Arquivo do mês: janeiro 2003

No meio de 2002, eu descobri a mágica dos blogs e decidi que teria um. Divulguei a algumas pessoas e acabei me tornando fã do blog de um amigo de uma amiga. Dan.zero passou a ter a sua vida vigiada por mim todos os dias. Certa vez, ele escreveu sobre uma festa no centro da cidade em que rolavam músicas que há muito eu não ouvia.
A partir daquele dia, começou o meu comichão por conhecer aquela tal Trash 80’s que acontecia no Hotel Cambridge e que hipnotizava quem a freqüentava.

O tempo passou até que em abril saiu uma reportagem intitulada “Você lembra da Menina Veneno?” na Veja São Paulo. Li, reli, treli e decidi que, enfim, havia chegado a hora de conhecer aquele “Templo de Perdição”.
Convoquei minha fiel escudeira Débs, e decidimos que iríamos na festa do dia 19 de abril. Meio de feriadão prolongado, com certeza seria mais calmo.

Chegamos ao Caravaggio e adentramos aquele lugar diferente com certo receio. Passamos por um par de cortinas de veludo e nos deparamos com a pista. Vazia. Um DJ magro com óculos escuros comandando uma sessão mela-cueca. Subimos. Bebidas rolando e como que ao toque de um botão aquela pista encheu de pessoas tão deslumbradas quanto eu, que sacolejavam ao som do Menudo. Como eu.

A cada música, eu e minha amiga nos entreolhávamos e a nossa voz era única: “Eu não acredito!!!! Lembra dessa?”
Para encerrar com chave de ouro essa estréia, três situações inesquecíveis:

  • show da Maria Alcina;
  • uma figura animadíssima de cima do palquinho que cantava e fazia a coreografia de todas as músicas, enquanto nos observava como se nos conhecesse há anos: era o Sandro Camiseta;
  • um carinha belíssimo com “um olhar que é puro cristal” me puxando para o meio da pista para dançarmos Dancing Queen: era o Cris Mariposinha.

Decidi que não perderia mais um minuto sequer daquela festa.
No blog do Dan.zero, achei o link para o blog do Tonyy onde achei fotos daquela noite especial. Sim, eu e a Débs havíamos sido flagradas pela lente indiscreta da Carol. Publiquei a foto no meu blog, como cartão de visita. Xeretei também o blog do Wander, que havia sido o DJ convidado da noite.

Semana seguinte: nós duas lá novamente. Em certa hora da noite: eis que aquele primeiro DJ que eu havia visto se aproxima de mim e grita o meu nome no meio da pista. Todo mundo olhou na minha cara e eu queria abrir um buraco no chão para me esconder. Nunca havia recebido um abraço tão cheio de carinho como aquele do tal DJ Tonyy. Minutos depois a cena se repetiu com o Wander.
Para ter absoluta certeza de que aquela festa tinha a ver comigo, voltei na Trash Sedução. DJ convidado: Manny Curi. Presente para os anfitriões: duas caixas de paçoca Amor. Quer coisa mais brega?

Missão complementar: comprar o convite para a festa de aniversário da Trash 80’s.
Surpresa: uma pulseirinha de acesso ao palquinho se fez no meu braço. Sim, o Tonyy a colocou enquanto eu preenchia meu nome na lista de comandas.

Morrendo de vergonha, eu e a minha amiga subimos no palquinho. Vi o Manny (que eu já sabia quem era por causa do blog). Eu disse “Oi, DJ convidado”. Obtive a resposta “Eu sei que você é… É a Fernanda, não é?” Depois do papo de louco tive absoluta certeza de que aquele era o meu lugar.

Daquele dia em diante, conheci muita gente, conquistei muitos amigos e tornei-me freqüentadora “compulsiva” da festa. Presenciei momentos maravilhosos e manifestações explícitas de amor e carinho que somente numa festa “de amigos para amigos” é possível de acontecer.

Hoje tenho absoluta certeza de que encontrei uma nova casa, um complemento para a minha família. Tantas pessoas maravilhosas, cada uma com sua característica mais que especial. No entanto, duas características parecem ser comuns a todos: a inexistência do medo para manifestar o amor pelas pessoas e a verdadeira busca pela felicidade.

Normalmente, os trashers definem três artistas/músicas especiais. Eu prefiro listar três edições da Trash pra lá de especiais pra mim:

16/05/2003 Aniversário da Trash – Tudo preparado para o tão esperado show do Gengis Khan, eu e a Débs chegamos ao Caravaggio ainda meio perdidas por não conhecermos quase ninguém. Nos colocamos à porta do lugar e quando estávamos entrando, sou recebida por um coro “Ruçaaaa!!!” formado por Dri Spaca, Manny Curi, Alisson Gothz e Luciano Bianchi. Ainda preciso explicar porque foi uma noite especial???


21/06/2003 Trash Astros do Ringue
– Algumas semanas antes, num encerramento de Trash às 7hs da manhã, o Eneas dançou comigo a música Siga Seu Rumo do Pimpinella. Numa brincadeira, ele me perguntou se eu decoraria a letra desta música para uma apresentação. Eu concordei. Mas só me dei conta da real intenção do mais alto, quando eu recebi um e-mail durante a semana, em que ele dizia que o seu terno mais brega seria selecionado para a performance. Não acreditei naquilo. Mas foi na edição “Astros do Ringue” em que subimos no palco para a tal performance. Pagação de mico total e maravilhosa! A sensação é indescritível. Só posso dizer que ficou um gosto muito forte de “quero mais”.

08/07/2003 Le Bal Masqué – Eu fui a escolhida pelos maravilhosos DJs Rico Suave e Wander Yukio para recepcionar os trashers mascarados. Ficar lá na porta foi muito bom e agora eu entendo os chiliques Alissonianos, pois também é bastante cansativo. Foi uma festa perfeita pra mim. E a noite em que eu recebi o convite, não poderia ter sido melhor. Sabe aqueles dias em que a depressão bate à sua porta. Pois é… Só que eu não abri. Preferi atender ao telefonema do Rico e comemorar o convite pelo resto da noite.

Por Márcio Pires

15 de maio de 2027. 22 horas. Plano-seqüência e narração em off.

Aos poucos, as pessoas começam a chegar no velho e claudicante Edifício Robocop, na Marginal Pinheiros, para o 25º aniversário da Trash 80′s, uma das mais tradicionais festas paulistanas. É uma ironia que, depois de ajudar a revitalizar o centro de São Paulo e fazer com que várias empresas da outrora próspera região da Berrini, caso da Symantec, por exemplo, se mudassem para a Estação da Luz e as adjacências da antiga Cracolândia, a Trash troque de lugar e vá para um treme-treme num dos bairros mais decadentes da cidade.

Não que o bon vivant Luciano Bianchi se importe com isso, mesmo porque ele vem ao país apenas para rever os amigos. Com sua esposa Adriana Spaca sempre voando entre Cannes, Londres e Hollywood para cumprir uma apertada agenda de filmes e peças, ele decidiu curtir a vida e acompanhar do exterior sua fortuna crescendo graças à maior revista masculina do Brasil, “Ocós do Bem”, fundada por eles e por outro casal, Bernard e Ana, que administram o negócio de perto.

Nesta noite, todos eles vão se encontrar. Afinal, as bodas de prata da Trash são um acontecimento sobre o qual todas as luzes da cidade se acendem. Ou tentam, pois apesar da Trash 80′s, Inc. ser uma empresa globalizada, com ramificações em várias partes do planeta, a festa original continua sendo para uma pequena lista (não a lista de discussão do site www.trash80s.com.br, que conta com quase três milhões de assinantes pagantes, mas uma que se oculta dissimuladamente no Yahoogrupos).

Para se ter uma idéia, apenas um profissional da imprensa foi credenciado: Manny Cury, o poderoso publisher da revista de celebridades “Baianas”. Como em todos os anos, a “Baianas” passará os próximos meses processando os inúmeros órgãos de imprensa que publicarão matérias com o título “Exclusivo!!! Nosso repórter escondido na Trash 80′s!!!”. Não é novidade. Jornalistas se jogam na festa desde 2002 e o único incidente sério foi quando um dos diretores da organização surpreendeu Silvia Poppovic tentando entrar disfarçada, o que rendeu um pivô à apresentadora.

“É coisa de velho! Só aqueles dois para ter tanto dinheiro e manter uma festa para 400 pessoas num lugar pequeno e quente! E falei mesmo!”, bufa Alisson Gothz, vestido de lâmpada fluorescente. Ele se refere aos veteraníssimos DJs Tonyy e Enéas. No dia seguinte, quando alguém escrever sobre isso na lista, Enéas responderá “sei” e essa resposta gerará cerca de 48 e-mails de vários participantes, entre eles Lenore, que ainda está em casa para terminar seu blog número 1.000.000.000 e bater seu próprio recorde no Guiness Book.

Enquanto o pequeno anexo do Robocop, construído ainda em 2005, vai recebendo os convidados, os comentários vão enchendo o ambiente. A falta de Raí, por exemplo, é muito comentada. No entanto, o diretor da regional centro-oeste da empresa teve um dia cheio, representando Tonyy e Enéas num encontro que definiu o uso de incentivos fiscais do governo argentino para abrir a primeira boate Trash 80′s de Buenos Aires. O encontro foi intermediado por Dany Dee, que primeiras edições da festa ocultava seu status de diplomata portenho. Confiantes, os dois veteranos trashers já contrataram o esquecido Fito Paez, que perambulava pela capital argentina fazendo shows cover de Sílvio Brito e Daniel Azulay, para a inauguração da “La Trashera”.

A bombástica chegada do “diretor adjunto de gestão de marca, comunicação e identidade corporativa da Trash 80′s, Inc.”, como gosta de se anunciar Ricardo Schmidt, sempre assusta quem já está no terceiro drinque. Schmidt, à exceção do abdômem, em nada lembra o velho DJ Rico Suave dos tempos românticos do Anhangabaú. Com muito dinheiro no bolso, diz que sempre quis se vestir como executivo e que ninguém tem nada a ver com a cor de seus sapatos.

Sempre contemporizador, Edu Negão pede para Enéas relevar o fato de Bruno ter tocado “Fácil” na edição especial Trash 90′s. “Ele não fez por mal e todo mundo já falou que Jota Quest não é trash, é só ruim. E o cara já tem 46 anos. Chega de chamar de Fraldinha que já encheu”. Enéas simplesmente levanta, diz “sei” e vai para o bar. Sem pensar duas vezes, Negão começa a perguntar a várias quarentonas indies que entraram na lista ainda na época do Caravaggio se elas realmente já aprenderam o que é O-Y-M. Por trás de Edu, Iberê fica fazendo caretas para as indies, encostadas na parede desde que começaram a beber.

Numa outra rodinha, Magiozal, Rubens, Psychofreud e Cláudio conversam compulsivamente sobre detalhes obscuros da cultura pop. A cada ano que passa, cresce a suspeita de que Márcio Pires seja um avatar eletrônico criado por algum deles. Afinal, ele aparece raramente na festa e jamais houve notícia de um contato dele com um ser humano sóbrio na Trash. Há até quem acredite se tratar de uma entidade. Quem também aparece raramente são Amanda e Camila, mas pelo menos os mandatos nas prefeituras de Santo André e São Bernardo justificam suas ausências.

Diferentemente dos apertos financeiros das primeiras edições da festa, neste ano a volta do Duran Duran apenas para este show causou espanto na imprensa internacional. Para os trashers, não faz diferença se Simon Le Bon é um ancião que canta sentado. Ele ainda tem bom humor para dizer que é o peso da maquilagem. Nick Rhodes é obrigado a interromper o show antes de “Planet Earth” pois esqueceu de tomar seus comprimidos, mas nada isso faz o refeitório do Robocop parar de tremer. É uma catarse coletiva.

Quando o vocalista deixa o palquinho em sua cadeira de rodas com aros neon, a emoção é grande. Quem chega perto de Renata Bonaccini vê uma pessoa rindo sem parar. Vê também uma embalagem de acetona vazia rolando no chão. Vemos também muitos rostos, tantos que não poderíamos contar neste espaço, mas cada qual com a sua própria lembrança desta noite: Zeezo e Gigi, convidando vários amigos para jogar Pula-Pirata no dia seguinte, Maicon Max, Rodrigo Marko, Zizi, Diego, Estevam, Ni, Allan… a lista é interminável. Vêem-se todos os trashers da lista. Só não se vê o DJ Tonyy. Onde estará Tonyy?

“Vai trabalhar, Sapo-Boi maldito! Vai limpar os banheiros! É bom encher o saco dos outros? Toma, desgraçado!!!” Às vezes, Alisson acha que é um pouco demais tratar aquele homem velho dessa forma, mas há um componente sádico do qual ele gosta. Principalmente durante o show do Duran Duran, quando os banheiros estão vazios, vestir-se com couro preto e chicotear o Sapo-Boi é algo que o faz beirar o êxtase depois de todos aqueles anos de dificuldades. Mas uma surpresa está na frente do espelho do banheiro.

“Vem tirar braço-de-ferro comigo, vem!”, diz o DJ, bem mais velho. Ao seu lado, como sempre, a doce Lorack. “Amor, já falei que esse não é o Enéas e aqui não é a cabine de som. Vem comigo, amor. Depois do mingau já é o seu set”. “Não, bunitinha, esse barbudo é bunda-mole. Vem encarar o meu braço! E não adianta falar ‘sei’ pra mim”.

Epílogo
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Já são quase dez horas da manhã de domingo quando Larinha consegue chegar em casa, depois de uma ruidosa passagem pela Bella Paulista com mais 18 trashers fortemente alcoolizados. Fofa como ela só, a Goonie quer ser a primeira a mandar um e-mail para a lista. Não desta vez. Em sua caixa de entrada, uma mensagem que a faz deixar cair suas orelhas de Minie no chão e pensar “vai ser uma semana daquelas…”.

“DEPOIS DE 25 ANOS, VOCÊS CONTINUAM DEIXANDO TODO MUNDO FAZER XIXI NO PALQUINHO??? ONDE ESTÃO OS DJS QUE NÃO VÊEM ISTO???”.


Por Alisson Gothz

Os anos 80 serviram pra muita coisa, é verdade. Uma delas (talvez até a mais interessante) seja a confirmação de que certas pessoas simplesmente desapareceram. Não, elas não morreram, não se aposentaram, nem tampouco se perderam no meio da floresta Amazônica. Elas simplesmente DESAPARECERAM. Assim do nada mesmo. Sumiram do mapa. É o lado negro da fama: um dia você está lá, distribuindo autógrafos para crianças com o nariz escorrendo e que te acham o máximo, mas no outro você já não é mais reconhecido nem mesmo pelo porteiro do prédio onde você mora a 27 anos.
Coisas estranhas aconteceram a várias pessoas nos anos 80. Talvez elas tenham sido abduzidas, talvez tenham sido vítimas de alguma peste-negra, ou apenas tenham se casado e hoje vivem uma vidinha simples como tosquiadores de ovelha no estado de Arkansas, nos Estados Unidos. O fato é que essas pessoas sumiram do mapa, pouco depois de terem deixado suas marcas na história da cultura pop americana dos anos 80.
Alguns casos famosos de ilustres desaparecidos:

* A gorda do filme Poltergeist: todo mundo assistiu Poltergeist alguma vez na vida. Uma das coisas que mais chamavam atenção no filme era uma médium que era tão gorda que chegava a ser ovalada, e que tinha uma voz tão fina quanto irritante. Na parte mais legal do filme, ela gritou uma das frases mais legais dos anos 80: “Corra para a luz, Carol Anne!!!”… Carol Anne era a garotinha perseguida pelos espíritos malvados e ela deveria correr em direção à uma luz para se salvar e salvar sua família. Ela sim correu para a luz, mas ao que parece, a gorda não correu. Tanto é que, depois que fez este filme, desapareceu. Ninguém mais ouviu falar da médium gorda do filme Poltergeist. Teria ela sido levada pelos espíritos? Teria ela explodido igual à dona Redonda da novela Saramandaia? E por que ela não correu para a luz também????

* O menino que aparecia escondido no filme “Três Solteirões e um Bebê”: todo mundo viu. Todo mundo morreu de medo. Todo mundo achava que era coisa do demo. Ele tava lá , atrás da cortina, escondido, e dizem que ninguém sabia que ele estava lá. Diziam que ele era o filho morto de alguém da produção do filme. Diziam que ele era um ET. Mas o fato é que, depois disso, NINGUÉM mais viu o tal menino que apareceu escondido atrás de uma cortina no filme “Três Solteirões e Um Bebê”. Os diretores até fizeram uma seqüência do filme, talvez na esperança de ver o tal moleque novamente, mas o pirralho nem deu as caras. Esse é sem dúvida nenhuma, outro mistério envolvendo pessoas desaparecidas dos anos 80.

* A garota de rosa-shocking: o nome dela é Molly Ringwald, mas todo mundo que já assistiu à Sessão da Tarde algum dia com certeza a conhece como a garota que vestia rosa-choque, um dos filmes mais legais dos anos 80. O filme era divertido, bem coisa pra assistir à tarde comendo pipoca com os amigos, e a trilha sonora tinha até New Order. Mas esse foi o único suspiro da carreira de Molly, que hoje em dia ninguém mais tem notícia. Talvez ela esteja casada e cultivando uma alimentação macrobiótica com muito tofu e arroz integral, ou talvez ela ainda esteja tentando reativa sua carreira de atriz. Sonha em ir ao baile de formatura usando um vestido rosa-choque.

* Billie Jean: não, não estou me referindo àquela loira fortona e briguenta que era o personagem principal do filme A Lenda de Billie Jean que era sempre exibido pelo SBT (apesar de que ela também é uma das desaparecidas dos anos 80). Refiro-me àquela malucona que dizia ter tido um filho com o Michael Jackson quando ele ainda era negro e não usava meia branca com sapato preto. Michael escreveu até um dos seus maiores sucessos em sua homenagem. Nos anos 80, todo mundo tinha o nome “Billie Jean” na cabeça, e cantava: “Billie Jean is not my lover”… mas que fim levou a tal da Billie Jean? Será que Michael pagou US$10,000,000 para ela ficar calada pro resto de sua vida e ir morar numa caverna na Tailândia? Ou teria ela feito uma operação de mudança de sexo? Seria ela a LaToya Jackson ???? Mistééééééério….

Coisas estranhas aconteceram nos anos 80 e pouca gente sabe disso. Se você procurar direito, vai se lembrar de muitos outros casos de personalidades dos anos 80 que simplesmente desapareceram sem deixar nem rastro. Existiria uma gangue especializada em dar sumiço em gente estranha? Onde está Scooby Doo justamente quando nós precisamos dele???
Perguntas sem respostas, mistérios da Sessão da Tarde… duvido que alguém tenha um autógrafo da médium-gorda do Poltergeist ou uma foto ao lado do menino-fantasma-da-cortina, mas que eles fazem falta, ah, isso fazem…


Por Georgia Nicolaou (Gigi)

A década de 80 conseguiu produzir coisas muito boas, coisas muito ruins e outras de gosto duvidoso. Nessa década, o rock “político” dos anos 70 foi substituído pela apologia ao demônio, às drogas, aos carros e mulheres. Surgia o heavy metal. Junto com esse estilo, outro tipo de som “pesado” aparecia, apoiando-se num visual glam, abusando de maquiagem, roupas extravagantes e penteados de cabelo bizarros. Muitas bandas transitavam entre essas duas linhas, como é o caso do WASP. Há quem diga que o light metal era mais dirigido às mulheres, pois as bandas traziam integrantes bonitinhos… Falando de festinhas, mulheres e muita velocidade, essas bandas conquistaram seu lugar nas paradas de sucesso. O Brasil também teve seus representantes, como a banda Platina, cujos integrantes mais tarde formariam o Taffo, com o guitarrista Wander Taffo (Rádio Táxi), e depois tornariam-se o trio Dr. Sin. Atualmente, o hard rock, o poseur rock, o hairy rock, ou vulgarmente chamado de rock farofa, faz sucesso na cidade onde praticamente nasceu: Los Angeles, a cidade mais glam do mundo.

Você se lembra como essas bandas começaram? E por onde elas andam hoje em dia?

POISON
Surgiu no ano de 86, na cena dos clubinhos de Los Angeles. Considerados glam-metal-punk (“quando o Sex Pistols encontra o Kiss com ácido”), os integrantes do Poison apareciam travestidos, usando uma maquiagem extremamente feminina, e roupas bem coloridas. O primeiro grande sucesso foi Talk Dirty to Me. No começo dos anos 90, começaram os problemas na banda, que culminou com a saída do guitarrista CC Deville. O Poison continuou sua carreira, CC voltou, e o último álbum deles é de 2002, Hollyweird. Neste mês, estão em turnê pelos Estados Unidos com o Vince Neil (Mötley Crüe) e o Skid Row, apesar de Bret Michaels manter sua carreira solo paralelamente, e Rikki Rockett estar se dedicando a pinturas em tampas de privadas….

BON JOVI
Surgiu em New Jersey, no ano de 82, apesar do primeiro hit, Runaway, e do primeiro álbum só virem dois anos depois. A banda conseguiu reunir uma legião de fãs- na maioria meninas- e tinham um gosto bem duvidoso para as roupas. Eles começaram a carreira fazendo músicas mais pesadas e depois viram seu hard rock se transformar, tornando-se mais pop, mais comercial. Na década de 90, John Bon Jovi descobriu o cinema, o baixista inexpressivo saiu, dando lugar a outro integrante mais inexpressivo ainda, e Richie Sambora decidiu lançar álbuns solos, já que de uns tempos para cá é ele quem segura melhor os vocais dos shows. O último álbum é do ano passado e chama-se Bounce. Estaria na hora do Bon Jovi se aposentar?

MÖTLEY CRÜE
Também surgiu no começo dos anos 80 em Los Angeles. Nesse mesmo ano, saiu o primeiro disco Too Fast for Love. A glória veio mesmo em 83, com Shout at The Devil, onde os meninos do Mötley queriam demonstrar que eram bad boys do hard rock. A capa trazia um pentagrama, e nessa época, as maquiagens eram mais pesadas, como se fossem de rituais satânicos. É no terceiro disco, um com capa totalmente cor-de rosa, e roupas com pontinhos de brilhantes e lenços, que o som ficou mais farofa. Mas, é Girls, Girls, Girls – música do álbum seguinte, que virou hit. Tommy Lee gravou mais um álbum e deixou a banda que perdeu o charme. Nos anos 90, o Mötley reciclou o som, a atitude e o visual, aderindo a cabelos curtos e roupas de couro. Mesmo com a morte de Randy Castillo (ex- Ozzy Osbourne) e a volta de Tommy Lee ao posto de baterista, a banda é praticamente inexistente em 2003. Mick Mars sofre de artrite, Vince Neil está em carreira solo e Nikki Sixx acabou de lançar seu mais novo projeto solo, Brides of Destruction.

TWISTED SISTER
Apesar de ter sido formado nos anos 70, ficou famoso com o surgimento da MTV. O Twisted é reponsável pela definição do termo glam-rock (glitter rock). Seu visual era de drag queen bizarras e roupas andróginas. As músicas possuiam identidade e refrões grudentos, criando alguns hinos como I Wanna Rock e We’re Not Gonna Take it. A banda acabou em 87, e Dee Snider – líder e vocalista do TS – seguiu em carreira solo, sendo o único a aparecer na mídia. Alguns álbuns clássicos da banda estão sendo relançados e há a promessa de uma reunião para esse ano.

WHITESNAKE
É outra banda formada nos meados dos anos 70. Começou sendo um dos projetos solos de David Coverdale (ex-Deep Purple). Após o lançamento dos primeiros álbuns no começo dos anos 80, a banda ficou em inatividade até retornarem em 84 com novos integrantes. Em 85, já com o (falecido) baterista Cozy Powell, o Whitesnake lança o álbum Slide it In, que tornou-se um clássico. O grande sucesso veio em 87, com a música Still of the Night, cujo álbum apresentava um som muito mais comercial. Com as péssimas vendas do álbum sucessor, Slip of the Tongue, Coverdale decide abandonar o Whitesnake, que não conseguiu se manter pelas próprias pernas. Em 97, retomou a banda, que ficou na geladeira, não lançando nenhum material inédito. Nessa época, eles passaram pelo Brasil, num show com o Megadeth e o Qüeensryche. Nesse mês, estão em turnê pelos EUA comemorando os 25 anos de carreira.

WARRANT
Explodiu em 87 no circuito de Los Angeles- apesar de ter sido formado em 84. Eles possuiam um visual bem menos chocante que as outras bandas e não usavam maquiagem. Seguiam a linha denim & leather, que serviu para referência de outras bandas que viriam na sequência. A primeira gravação oficial apareceu no filme A Jornada de Bill & Ted. O grande sucesso veio no começo de 1990 com o hit Cherry Pie, número 1 nas paradas da MTV EUA. Nessa época vários integrantes aproveitaram para casar-se com modelos. (Jani Lane casou-se com Bobby Brown). O Warrant gravou mais alguns álbuns e saiu do circuito midiático em 97. Retornaram em 2001 com um disco novo, um tributo aos representantes da old school do rock’n’roll, Under the Influence. Este ano, estão em turnê conjunta com o Whitesnake, Winger e Slaughter.


Por Juliana Biscardi

O penteado não nega. As moçoilas que, como eu, passaram a infância em plenos anos 80, eram levadas a optar entre o look pantera da sensual Madonna e o estilo joãozinho da meiga Paula Toller. Que penteado ornaria mais com as saias balonê, os relógios de holograma, as mangas morcego e as “discretíssimas” cores preponderantes na época? Que outros anos, aliás, aceitariam combinações tão absurdas não só aos olhos dos entendidos como também aos daqueles que simplesmente possuem um mínimo discernimento?

Assim que pude escolher meu primeiro corte, fiz questão de demonstrar muita personalidade: arrepiado em cima, curto no comprimento e provido de um enorme e solitário rabinho na região central. Minha mãe, guardiã de todas as lembranças familiares, possui até hoje a prova do crime. Não, não há ato que a obrigue a desfazer-se de um pôster no qual apareço ostensivamente pintada, sorridente e tendo como “plano de fundo” uma enorme fotografia de Stallone. Passado algum tempo, perdi o corte. Os fios cresceram e tive de utilizar grandes e fartos rabos-de-cavalo no topo da cabeça. Para os momentos especiais, porém, guardava sempre inúmeros tules coloridos e incorporava, à minha maneira, uma miniatura da arrojada Viúva Porcina.

Há quem credite aos anos 80 a união entre moda, arte e estilo. Há quem, em vez disso, considere-os os grandes responsáveis pela morte – temporária – do esteticamente correto. Quem nunca sucumbiu às extravagâncias desse período certamente tende a considerar perfeita a segundo opção. Eu, por minha vez, não acredito (e jamais o farei) em “mortes temporárias” e em “estéticas corretas”. Desse modo, por mais que me envergonhe diante de alguns resquícios fotográficos, ainda me emociono com as cores chocantes, os cortes geométricos e os demais fragmentos de uma época que, além de homenagear a diversidade, também não temia beirar o ridículo.