De voyeur a chiquitita

Regra número um sobre a Trash 80’s: Você não fala sobre a Trash 80’s.

Pode parecer exagerado pegar emprestada a frase-clichê do filme do Brad Pitt, mas ela entra aqui em um contexto diferente. Eu a uso para explicar que a Trash é para ser vivida, não discutida. Como toda boa relação amorosa. E quem conhece a festa, cai de paixão por ela. Eu caí.

Foi numa noite meio quente de novembro, usando minha cueca azul turquesa, em frente ao computador, que tomei conhecimento da festa. Vi fotos da Trash Halloween no blog da Adriana Spaca. Um mês depois, criei coragem e fui conhecer aquele bando de doidos. Novamente vestido com a minha “turquesinha” da sorte, claro.

Comecei com o pé esquerdo literalmente no chão. A sola do meu sapato descolou e dancei metade da noite com ela na mão. Até que, já com uns gorós na idéia, me apresentei:

Você é a Adriana Spaca? Eu sou o Manny Curi.
Ela gritou, me deu um selinho e guardou minha sola na bolsa dela. E eu vi que tinha encontrado uma família mesmo.

Em janeiro virei assíduo, apaixonado cada vez mais pelo som, pelas festas e com vontade de dar uns beijos no DJ loiro que eu achava um antipático (e hoje amo de paixão). Depois me apaixonei por um trasher diferente a cada semana. Coisas de sagitariano carinhoso…

Em alguns sábados, danço tanto na Trash que chego em casa e começo a chorar. Não por tristeza, medo ou dor. É excesso de alegria mesmo. Como nas noites SBTrash, em que tive a pachorra de me vestir de chiquitita, com direito a vestidinho e peruca loira; e Trash Sedução, que marcou minha primeira experiência como DJ. Nada como tocar fogo no cortiço e ver a macacada se jogar.

Já me perguntei por que volto todo sábado. E vi que, mais do que as músicas, volto para ver pessoas que amo. E me divertir com elas, como não me divirto em nenhum outro lugar. Algumas pessoas com quem convivo fora da festa não entendem como consigo bater cartão no Caravaggio. Nem tento explicar. Porque a regra número da Trash 80’s é… bom, já deu para entender, né?

Não sei se tenho que indicar meus ícones trash favoritos. Mas vou fazê-lo assim mesmo. São todas mulheres de cabelos pretos, reparem…

MARA MARAVILHA
Encho o saco dos DJs até durante a semana pedindo que toquem músicas da Mara. Meu objetivo, a longo prazo, é “hypar” várias músicas dela. Até agora já deu certo com “Não faz mal (eu tô carente, mas eu tô legal)”, que está a um passo de virar hit. Destaque também para o sucesso de “Foi assim” e, sobretudo, da versão baiana de “Jesus Cristo”, do rei, na voz da baianinha.

GRETCHEN
Nunca achei que eu fosse gostar das músicas dela. Mas volto para casa com a sensação de que faltou algo se não ouço o “pianinho”, nome pelo qual se convencionou chamar um medley dela que tem “Freak Le Boom Boom”, “Me Gusta el Cha Cha Cha” e “Conga la Conga”.

PATRÍCIA MARX
Nos anos 80 eu queria ser ela. Achava que ser do Trem da Alegria era o máximo de felicidade a que uma criança podia chegar. Tudo bem que eu amava o Luciano e, se eu fosse ela seria meio incesto… Mas eu amo “Festa do Amor” e, mais ainda, “Certo ou Errado”, que o Eneas tá me devendo, mas o (delicioso) Rico Suave toca de vez em quando.

ROSANA
Bicha que se preze, gosta de Rosana. Ela é, a anos-luz de distância, uma espécie de Cher brasileira. Com as bochechas deformadas, claro, mas com o mesmo ar de batalhadora que a diva americana. Basta tocar “O Amor e o Poder” para a casa cair. Tenho até uma coreografiazinha, que faço com as irmãs malvadas Amanda e Camila Magal.

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