festa é “trash”). Com um cavalinho de pau em mãos, lá vou eu para o Centro, assinando o atestado de que eu não regulo bem.

Eles trasheiam
Depois de um encontro insólito no metrô Anhangabaú, rumamos para a tal da Trash. Eu olhava para frente, para um lado, para o outro e me perguntava o que fazia ali. Até que entrei no Bar D’Hotel… Na cola de todo mundo se cumprimentando ao som de “Vou de Táxi” da
Angélica – porque quem chega cedo pode testemunhar a sessão mela-cueca que rola. Eu começo a reparar no lugar onde estou: aquele carpete, a coluna no meio da “pista”, o barzinho no canto, o conhecido banheirão de luz vermelha, a árvore de Natal de gosto mais do que duvidoso, os banquinhos de couro vermelho, aquele clima “caliente” (na verdade, era quente a beça mesmo)… Caramba! E olha o som! Balão Mágico! Trem da Alegria! Cyndi Lauper! Right Said Fred! Locomia! E a galera agita, curte, canta e dança. E, o mais trash de tudo: eu, conhecendo o povo naquele mesmo dia, agito, curto, canto e danço. Sem Parar. Pulamos, gritamos “oh oh oh”. E ferve – ê lugar quente! Apaixonante. O golpe de misericórdia? Imagine por um momento um cocô ambulante dançando Tati-Quebra-Barraco em cima do balcão de um bar. Nesse momento a ficha caiu: a festa é foda.

Nós trasheamos
Com o tempo, a festa mudou de lugar. Saiu do inesquecível Cambridge, passou para o Picasso (onde atualmente ocorre a Trashinha de sábado) e agora está no Caravaggio. Porém, o clima – ainda que não intimista quanto no Hotel – continua ótimo. Eu mesmo não consigo ir todo o fim de semana como eu gostaria. E quando vou a outros lugares, sinto falta do clima trash – tenho um carinho especial pela festa e nem sei explicar exatamente o porquê. Acho que essas coisas não se explicam, se sentem apenas. Então, junto com velhos trashers e trashers fraldinhas, sempre vou ao cortiço quando posso, para curtir esse túnel do tempo, já que eu, nascido em 79, gastei boa parte da década de 80 com os ícones infantis com Xuxa, Angélica, Trem da Alegria, Balão Mágico e músicas trash afins. Portanto, eu trasheio. E adoro isso.

E tu? Trasheias também?

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